O que está acontecendo?
Os Salmos 113 a 117 são conhecidos como Salmos de Hallel, por causa da frequência com que dizem: “Aleluia!” Tradicionalmente, esses salmos eram cantados por Israel a cada ano, durante a festa da Páscoa. A Páscoa deu início ao Êxodo, quando Deus tirou Israel da escravidão no Egito, conduzindo-o através de um mar até um monte, onde se tornou seu povo (Salmo 114.1). O Salmo 114 relata como a criação respondeu à vinda de Deus para resgatar seu povo. O mar fugiu quando viu Deus libertá-los dos inimigos, e o monte tremeu quando ele desceu para fazer de seu povo uma nova criação.
Curiosamente, o Salmo 114 é o único salmo da coleção Hallel sem a palavra “Aleluia”. Isso porque o Salmo 114 relata o Êxodo da perspectiva da criação. Neste salmo dirigido à criação, vemos uma palavra semelhante traduzida como “estremecer”, “tremer” ou “dançar” (Salmo 114.7a). Os mares, os rios, os montes e as colinas da terra, todos respondem à vinda de Deus, seu Criador, ao seu povo para fazer dele uma nova criação. O mar recuou como um exército assustado, permitindo que Israel passasse (Salmo 114.3a). Da mesma forma, o rio Jordão, que guardava o caminho para a Terra prometida, se afastou, abrindo passagem para Deus e seu povo (Salmo 114.3b). Como forças de descriação, tanto o mar como o Jordão tremem e fogem quando Deus vem fazer de seu povo uma nova criação.
Os montes respondem de maneira diferente das águas. Eles saltam de alegria como animais felizes ao ver Deus vindo a eles (Salmo 114.4). Os montes eram as casas dos deuses, o lugar onde os deuses vinham visitar a terra. Por isso, esses montes se regozijam quando Deus, o Criador, vem fazer sua habitação neles. Diferentemente das forças aquáticas de descriação, os montes da criação celebram que Deus está habitando o mundo ao viver com seu povo.
A terra toda responde ao Êxodo com tremor. Quando Deus visita a terra para salvar seu povo, a criação ou treme de medo, como as águas que recuam, ou treme de alegria, como os montes que estremecem. Isso porque Deus viver com seu povo significa que a própria criação está se tornando a habitação de Deus. E onde Deus faz sua habitação, a nova criação jorra. O deserto seco foi irrigado por correntes de água quando Deus fez brotar água viva de rochas mortas para revigorar seu povo (Salmo 114.8). E quando Deus revigora seu povo, as partes secas e mortas da criação também recebem nova vida.
Onde está o Evangelho?
Toda a criação anseia ardentemente por seu próprio Êxodo e que Deus venha ao seu povo e habite sua criação. O apóstolo Paulo diz que a terra toda geme porque está escravizada à descriação, isto é, à morte, e anseia que Deus venha e traga vida (Romanos 8.18-22). Quando isso acontecer, as forças de descriação fugirão, e as partes mortas da criação serão feitas novas. É por isso que Deus, o Criador, veio na pessoa de Jesus para viver com seu povo e libertar sua criação.
Quando Jesus veio à terra para salvar seu povo, toda a criação respondeu. Em seu nascimento, os céus saltaram de alegria (Lucas 2.13-14). Em sua presença, mares caóticos se tornaram um lago tranquilo (Mateus 8.24-26). Diante de sua palavra, legiões de demônios recuaram para as águas da descriação (Marcos 5.12-13). Quando Jesus visitou seu povo em Jerusalém na Páscoa, ele disse que as pedras poderiam clamar em resposta à sua vinda para salvar seu povo (Lucas 19.40). E na cruz, o monte em que Jesus foi crucificado tremeu enquanto as ondas da morte engoliam sua vida (Mateus 27.50-51). Mas no terceiro dia, um terremoto sacudiu o solo mais uma vez. Jesus ressuscitou do sepulcro, trazendo vida do lugar definitivo da morte (Mateus 28.2-6).
No evento do Êxodo para o mundo inteiro, Jesus ressuscitou da corrupção da descriação. Ele venceu a morte, libertando toda a humanidade e toda a criação da escravidão à morte e à descriação, assim como Israel foi libertado do Egito. Agora, Jesus vive em sua criação fazendo sua habitação em nós por meio de seu Espírito (João 7.38). Por meio das rochas secas dos seres humanos, Deus está fazendo brotar correntes de água viva para dar vida ao resto do mundo. Toda a criação agora treme e dança na expectativa da vinda final de Jesus para visitar seu povo e sua criação e lhes trazer vida. Quando ele vier, os mares da descriação fugirão de uma vez por todas, e não haverá mais morte (Apocalipse 21.3-5). Jesus virá a um monte final para viver com seu povo para sempre, e de lá as correntes de vida eterna fluirão por meio de seu povo, irrigando a terra toda com nova vida (Apocalipse 22.1-3).
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que vem ao seu povo para curar sua criação. E que você veja Jesus como aquele que liberta toda a criação ao habitar em seu povo para fazer novas todas as coisas.

