O que está acontecendo?
Os Salmos 113 a 117 são conhecidos como Salmos do Hallel, por causa da frequência com que dizem: “Aleluia!”. Tradicionalmente, esses salmos eram cantados por Israel durante a festa da Páscoa, todos os anos. A Páscoa celebrava o grande resgate que Deus realizou da escravidão e da opressão egípcias. Ele quebrou as algemas do opressor de Israel e trouxe o seu povo para a Terra prometida, onde poderiam estar com Deus e celebrar o seu livramento. E o Salmo 116 repete essa história enquanto o salmista relata como Deus resgatou o seu povo do exílio.
O Salmo 116 celebra o amor ressuscitador de Deus (Salmo 116.1-2). Como Israel no Egito, o salmista se lembra de como estava escravizado à morte no exílio (Salmo 116.3). A sepultura das nações havia aprisionado a vida do seu povo e os arrastava para baixo. O retorno deles à Terra prometida exigiria não apenas resgate, mas ressurreição. O salmista confessa fielmente que nenhum ser humano na terra poderia salvá-lo de sua severa opressão (Salmo 116.10-11). Assim como Israel orou pedindo que Deus o resgatasse da escravidão no Egito, o salmista suplicou a ele pelo livramento do exílio (Salmo 116.4). O salmista então repete quem Deus disse que é depois de resgatar o seu povo do Egito (Êxodo 34.6). Deus é misericordioso e compassivo (Salmo 116.5). Mesmo quando Israel ou o salmista experimentaram a morte por causa de sua própria insensatez, Deus, em seu amor, ainda os livra (Salmo 116.6). Como fez com Israel no Egito, Deus quebra as correntes do exílio que prendiam o salmista e o ressuscita da sepultura das nações (Salmo 116.7-8).
O salmista não foi libertado apenas do exílio, mas libertado para servir a Deus. Assim como Israel saiu do Egito, o salmista volta do exílio para adorar a Deus e servi-lo em seu templo (Êxodo 3.18, 7.16, 8.1; Salmo 116.9, 13, 17-19). A missão do povo de Deus sempre foi cultivar e cuidar do lugar da presença de Deus, para que a sua vida de ressurreição enchesse este mundo de morte. Assim, o salmista vai ao templo de Deus e faz muitas das mesmas ofertas que Israel apresentou depois de ser libertado do Egito (Êxodo 24.5, 29.40; Levítico 7.11-16). O alimento de todos os sacrifícios do salmista — as ofertas de voto, de bebida e de gratidão — era compartilhado pelo adorador no templo, pelo sacerdote no templo e pelo Deus do templo (Salmo 116.13-14, 17-18). Como na refeição da Páscoa, essas festas comunitárias comunicam o propósito do resgate de Deus: compartilhar a vida com Deus. É por isso que Deus salva os exilados: porque ele quer compartilhar a sua vida com os seus servos em seu templo e, por meio de seus servos, compartilhar a sua vida com o mundo.
Onde está o Evangelho?
Como Israel no Egito e no exílio, estamos escravizados à morte (Romanos 6.21; Efésios 2.1). Estamos presos sob o senhor de escravos estrangeiro que é o pecado, e morreremos na sepultura do exílio se não formos resgatados. Precisamos de resgate porque não podemos nos salvar. Paulo cita este salmo em sua carta aos Romanos para provar que nenhum ser humano pode se resgatar da escravidão ao pecado ou do exílio à morte (Romanos 3.4). Somente Deus, agindo em sua misericórdia e amor, pode nos resgatar das correntes da sepultura.
Em Jesus, Deus entrou em nosso mundo de carne escravizado ao pecado (Romanos 8.3). Jesus entrou nas correntes aprisionadoras de nossa sepultura (Romanos 6.5-10). Mas, assim como Deus levantou Israel do Egito e o salmista do exílio, Deus levantou Jesus dos mortos.
Agora podemos orar a Deus pedindo resgate, como Israel e o salmista. Embora a nossa própria insensatez e o nosso pecado tenham cavado para nós uma cova de morte, Jesus é misericordioso e amoroso para levantar dela todos os que clamam a ele (Romanos 10.13). Porque Jesus entrou em nosso pecado e em nossa morte, podemos entrar em sua perfeição e em sua vida. Ele se abaixou até a nossa escravidão e o nosso exílio para nos libertar deles em sua ressurreição e ascensão.
Não fomos salvos apenas da morte, mas fomos salvos para a vida. Como Israel e o salmista, a nossa missão é cultivar e cuidar do lugar da presença de Deus, para que a sua vida de ressurreição encha este mundo de morte. Fomos libertados de nossa escravidão à morte a fim de nos tornarmos escravos da vida (Romanos 6.11-14). Como povo libertado de Deus, agora oferecemos a ele os nossos sacrifícios, que são a nossa própria vida (Romanos 12.1). Assim como as ofertas e as refeições do salmista traziam a ele mesmo e a outros à comunhão com Deus, Deus compartilha a sua vida conosco para que possamos compartilhar a sua vida com o mundo. E, ainda que, como Jesus, venhamos a sofrer ao oferecer a nossa vida como sacrifício a Deus, sabemos que, também como aconteceu com Jesus, ele nos levantará de todo sofrimento e morte (2 Coríntios 4.13-15).
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que resgata o seu povo da escravidão e da morte. E que você veja Jesus como aquele que entrou em nossa escravidão para intervir em nossa morte.

