O que está acontecendo?
Davi suplica ao Senhor para ouvir seu clamor por misericórdia (Salmos 28:2). Se Deus não responder, ele tem medo de morrer (Salmos 28:1b).
Davi está preocupado que, embora seja inocente, ele seja arrastado com os ímpios (Salmos 28:3). Esse medo se refletiria na história de Israel. Nem todos em Israel eram maus quando a Babilônia e a Assíria assumiram a terra deles e exilaram o povo de Deus (Isaías 10:20). Mas os poucos justos ainda experimentavam as consequências dos muitos pecadores. Davi pede a Deus que não deixe isso acontecer com ele.
Ele quer que Deus pague aos malfeitores o salário justo que seu trabalho perverso merece (Salmos 28:4). Para Davi o julgamento de Deus é o salário correto por se trabalhar uma vida de mal (Salmos 28:5). Neste salmo, Davi define "malignas" como pessoas que são boas por fora, mas cheias de ódio por dentro (Salmos 28:3b). Os inimigos de Davi usaram a polidez para esconder seus planos de derrubá-lo. Essa é a obra maligna que ele quer ser recompensada e demolida (Salmos 28:5).
Ao longo dos Salmos somos informados de que nossos corações, bocas e mãos devem estar alinhados (Salmo 19:13a, 14). Esse é o trabalho árduo que Deus recompensa.
Davi então irrompe em louvor confiante (Salmos 28:6). Ele confia que Deus ouviu seu clamor por misericórdia e agora o protege como um escudo, não apenas de seus inimigos, mas também do julgamento de Deus sobre seus inimigos (Salmos 28:7). Davi sabe que não será arrastado com eles.
O versículo final transforma uma oração pessoal por misericórdia em uma oração pública (Salmos 28:9). Davi pede a Deus que salve não apenas ele como rei ungido, mas todos os cidadãos de seu reino (Salmos 28:9).
Onde está o Evangelho?
A ideia de que nossos corações, bocas e mãos devem estar alinhados não é apenas a oração de Davi, mas um dos principais ensinamentos de Jesus. No sermão, pregação do Monte, Jesus enfatiza repetidamente que a obediência do coração é tão importante quanto a obediência de nossas ações (Mateus 5:27-28). Para Jesus, o coração e a boca estão intimamente ligados (Lucas 6:45).
Assim como os inimigos de Davi, os inimigos de Jesus eram pessoas que desalinhavam seus corações com suas palavras e ações (Mateus 23:27-28). Jesus diz que eles não são nada mais do que belos túmulos. Pior ainda, esses inimigos não estavam simplesmente fingindo ser simpáticos, eles estavam fingindo amar a Deus. Eles usaram palavras religiosas para esconder seu egoísmo (Marcos 7:13). Quando Jesus expõe o desalinhamento deles, eles conspiram para matá-lo — assim como os inimigos de Davi (Mateus 12:14).
Mas, ao contrário da expectativa de Davi de que Deus pagaria aos hipócritas seu salário de morte e redimiria os fiéis, Jesus morre em vez disso. Jesus não é resgatado das tramas deles. E embora o coração e as ações de Jesus estejam sempre perfeitamente alinhados, Jesus recebe o salário pelo qual seus inimigos trabalharam. Ele morre pelos pecados deles (1 Coríntios 15:3).
Essa é uma boa notícia para todos que reconhecem o quão desalinhados seus corações e ações podem estar. Embora o pagamento correto pela hipocrisia seja a morte, Jesus não nos paga o que nos é devido. Embora o salário do pecado seja a morte, o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 6:23).
Jesus também nos liberta do desalinhamento constante de nossas bocas e ações com nossos corações (Romanos 6:17). Por causa do seu Espírito, somos livres para dizer o que dizemos e dizer o que queremos dizer (Mateus 5:37)
Mas essa também é uma boa notícia para quem é vítima das palavras bonitas de outras pessoas, mas do coração maligno. Se Deus foi uma fortaleza de salvação para o Rei Jesus por meio da morte e ressurreição dele, ele certamente pode protegê-lo (Salmos 28:8). Jesus salvará, abençoará e levará você assim como Deus o levou (Salmos 28:9).
Veja por si mesmo
Que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que é misericordioso com as vítimas da hipocrisia. E que você veja Jesus como aquele que recebe o pagamento que nossos corações desalinhados merecem, para que possamos receber o presente dele da vida eterna.

