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Devocional

Salmo 107

O amor de Deus que não morre por meio da morte

No Salmo 107, vemos que Jesus entra em cada forma de morte e exílio que enfrentamos, e seu amor que não morre nos resgata de todas elas para nos trazer à sua vida florescente.

O que está acontecendo?

O Livro 4 dos Salmos termina com o povo de Israel espalhado no exílio, clamando a Deus para que o trouxesse de volta para casa. A última coleção dos Salmos, o Livro 5, celebra e relembra o amor e a fidelidade de Deus em tirar seu povo do exílio e trazê-lo de volta à sua terra prometida. Deus deu a Israel sua terra natal como um lugar para viver com ele e espalhar vida por um mundo de morte. Mas, em vez disso, seu povo espalhou morte. Então, depois de gerações de advertências pacientes, Deus o exilou para as terras distantes da morte, a fim de lhe mostrar sua necessidade de vida. O Salmo 107 relembra o amor de Deus e o resgate daqueles que clamam a ele por vida no meio da morte (Salmo 107.1-3).  

O salmo usa quatro imagens poéticas para louvar Deus por resgatar seu povo do exílio. Esse exílio é retratado de quatro maneiras, cada uma delas evocando uma imagem familiar de morte. A primeira é um deserto de morte, como aquele para o qual Adão e Eva foram exilados, longe do Jardim da vida (Salmo 107.4-9). A segunda é uma prisão, uma forma comum de falar da sepultura (Salmo 107.10-16). A terceira é a doença, resultado do mundo de morte infectando a terra de vida de Israel (Salmo 107.17-22). A quarta e última é o mar, uma imagem bem conhecida de morte e caos, que ameaça engolir a terra (Salmo 107.23-32). Ao mostrar quão abrangente era a morte do exílio, Israel pode celebrar quão completamente Deus o resgatou. 

Cada imagem poética segue a mesma estrutura de quatro partes. Primeiro, explica por que Israel caiu no exílio. Seja o sofrimento resultado de sua rebelião, sejam eles vítimas das circunstâncias, todo o Israel foi levado a um ponto de desespero. Segundo, em seu desespero, eles clamam a Deus, e ele imediatamente os resgata. A resposta sem demora de Deus comprova seu amor que não morre. Terceiro, Deus provê vida a partir de cada forma de morte. Ele traz os errantes para casa, liberta os prisioneiros, cura os doentes e acalma o mar. Quarto e último, o povo de Deus celebra o seu amor que não morre por eles e o seu poderoso resgate da morte (Salmo 107.31-32). A estrutura repetida conta a mesma história vez após vez. Em seu amor, Deus nos entrega à morte que escolhemos para que clamemos por seu amor. 

O cântico de celebração termina convidando o ouvinte a considerar como o amor de Deus que não morre opera através da morte (Salmo 107.42-43). Deus transformou a terra fértil e bem irrigada de vida em Israel numa terra desolada de morte (Salmo 107.33-34,39). Ele fez isso para mostrar ao seu povo, que devia espalhar vida, que, em vez disso, estava espalhando morte. E, como as quatro imagens revelam, a morte do exílio fez com que seu povo clamasse a ele por vida. Então Deus o tirou de sua terra desolada de morte e o trouxe de volta à sua terra fértil e abundante de vida (Salmo 107.35-38). Este é um convite para considerar como o amor de Deus não morre. Mesmo quando seu povo é entregue à morte, Deus está agindo para trazê-lo de volta à vida. 

Onde está o Evangelho?

Depois que Israel voltou à sua terra de vida, as terras da morte o invadiram e dominaram. As imagens poéticas de morte do Salmo 107 se manifestaram no império de Roma, nos poderes espirituais de Satanás, na realidade sempre presente da morte e no mal interno do próprio Israel. Mas, como no exílio, o amor de Deus operou através de toda essa morte para trazê-lo de volta à vida. 

Em sua morte, o povo de Deus clamou a ele por resgate, e Jesus respondeu (Lucas 2.25-38). Jesus veio para pôr fim ao exílio de seu povo em todas as suas diversas formas. Ele vagou pelo deserto para encontrar os perdidos e conduzi-los à sua terra de vida (João 4.4-42). Ele resgatou pessoas da prisão da sepultura, ressuscitando-as para a vida (João 11.38-44). Jesus curou pessoas oprimidas por demônios e por doenças (Lucas 4.40-41). Mesmo quando seus discípulos foram pegos por uma tormenta, ele falou à tempestade e a acalmou, levando seus seguidores assustados em segurança até a praia (Marcos 4.37-5.1). O amor de Jesus que não morre trouxe florescimento a cada forma de morte em nossa terra desolada. 

Mas Jesus não apenas nos diz para confiar no amor de Deus que não morre através do exílio; Jesus mesmo confiou no amor de Deus que não morre em sua própria morte. Como Israel no exílio, Jesus foi entregue à morte. A violência de Roma, as tramas de Satanás, a boca da sepultura e o mal de seu próprio povo exilaram Jesus da terra de vida (Lucas 22.1-6). Assim como Deus entrou no exílio de Israel para resgatá-lo, Jesus entrou em nosso exílio de morte para nos resgatar. Não há deserto, prisão, doença ou mar caótico em que você tenha entrado no qual Jesus mesmo não tenha entrado. Da cruz, Jesus clamou a Deus para que o resgatasse (Lucas 23.46). E, em sua ressurreição, Deus provou que nenhuma forma de morte poderia matar o seu amor que não morre por seu Filho. 

Agora o amor de Jesus que não morre está resgatando pessoas das terras desoladas de morte e as trazendo para a sua vida florescente. Por meio de seu povo resgatado, Jesus está transformando o deserto em jardim, prisões de morte em sepulturas vazias, doença em vida vibrante e águas caóticas em mares calmos (Atos 9.32-41). Um dia, Jesus refará todas as terras desoladas de morte, tornando-as sua terra natal final de vida (Apocalipse 21.4-5). Portanto, não importa em que deserto, prisão, doença ou mar você se encontre hoje, saiba que, quando clamar a Jesus por resgate, o seu amor que não morre virá sem demora. 

Veja por si mesmo

Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que resgata seu povo de toda forma de morte. E que você veja Jesus como aquele que entra em nosso exílio para nos levar à sua terra natal.

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