O que está acontecendo?
Em uma época de prolongada turbulência política e angústia nacional, Israel duvida de que Deus seja justo e de que valha a pena obedecer a ele. Mas, por meio de Malaquias, Deus adverte seus sacerdotes de que em breve julgará todos aqueles que eles afirmam que ele perdoou injustamente. E encoraja seu povo a ver que vale a pena obedecer a Deus.
Deus diz que está cansado das críticas de seus sacerdotes à sua justiça. Eles afirmam que, como o mal continua neste mundo, Deus deve aprová-lo (Malaquias 2.17). E, se Deus aprova o mal, não há sentido em executar a justiça em seu nome. Mas, em resposta, Deus diz que em breve enviará um mensageiro para julgar Israel por todo mal e toda crueldade que os sacerdotes deixaram de condenar (Malaquias 3.4-5). E a própria tribo sacerdotal de Levi será julgada por sua corrupção e injustiça (Malaquias 3.1-3). Se os sacerdotes querem um Deus de justiça, é precisamente isso que receberão.
Mas, seguindo o exemplo de seus líderes, o povo de Israel questiona a fidelidade de Deus às suas próprias leis. Deus prometeu que, se cada cidadão de Israel desse dez por cento de sua renda para manter o funcionamento do seu templo, ele os abençoaria (Êxodo 23.25; Malaquias 3.6-7). Mas, em um tempo de relativa pobreza, o povo de Deus parou de contribuir. Na cabeça deles, se Deus não cumpriu a sua parte do acordo, por que eles deveriam cumprir a sua? (Malaquias 3.8-9). De modo compreensível, eles acreditavam que aqueles dez por cento seriam melhor empregados no suprimento de suas próprias necessidades. Mas, para Deus, isso é roubo. Tudo o que eles têm pertence a Deus. Em vez de roubá-lo, deveriam pô-lo à prova. Ele tornará a vida deles melhor com 90 por cento da renda do que eles conseguiriam com 100 — tão melhor que outras nações não poderão negar a bênção de Deus sobre Israel (Malaquias 3.10-12).
Como ponto culminante, Deus diz que a crítica de seus sacerdotes à sua justiça é traição. Quando lhe perguntam como, Deus responde que é porque eles creem que obedecer a Deus não tem sentido, já que algumas pessoas orgulhosas e más prosperam (Malaquias 3.13-14). Eles argumentam que, se Deus se recusa a julgar o mal, então o mal bem poderia ser chamado de bem (Malaquias 3.15). Em rebeldia, usam a aparente injustiça de Deus aos seus olhos como desculpa para a própria crueldade. Mas Deus diz que essa lógica distorcida é nada menos que traição contra o reino de Deus e seus padrões de justiça.
Mas nem todos em Israel são corruptos. Alguns são fiéis, e Deus promete protegê-los (Malaquias 3.16-18). Em breve ele virá como um sol ardente. Toda corrupção, todo mal e toda injustiça, junto com aqueles que os praticam, se tornarão cinzas (Malaquias 4.1). Mas, para os fiéis, esse sol será como um dia primaveril de cura depois de um inverno longo e rigoroso (Malaquias 4.2-3). Os fiéis devem ficar atentos à vinda de um mensageiro. Como o profeta Elias, ele condenará a corrupção desenfreada de Israel. E, quando esse mensageiro chegar, o sol de Deus não tardará (Malaquias 4.4-5).
Onde está o Evangelho?
O mensageiro da profecia de Malaquias é João Batista. Antes mesmo de João Batista nascer, um anjo disse isso ao seu pai (Lucas 1.17). Como é bem conhecido, João usava túnicas de pelos de camelo, assim como Elias (2 Reis 1.8; Mateus 3.4). E, como Elias, João era conhecido por seus ataques ferozes aos líderes religiosos corruptos de seu tempo (Mateus 3.7-8). João era o mensageiro de Malaquias, e é ele quem prepara o caminho para que o sol ardente de Deus julgue o mal e restaure os fiéis.
Antes, em Malaquias, nos é dito que Deus purificaria o sacerdócio de Levi de sua corrupção e o restauraria ao seu propósito original: conceder vida e paz ao povo de Deus por meio da oferta de sacrifícios (Malaquias 2.4-5). João Batista é da tribo de Levi. E ele representa a restauração prometida do sacerdócio de Deus.
Quando João viu Jesus, anunciou que Jesus era o Cordeiro sacrificial de Deus, que veio tirar os pecados do mundo (João 1.29). Em seguida, João batiza Jesus. Em certo sentido, João sacrifica Jesus. Ser submerso nas águas é símbolo de morte, o que significa que João completa o propósito do sacerdócio dos levitas. Ele ofereceu o sacrifício final para conceder vida e paz a todos os que nele confiam. Isso faz de João o último sacerdote levítico. Ele preparou o caminho para que todo pecado e todo mal fossem julgados no Filho de Deus, e mostrou aos fiéis quem os restauraria (Hebreus 10.11-14). E, como Jesus não ofereceu apenas uma pequena porcentagem, mas a si mesmo por completo, podemos ter certeza de que nunca haverá nada que possa nos afastar de experimentar 100 por cento do amor, da justiça e da proteção de Deus.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que envia mensageiros. E que você veja Jesus como o ardente Filho de Deus, cujo caminho foi preparado por João Batista.

