O que está acontecendo?
No jardim, a humanidade estendeu a mão para o poder que a serpente oferecia, tentando se tornar como Deus segundo os próprios termos. Os seres humanos passaram a ser dominados pela morte em vez da vida, e essa morte tem se espalhado pelo mundo desde então. Mas Deus decidiu trazer de volta a vida dele, e o plano passa por uma família. Deus prometeu a Abraão um filho e, por meio desse filho, uma nação inteira e, por meio dessa nação, bênção para o mundo inteiro. Mas Abraão e Sara são idosos, e Sara nunca pôde ter filhos. Se esse filho prometido chegar a nascer, será porque Deus traz vida onde não há nenhuma. Agora, Deus dá a Abraão um sinal da promessa, e o sinal que ele escolhe diz exatamente isso.
Assim como o arco-íris foi o sinal da promessa de Deus a Noé e ao mundo inteiro, esse sinal pertenceria a Abraão e à nação que viria dele. Deus ordena que Abraão e os de sua casa sejam circuncidados (Gênesis 17.11). O sinal é cortado no corpo justamente na sede do poder reprodutivo humano, e é exatamente esse o ponto. A marca declara que a vida prometida não virá por esse poder. A descendência será um dom do Espírito de Deus, e não uma conquista da força humana.
Mas há mais nesse sinal do que isso. A circuncisão é um corte, uma pequena morte inscrita no corpo, de modo que a vida da promessa vem por meio de algo cortado e entregue. Toda a história de Gênesis vem caminhando em direção a um descendente de Eva que esmagaria a serpente e desfaria o reinado da morte. E Deus prometeu que esse descendente virá por meio de Abraão, aquele por meio de quem todas as nações serão abençoadas (Gênesis 12.3). A circuncisão se torna o lembrete constante de que o filho prometido vem por meio dessa família, e vem somente da maneira como Deus traz toda vida: pela morte transformada em vida.
Com o sinal, Deus dá novos nomes. Abrão passa a ser Abraão, pai de uma multidão; Sarai passa a ser Sara, princesa de uma nação (Gênesis 17.5,15). Os nomes não são enfeite. São a nova realidade que a promessa de Deus cria. Sara, que foi estéril a vida inteira, é chamada mãe de nações antes de dar à luz um único filho. A palavra de Deus dá nome àquilo que o poder de Deus certamente fará.
Onde está o Evangelho?
O filho definitivo de Abraão, por meio de quem todas as nações são abençoadas, é Jesus.
Jesus dá um sinal maior do que o que foi dado a Abraão: não uma circuncisão do corpo, mas uma circuncisão do coração, operada interiormente pelo Espírito Santo (Romanos 2.28-29). E ele cumpre o significado mais profundo do sinal. A circuncisão era um corte, uma morte e uma vida inscritas no corpo; em Cristo, esse corte se torna completo. Quando morremos com Jesus e tomamos a cruz dele, ele corta fora o pecado, a rebelião e a morte que trouxeram o caos ao mundo, e nos ressuscita para a vida ordenada da nova criação com ele (Colossenses 2.11-12).
É assim que a vida prometida chega até nós, da mesma forma que chegou a Abraão e Sara: não pelo nosso poder, mas pelo poder de Deus. Não podemos produzir a vida de Deus em nós mesmos, assim como Sara não podia gerar um filho de um ventre estéril. O Espírito traz essa vida do alto, e a presença do Espírito em nós é a garantia de Deus de que toda promessa feita em Jesus será cumprida (2 Coríntios 1.22).
E, assim como Deus deu novos nomes a Abraão e Sara, Deus nos dá uma nova identidade em Cristo. Unidos a Jesus, somos feitos nova criação: as coisas antigas já passaram, e surgiram coisas novas (2 Coríntios 5.17). Aquilo que jamais poderíamos nos tornar pela própria força, Deus declara sobre nós e realiza pelo Espírito: somos os filhos da promessa, ressuscitados da morte para a vida dele.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo lhe mostre o Deus da fidelidade, que traz vida onde nenhuma vida é possível. E que você veja Jesus como o Filho prometido definitivo de Abraão, que corta fora a sua morte, ressuscita você para a nova criação e lhe dá o Espírito como selo de todas as promessas que ainda virão.

