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Devocional

2 Reis 3

Deus arma uma armadilha para um rei mau

Em 2 Reis 3, vemos que Deus subverte nossas expectativas, prende o mal em uma armadilha e surpreende aqueles que lhe são fiéis.

O que está acontecendo?

O infame e perverso Acabe morreu, e seu filho Jorão assumiu o trono. Embora seja uma pequena melhora em relação ao pai, Jorão continua em conflito com Deus e com seus profetas (2 Reis 3.2).

Seu pai havia anexado a nação vizinha de Moabe e exigido impostos altíssimos (2 Reis 3.4). Mas, com a morte de Acabe, o rei de Moabe se rebela (2 Reis 3.5). Então Jorão forma uma coalizão com Edom e Israel para marchar contra Moabe e sufocar a revolta (2 Reis 3.9a). No entanto, após sete dias de marcha, não há água para as tropas nem para os animais (2 Reis 3.9b). Um dos membros da coalizão acredita que Deus está armando uma armadilha para eles — e, de fato, ele fará isso muito em breve (2 Reis 3.10). Mas, por enquanto, diante da insistência da coalizão, Jorão procura um profeta em busca de orientação (1 Reis 22.7; 2 Reis 3.11).

Providencialmente, Eliseu está por perto. Mas, ainda que preocupado com a coalizão, ele também ajuda a armar a armadilha de Deus. Eliseu profetiza que Deus proverá água milagrosamente no deserto e entregará Moabe em suas mãos (2 Reis 3.17-18). Porém Eliseu também prevê que a coalizão derrubará as árvores de Moabe, tapará seus rios e contaminará suas terras de cultivo (2 Reis 3.19). Essa é uma previsão de desobediência. A lei de Deus proíbe especificamente esse tipo de guerra de terra arrasada e impõe consequências severas (Deuteronômio 20.19). Mas esses reis se esqueceram disso e não pensam em interpretar essa profecia mais a fundo. As armadilhas de Deus estão armadas.

Na manhã seguinte, o deserto se enche de água (2 Reis 3.20). Mas a areia vermelha e o sol do deserto fazem o lago milagroso parecer sangue (2 Reis 3.22). Os moabitas supõem que isso significa que a frágil coalizão de Israel implodiu violentamente e, por isso, avançam para recolher os despojos (2 Reis 3.23). Mas Israel e Edom estão à espera, e os moabitas caem facilmente na emboscada (2 Reis 3.24). Israel avança, derruba as árvores de Moabe e arrasa suas terras de cultivo (2 Reis 3.25). Todas as profecias de Eliseu se cumpriram. Mas a batalha não terminou.

Encurralado, o rei de Moabe queima seu filho mais velho como sacrifício humano aos seus deuses, na esperança de uma vitória milagrosa (2 Reis 3.27a). Os deuses de Moabe não respondem, mas o Deus de Israel responde. Deus ataca Israel e o força a recuar (2 Reis 3.27b). O que deveria ser uma vitória fácil se transforma em uma derrota humilhante. Furioso com a audição seletiva da coalizão e com a negligência da sua lei, Deus usa a idolatria e o infanticídio de Moabe para julgar as ambições do filho de Acabe.

Onde está o Evangelho?

Jorão é o segundo rei da família de Acabe a ser humilhado por uma profecia interpretada de modo incompleto e, portanto, enganosa (1 Reis 22.22). É incômodo pensar que Deus pode prender em armadilhas e enganar não apenas seus inimigos, mas também o seu povo. É ainda mais perturbador pensar que o profeta de Deus falando a palavra de Deus não garante que saibamos o que Deus está fazendo. Mas, no fim, um Deus de finais surpreendentes é algo bom.

Deus é um Deus que subverte nossas expectativas e vira as coisas de cabeça para baixo. Isso não acontece porque ele é maldoso ou porque gosta de ver pessoas como Jorão se contorcerem (Ezequiel 33.11). Não, Deus é bom, amoroso e doador de vida. Deus quer o melhor para o seu povo, mas Deus também é um Deus do inesperado. Devemos esperar ser surpreendidos por ele.

Nós quase não sabemos o que está acontecendo em nossa própria vida, muito menos como interpretar nossa história pessoal. Mas os planos de Deus para nós são tão grandes quanto ele. Deus pode fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou imaginamos (Efésios 3.20). Se Deus ainda não surpreendeu você, talvez você ainda não tenha conhecido Deus.

Embora as surpresas de Deus em 2 Reis 3 sirvam para prender reis maus em armadilhas, o apóstolo Paulo nos diz que Deus age em todas as coisas para o nosso bem, incluindo sofrimentos inesperados e mal-entendidos dolorosos (Romanos 8.28). Deus surpreenderá os corruptos e perversos com a humilhação deles. Mas nós, que amamos a Deus, não seremos apanhados na armadilha do nosso pecado, e sim surpreendidos pelo cuidado amoroso e sacrificial de Deus.

Diferentemente do rei moabita, que sacrificou seu filho para coagir os deuses e salvar o seu povo, Jesus é o Filho de Deus que salva o seu povo sacrificando-se livremente. A morte de Jesus não é uma manipulação do divino, mas a auto-humilhação de Deus, para que pessoas esquecidiças, desobedientes e de audição seletiva recebam uma vitória surpreendente, inesperada e imerecida. Se nada em sua vida está indo como você espera, confie que Deus em breve o surpreenderá.

Veja por si mesmo

Que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que arma armadilhas para os seus inimigos. E que você veja Jesus como aquele que nos surpreende com amor, cuidado e vitória sobre a sepultura.

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