O que está acontecendo?
O profeta Isaías diz a Israel que o coração de Deus sempre se volta para o excluído. No começo de Israel, quando eram a menor e a menos qualificada das nações, Deus os trouxe a uma terra onde poderiam se aproximar dele em seu templo (Deuteronômio 12.4-7). Ao atrair essa nação improvável, Deus traria todas as nações a si mesmo. Mas Israel se rebelou e se afastou de Deus. Em vez de trazer as nações ao templo de Deus, Israel abraçou os ídolos das nações. Por isso, Deus exilou Israel entre as nações que deveria trazer para dentro. Isaías lembra ao seu povo, agora excluído, que o coração de Deus pelos excluídos não mudou (Isaías 56.1). Em amor, ele busca estrangeiros, eunucos, aqueles que morrem no exílio e até mesmo o rebelde Israel, para trazê-los a si.
Primeiro, Isaías diz que Deus acolherá aqueles que parecem os mais excluídos e menos qualificados. Estrangeiros e eunucos, que eram excluídos da adoração e da vida em comunidade, seriam recebidos. Isaías diz que os estrangeiros que obedecem a Deus adorarão ao lado dos cidadãos nativos no templo de Deus (Isaías 56.3,6-7). Da mesma forma, os eunucos que amam a Deus receberão um nome melhor do que filhos ou filhas. Ainda que não possam transmitir seu nome a filhos, Deus lhes dará um nome eterno (Isaías 56.3-5).
Além disso, o coração de Deus que ama os excluídos alcança também aqueles que são lançados fora pela própria morte. Enquanto estrangeiros e eunucos eram marginalizados em vida, ninguém era mais excluído do que os mortos sepultados. Mas Deus usa a morte no exílio para proteger do mal futuro aqueles que lhe são fiéis. Suas mortes não são Deus os lançando fora para sempre, mas Deus deitando os seus amados em um leito de paz (Isaías 57.1-2). Nem mesmo a morte pode separar Deus dos excluídos que ele ama.
Por fim, Isaías mostra como a própria Israel é uma excluída. Ele mostra como a rebelião deles os desqualificou da presença de Deus (Isaías 56.9-12). Enquanto estrangeiros se voltavam para Deus, deixando seus deuses para trás, Israel rejeitou a Deus e abraçou os ídolos (Isaías 57.8). Não adoraram a Deus em seu templo, mas adoraram deuses estrangeiros em altares estrangeiros (Isaías 57.4-6). Enquanto os eunucos admitiam humildemente que eram como árvores estéreis, incapazes de dar fruto, os israelitas sacrificavam o seu fruto — seus próprios filhos — a deuses falsos (Isaías 57.5). Por esses pecados hediondos, Deus enviou Israel ao exílio. Os excluídos entraram, e os nativos foram lançados fora (Isaías 57.11-12).
Mas nem mesmo a rebelde Israel está fora do alcance do coração de Deus que ama os excluídos. Isaías mostra que Deus busca o seu povo desqualificado até mesmo no exílio. Apesar de sua maldade e rebelião, ele promete curá-los e restaurá-los (Isaías 57.13-14,18-19). Para que Israel volte, precisa vir como excluída. Precisa vir como os estrangeiros, humilhar-se como os eunucos e entregar sua vida nas mãos de Deus como os fiéis (Isaías 57.15-16). Pois Deus, cujo amor alcança até o mais distante sepulcro, poderá trazer para casa até aqueles que se rebelaram contra ele.
Onde está o Evangelho?
Jesus é a expressão suprema do coração de Deus que ama os excluídos. Durante o seu ministério terreno, ele não apenas viveu entre os excluídos — ele os procurou. Curou os enfermos, expulsou demônios e comeu com publicanos e pecadores (Lucas 4.40-41; 5.30-32). Assim como Isaías profetizou que Deus reuniria os excluídos, Jesus acolheu aqueles que pensavam não ter lugar na família de Deus.
Jesus também confrontou aqueles que haviam transformado a casa de Deus em um lugar de exclusão, e não de acolhimento. Quando entrou no templo, expulsou aqueles que mantinham os de fora à distância. E, citando Isaías, revelou a sua missão de restaurar o templo ao seu verdadeiro propósito — ser um lugar onde os estrangeiros fossem recebidos por Deus (Marcos 11.17). E imediatamente os cegos, os mancos e as crianças vieram a ele no templo, tornando-o uma casa cheia da adoração daqueles que antes eram excluídos (Mateus 21.14-16).
Mas o amor de Jesus não parou em acolher o excluído; ele mesmo se tornou o excluído supremo. Traído, falsamente acusado e abandonado por seus amigos, Jesus foi condenado como criminoso, lançado fora da cidade e crucificado em uma árvore estéril (Marcos 14.44-50,64; 15.22-24). Como os fiéis mortos que Isaías descreveu, Jesus foi colocado em um sepulcro, aparentemente esquecido (Marcos 15.47). Mas, mesmo na morte, ele não foi abandonado. Assim como Isaías profetizou que Deus prometeu levantar o excluído da morte, Jesus ressuscitou do sepulcro (Lucas 24.6-7,26). Sua ressurreição derrotou o pecado, a morte e toda barreira que separava a humanidade de Deus.
Jesus oferece vida nova, um novo nome e um lugar permanente na família de Deus a todos os que foram lançados fora. Seu amor alcança o mundo inteiro para levantar os humildes e aproximar os excluídos (Efésios 2.13-14). Não importa quão distantes de Deus nos sintamos, o seu amor está sempre se estendendo até nós. Portanto, venha a Jesus como um excluído. Venha a ele, que recebe você quando você está humilde, abatido e necessitado (Tiago 4.9-10).
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que busca com amor o excluído. E que você veja Jesus como aquele que traz pessoas humildes e excluídas para a família eterna de Deus.

