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Devocional

Jeremias 34-35

Fidelidade inconstante

Em Jeremias 34-35, vemos que, ao contrário de Zedequias, que abandonou sua aliança com Deus quando ela não parecia mais necessária, Jesus foi fiel mesmo quando o preço da nova aliança de Deus lhe custaria muito.

O que está acontecendo?

Jeremias compara, lado a lado, dois acontecimentos separados por dez anos. O primeiro é a libertação temporária dos escravos em Judá promovida pelo infiel rei Zedequias. O segundo é uma degustação de vinho que Jeremias oferece a um grupo de nômades chamados recabitas. Juntos, eles ensinam a Judá o que significa ser fiel aos acordos (chamados alianças) que fazem com Deus e quais são as consequências de não cumpri-los.

Enquanto Jerusalém e seus postos militares vizinhos estão sob cerco da Babilônia, Jeremias declara que o rei será derrotado em batalha, capturado, e verá sua nação cair (Jeremias 34.1-7). Talvez buscando evitar esse desfecho, Zedequias faz uma aliança com Deus. Zedequias anuncia que todos os escravos devem ser libertados, exatamente como Deus descreveu em suas antigas leis. Em seguida, corta um bezerro ao meio e jura solenemente que, se alguém quebrar essa aliança, será partido em dois, como o novilho. Os proprietários de escravos de Judá imediatamente aceitam os termos dessa aliança e libertam seus escravos (Jeremias 34.8-10). Pouco depois disso, a Babilônia interrompe o cerco contra Jerusalém. Mas, com a crise aparentemente encerrada, os proprietários de escravos de Judá esquecem sua aliança e forçam seus escravos a voltar (Jeremias 34.11). Deus fica furioso. Eles não estão apenas quebrando os termos da aliança que acabaram de fazer, mas também esqueceram a razão pela qual Judá tinha essas leis desde o princípio. Eles já foram escravos no Egito, e Deus os resgatou (Jeremias 34.12-16). Deus diz que Judá receberá o que merece por seu esquecimento e por sua fidelidade inconstante. Eles proclamaram uma falsa liberdade ao seu povo, então Deus diz que Judá está livre — livre para morrer como quiser (Jeremias 34.17). E, como fizeram sua aliança com Deus sobre o corpo partido de um bezerro, Deus diz que é precisamente isso que sua nação se tornará. A Babilônia voltará e despedaçará sua cidade (Jeremias 34.18-22).

A infidelidade de Zedequias e de Judá à aliança com Deus é então imediatamente contrastada com a fidelidade de uma tribo nômade pouco conhecida, chamada recabitas, que foram forçados a entrar em Jerusalém pela guerra com a Babilônia (Jeremias 35.11). Deus manda Jeremias convidar os líderes dessa tribo para entrar no templo e servir vinho a eles (Jeremias 35.1-5). Mas, assim que se sentam, eles recusam a hospitalidade de Jeremias. Eles explicam que seu antepassado os colocou sob uma aliança. Eles continuariam a viver em Judá desde que nunca bebessem vinho, nunca construíssem casas e nunca possuíssem terras (Jeremias 35.6-10). Deus destaca que o fundador dos recabitas falou uma única vez e, gerações depois, seus descendentes ainda seguem seus mandamentos. Ao mesmo tempo, ele tem dito repetidamente a Judá que se lembre da sua aliança, sem nenhum efeito (Jeremias 35.12-16). Deus diz que Judá será exilada por não ouvir a aliança de Deus, mas os recabitas terão permissão para viver em Judá pelo tempo que quiserem (Jeremias 35.17-19).

Onde está o Evangelho?

Os recabitas são um bom exemplo a ser seguido — devemos ser fiéis aos nossos acordos, especialmente com Deus. Mas Judá é um retrato mais realista da nossa condição moral e espiritual. Em uma crise, somos rápidos em fazer acordos com Deus e em prometer fazer melhor, nos esforçar mais e nos recomprometer com suas leis. Mas, quando a crise termina, rapidamente esquecemos o que prometemos, ou então decidimos que as leis de Deus são difíceis demais para obedecer com constância e simplesmente desistimos. O problema de Judá é o nosso problema também — somos mais inconstantes do que fiéis.

É por isso que Deus nos enviou um Rei melhor do que o infiel Zedequias. Deus nos enviou seu filho para fazer uma nova aliança entre ele e seu povo. Ao contrário de Zedequias, que abandonou sua aliança com Deus quando ela não parecia mais necessária, Jesus foi fiel mesmo quando o preço da nova aliança de Deus lhe custaria muito. Assim como Jeremias profetizou sobre Judá, impérios malignos e poderes espirituais despedaçaram Jesus, destruíram seu corpo e o exilaram em um túmulo. Mas foi por meio do seu corpo partido e do seu sangue derramado que Jesus fez uma nova aliança (Lucas 22.20). Jesus foi como os recabitas. Ele fez precisamente o que seu pai ordenou (João 5.19). Jesus foi fiel onde Zedequias não foi, garantindo para nós um lugar no reino de Deus para sempre.

Jesus é um bom rei e tem sido fiel em prover tudo o que é necessário para nos incluir em seu reino. Por isso, devemos confiar nele. Como os recabitas, que aceitaram os termos da aliança do seu antepassado, devemos aceitar a aliança que Jesus garantiu por sua morte e jurar lealdade a ele e ao seu reino acima de todos os outros. E, quando fizermos isso, Jesus promete que seremos livres, libertados para viver sem medo da morte ou de sermos despedaçados. Somos livres para viver com Deus para sempre por causa da aliança que seu filho — e nosso Rei — fez e cumpriu.

Veja por si mesmo

Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que é sempre fiel às suas alianças. E que você veja Jesus como aquele que é o nosso fiel Rei que faz a aliança.

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