O que está acontecendo?
O Mestre inicia uma longa série de observações sobre a vida debaixo do sol que comprovam seu ponto principal: a vida é sem sentido e fútil. As observações do Mestre têm o propósito de contrastar com o livro de Provérbios. As observações de Provérbios são em grande parte positivas, mas as do Mestre são em grande parte negativas. Provérbios oferece a esperança de que o justo será abençoado e o ímpio será castigado. Mas Eclesiastes expõe todas as exceções às regras de Provérbios. A explicação mais simples é que Provérbios mostra como o mundo deveria ser, e Eclesiastes expõe o mundo como ele realmente é.
A justiça nem sempre vence (Eclesiastes 3.16). Os opressores são recompensados com mais poder, enquanto os oprimidos ficam na miséria (Eclesiastes 4.1). O trabalho árduo nem sempre compensa (Eclesiastes 5.13). E, mesmo quando Deus concede bênçãos, muitas vezes elas vêm acompanhadas da incapacidade de desfrutá-las (Eclesiastes 6.2).
Essa futilidade, diz o Mestre, é um teste (Eclesiastes 3.18). Quanto mais vivemos e quanto mais lemos, mais evidente se tornará a futilidade da vida. Deus parecerá menos confiável. Veremos cada vez mais exemplos do livro de Provérbios não se cumprindo; cada vez mais evidências de que vivemos em um mundo maldito. O teste foi concebido para nos levar a confiar em Deus e a nos afastar da confiança no mundo (Eclesiastes 5.7).
O Mestre intensifica o teste comparando os seres humanos aos animais (Eclesiastes 3.18). Como os animais, somos movidos pela competição e pelo apetite (Eclesiastes 6.7). Trabalhamos porque invejamos o nosso próximo (Eclesiastes 4.4). Como os animais, nunca estamos satisfeitos (Eclesiastes 5.12). E os animais e os seres humanos compartilham o mesmo destino: do pó viemos, ao pó voltaremos (Eclesiastes 3.20). A futilidade implacável e animalesca do mundo maldito está sempre nos testando.
Vamos nos desesperar por tudo ser sem sentido?
Onde está o Evangelho?
Ninguém sentiu o peso desse teste de forma mais completa do que Jesus.
A justiça não venceu enquanto Jesus viveu. Ele foi falsamente acusado por seus opressores invejosos. Seus amigos o abandonaram. Como animais em competição, os fariseus despiram Jesus e dilaceraram sua pele para proteger o próprio poder. Não satisfeitos com os açoites, gritaram: “Crucifica-o!”
Mas, no jardim do Getsêmani, Jesus tinha uma escolha. Ele podia se desesperar com o estado do mundo maldito e evitar tudo aquilo, ou podia confiar em Deus mais do que na futilidade do mundo (Lucas 22.42). E Jesus passa no teste. Ele escolhe experimentar a futilidade, assumindo a responsabilidade por uma maldição que não causou, e ainda assim ser castigado como se a tivesse causado (2 Coríntios 5.21, Gálatas 3.13).
Três dias depois, Jesus prova que nem sua morte nem nossas vidas são sem sentido ou fúteis. Jesus ressuscita dos mortos e prova que nem a futilidade nem a maldição têm a palavra final. Deus tem.
Em Jesus, a futilidade observada pelo Mestre será revertida. A justiça vencerá. Os opressores serão castigados, e os oprimidos serão erguidos. Nosso trabalho árduo não terminará em futilidade, mas será recompensado eternamente. Nossas vidas serão cheias de sentido quando confiarmos que a ressurreição de Jesus é mais verdadeira do que a futilidade do mundo maldito. Nosso sofrimento e nossa futilidade são transformados de momentos de desespero em momentos nos quais o poder e a esperança de Deus serão manifestados (2 Coríntios 12.9).
Veja você mesmo
Que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que nos testa. E que você veja Jesus como aquele que passa no teste e dá sentido, vida e esperança a todos os que confiam nele.

