O que está acontecendo?
O livro de Joel é um poema profético. Embora seja difícil saber com precisão quando Joel escreveu seu livro, sabemos que ele foi escrito em resposta a uma devastadora praga de gafanhotos (Joel 1.2). Com metáforas cada vez mais vívidas, boa parte de Joel se dedica a descrever esse desastre natural e suas consequências.
Os gafanhotos são como leões que despedaçam as videiras (Joel 1.6-7) e como carros de guerra puxados por cavalos que saltam de monte em monte (Joel 2.4-5). A devastação é tão completa que os sacrifícios do templo são obrigados a parar, porque não sobrou cereal para ser oferecido (Joel 1.9-10). Os bêbados não conseguem nem encontrar um jeito de fermentar sua própria bebida para saciar seu vício (Joel 1.5). Depois dos gafanhotos, a seca e o fogo ressecam e queimam a terra (Joel 1.18-19).
Mas Joel não está apenas descrevendo um desastre natural; ele está usando a praga de gafanhotos para apontar para um acontecimento ainda mais terrível — “o Dia do Senhor” (Joel 1.15; 2.1). Muitas vezes, nos Profetas, “o Dia do Senhor” é quando Deus resgata Israel de seus inimigos, normalmente em algum tipo de batalha decisiva (Sofonias 1.14). Mas Joel subverte essa expectativa de resgate e adverte Israel de que os gafanhotos são apenas a primeira onda do ataque de Deus contra Israel (Joel 2.11). Deus fará um exército inimigo enxamear sobre Israel, e esse exército encobrirá o sol, a lua e as estrelas, assim como os insetos escurecem o céu (Joel 2.10). O Dia do Senhor será o dia da destruição nacional de Israel.
Por isso, duas vezes Joel chama Israel ao arrependimento e ao lamento (Joel 1.13-14; Joel 2.17). O lamento é uma oração que descreve a própria dor e implora misericórdia. E o arrependimento é um retorno de todo o coração a Deus e às suas leis. Joel diz a Israel que eles precisam rasgar o coração, e não apenas as vestes (Joel 2.13a). É a maneira de Joel dizer que Deus não responderá a rituais feitos pela metade nem a hipócritas, mas responderá com compaixão e graça ao arrependimento autêntico (Joel 2.13b).
E Israel, assombrado pelos gafanhotos, ouve Joel. Todos se reúnem no templo e, em arrependimento genuíno, pedem a Deus que os poupe do Dia do Senhor que está por vir, para que o mundo conheça o amor, a graça e o poder de seu Deus (Joel 2.16-17).
Onde está o Evangelho?
Os desastres naturais devem nos levar a nos arrepender da hipocrisia. E as pragas de gafanhotos (e até as pandemias) devem nos levar a lamentar, não apenas pelas vidas perdidas, mas pelo orgulho, pela hipocrisia e pela religiosidade falsa que elas expõem. O livro de Joel nos convida a parar diante de acontecimentos como tsunamis, incêndios florestais e tornados e a perceber que eles são retratos de como Deus, por fim, julgará nossa hipocrisia religiosa. Jesus mesmo disse que terremotos, fomes e guerras são apenas as dores de parto de um dia de juízo ainda por vir (Mateus 24.7-8). O livro de Joel é um chamado para despertar. Em momentos de desastre natural, os hipócritas devem lamentar a devastação que veem. Devem se arrepender, porque têm um retrato claro de como seu suposto desempenho religioso será julgado por Deus.
A boa notícia é que, quando os hipócritas se arrependem e lamentam, sempre há perdão e misericórdia em Jesus. Em Jesus, não temos nada a temer do Dia do Senhor que está por vir, porque o dia em que Jesus morreu foi o Dia do Senhor que Joel nos manda temer. Todo desastre natural aponta para o dia em que Jesus morreu. Sob a hipocrisia dos fariseus, e exatamente como Joel predisse, os céus escureceram e a terra tremeu quando Jesus deu seu último suspiro (Lucas 23.44; Mateus 27.51). Na cruz, Jesus experimentou as pragas da hipocrisia humana para nos purificar dela. Até os piores e os mais mornos podem saber que não há juízo vindouro para aqueles que lamentam e se arrependem diante de Jesus. E agora, por causa de Jesus, os desastres naturais não precisam mais nos lembrar da morte que enfrentaremos, mas da morte da qual escapamos por meio de Jesus. A misericórdia eterna agora é nossa para sempre.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Dia do Senhor que está por vir. E que você veja Jesus como aquele que morreu no Dia do Senhor para purificar todo hipócrita arrependido.

