O que está acontecendo?
O apóstolo Paulo acabou de estabelecer que a circuncisão nunca foi o meio pelo qual o povo de Deus se torna parte da família de Deus (Gálatas 3.19, 24). A família de Deus foi criada pela fé em um filho de Abrãao que estava por vir e que um dia unificaria e abençoaria o mundo. A circuncisão não era um teste de cidadania, mas uma profecia cortada no corpo de cada homem judeu: o filho de Abrãao, Jesus, tornaria todas as pessoas parte da família de Deus.
Mas um grupo de mestres insiste que a circuncisão e outras marcas da identidade judaica encontradas nas leis da bíblia hebraica ainda são necessárias para se fazer parte da família de Deus. O apóstolo Paulo, porém, diz que exigir marcas da identidade judaica é um tipo de escravidão (Gálatas 5.1). Exigir uma única prescrição legal hebraica na verdade obriga a humanidade a obedecer a todas as 613 leis registradas na bíblia (Gálatas 5.2-4). Nenhum judeu jamais conseguiu fazer isso; é escravidão a um padrão impossível, sem falar na completa rejeição da esperança de Abrãao de que seu filho Jesus uniria o mundo na família de Deus.
Não é por meio de marcas da identidade judaica, mas pela fé que alguém é feito parte da família de Deus (Gálatas 5.5-6). Ao exigirem a circuncisão, esses mestres se separam de Jesus assim como separaram o prepúcio de seus corpos. Por isso Paulo diz que, como símbolo de sua separação de Deus, eles bem poderiam ir até o fim e cortar tudo fora (Gálatas 5.12).
Mas o fato de a lei não ter tornado os gálatas parte da família de Deus não significa que eles não a seguirão. Na verdade, por causa do Espírito Santo, a família de Deus está finalmente livre para amar a Deus e amar uns aos outros como a lei hebraica pretendia (Gálatas 5.13-14). Antes, os gálatas eram escravos de seus desejos pecaminosos, egoístas e autodestrutivos, incapazes de amar verdadeiramente a Deus ou aos que estavam ao seu redor (Gálatas 5.19-21). Mas agora o Espírito Santo os encheu com a liberdade de negar esses desejos em favor dos outros (Gálatas 5.16-17). Enquanto a lei hebraica restringia o comportamento das pessoas, em Jesus não há leis que restrinjam o poder do Espírito Santo. O povo de Deus pode oferecer amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio a Deus e uns aos outros sem medida (Gálatas 5.22-25).
E o fato de o povo de Deus estar livre da lei não significa que não prestarão contas por suas ações. Paulo chama a liberdade de amar os outros de “lei de Jesus” (Gálatas 6.2). Essa lei exige uma vida de amor sacrificial que não se separa dos pecados e dos fardos dos outros, mas ajuda a carregá-los (Gálatas 6.3-5). Recusar-se a amar os outros dessa maneira é abusar do amor que Deus mostrou ao seu povo na cruz — e atrai juízo (Gálatas 6.7-8). Em Jesus prestamos contas a um novo padrão, no qual não somos livres para fazer o que quisermos, mas somos libertados para amar sem limites (Gálatas 6.9-10).
Onde está o Evangelho?
Para o apóstolo Paulo, não podemos ser ao mesmo tempo escravos de um conjunto de leis e livres para amar a Deus e aos outros. Paulo insiste que fomos libertados da necessidade das leis judaicas porque Jesus nos fez parte da família de Deus por sua vida e sua morte. Mas os opositores de Paulo temiam, como alguns temem hoje, que, sem se apegarem à necessidade de certas leis, não teriam como conter os desejos das pessoas ou chamar os outros à responsabilidade.
Mas na cruz Jesus crucificou e matou essa antiga compreensão tanto da lei como do mundo (Gálatas 6.14). Jesus nos fez um tipo totalmente novo de família ao nos encher do seu Espírito. Essa mudança é tão radical que Paulo diz que somos “novas criações” — total e definitivamente livres para amar a Deus e amar os outros sem precisar de uma tábua de leis esculpida em pedra (Gálatas 6.15). A lei de Deus vive em nós porque Jesus vive em todos os que confiam em sua vida, morte e ressurreição. Conquistas religiosas, pureza de comportamento ou marcas de identidade étnica ou cultural nada fazem para incluir ou excluir alguém da família de Deus. O que conta é que Jesus, por si mesmo, nos fez novos membros de sua família.
Não importa o que tenham dito a você, não existe padrão que precisemos alcançar para que Deus nos aceite. Isso significa que podemos nos orgulhar, não nas leis religiosas que cumprimos, mas em Jesus. Ele nos fez membros da família de Deus. Seu Espírito nos liberta para amar a Deus e aos outros sem limites. E sua morte e ressurreição significam que viveremos para sempre no amor de Deus sem limites.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que nos fez sua família. E que você veja Jesus como aquele que nos liberta da escravidão à lei e nos convida a viver pelo Espírito.


