O que está acontecendo?
Habacuque faz duas perguntas a Deus, e Deus responde duas vezes.
Habacuque sabe que Deus é bom, por isso sua primeira pergunta é: por que Deus tolera o mal? (Habacuque 1.3) O rei Jeoaquim está no trono e conduz Israel a um novo período de corrupção e depravação (Jeremias 22.13-14). Jeoaquim é um assassino, os líderes de Israel ignoram a lei de Deus, os juízes de Israel são corruptos, e o povo sofre sob a injustiça coletiva deles (Habacuque 1.4). Habacuque, com razão, se pergunta até quando Deus tolerará o mal (Habacuque 1.2).
Mas Deus responde que está planejando uma justiça tão completa contra a corrupção de Israel que Habacuque não vai acreditar (Habacuque 1.5). Deus está levantando os babilônios para varrer a corrupção de Israel e a violência de seus líderes (Habacuque 1.6, 10).
Mas isso traz um problema pior para Habacuque. Os babilônios são muito piores que Israel (Habacuque 1.13). Os babilônios tratam seus inimigos como animais (Habacuque 1.15). Eles exploram e devoram os adversários que conquistam (Habacuque 1.16). Os babilônios são assassinos sem misericórdia (Habacuque 1.17). Para Habacuque, a resposta de Deus apenas aprofundou o problema. Deus não está só permitindo que o mal siga sem freio; ele está usando o mal para os seus próprios propósitos. A segunda pergunta de Habacuque é: como Deus pode usar o mal, se Deus é bom?
E a resposta de Deus é que Habacuque precisa confiar em uma visão (Habacuque 2.2-3). A visão detalha que a Babilônia e todos os reinos como ela cairão. Deus derrubará todas as nações construídas sobre o roubo e a ganância (Habacuque 2.6). Deus abaterá todo palácio erguido sobre as costas dos oprimidos (Habacuque 2.10-11). Deus aprisionará todo império construído por meio da escravidão (Habacuque 2.12-13), e destruirá cada culto imperial que honra deuses e líderes ineptos (Habacuque 2.18). Isso significa que Israel será destruída pela Babilônia, mas a Babilônia acabará sendo destruída por ainda outra nação orgulhosa. Deus continuamente usará o mal para julgar o mal, até que não reste mal algum para julgar. Então, Deus inaugurará um reino que abrange todo o globo e inunda a terra de verdadeira justiça e glória (Habacuque 2.14). A resposta à segunda pergunta de Habacuque é confiar que essa é a melhor maneira de o mal receber o que merece.
Onde está o Evangelho?
Habacuque fez as perguntas certas. Habacuque quer saber por que Deus permite que o mal continue e por que ele usa os injustos para cumprir os seus propósitos. A resposta de Deus é que nem sempre será assim. Um dia o mal será derrubado, e os inocentes, os escravizados e os pobres finalmente experimentarão a justiça. Embora nenhuma resposta explique plenamente a tolerância de Deus para com o mal, é significativo que Deus não diga que os justos vivem de curiosidade satisfeita ou de perguntas respondidas. Em vez disso, eles vivem confiando que ele em breve endireitará as coisas (Habacuque 2.3-4).
Isso é difícil. Não é fácil. Mas, em Jesus, recebemos a mesma resposta dada à pergunta de Habacuque — apenas intensificada e feita carne. No livro de Lucas, Jesus inicia o seu ministério com a mesma visão que Deus deu a Habacuque. Jesus tinha vindo para derrubar as forças do mal e da injustiça, e inaugurar um reinado global de justiça e glória para os oprimidos (Lucas 4.18-19). Em Jesus, o reino esperado por Habacuque chega!
Mas, assim como Israel foi julgada pela Babilônia, Jesus seria julgado por Roma. Jesus era o Rei de Israel, uma nação que há muito tempo se entregara ao mal e à depravação. E, por um momento, aquela esperança em seu reino morreu na cruz. Mas Deus não permitiu que o mal de Roma vencesse; ele usou o mal para os seus próprios propósitos (Atos 2.24). Deus usou o mal para julgar o mal, até que não restasse mal algum para julgar.
Em Jesus, o mal de Israel foi sepultado. E o mal de Roma foi impotente para impedir a sua ressurreição. Assim, Jesus subiu a um trono de soberania universal. E agora, com absoluta autoridade, ele promete que os inocentes não morrerão nas mãos dos injustos. Em vez disso, eles viverão para sempre confiando que o dia vindouro de justiça e glória profetizado por Habacuque começou nele. E Jesus promete que em breve virá um dia em que o mal não será mais tolerado, porque não haverá mal algum.
Veja por si mesmo
Que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que se apropria do mal dos reinos. E que você veja Jesus como digno de confiança para trazer um reino de justiça a todos os que são oprimidos.

