O que está acontecendo?
A terceira carta de João não é dirigida a um grupo de igrejas, nem mesmo a uma única igreja, mas a Gaio, um homem que João ama profundamente (3 João 1). Gaio é um Cristão fiel, cuja hospitalidade é bem conhecida (3 João 3-5). Missionários itinerantes frequentemente se hospedavam na casa de Gaio e depois contavam às suas igrejas de origem sobre a generosidade e o amor dele (3 João 6). João quer que Gaio continue fazendo o que faz. Para João, a hospitalidade para com os missionários é um teste decisivo de inclusão no reino de Deus. E pessoas como Gaio são cooperadores — parceiros valiosos na missão de Jesus (3 João 8).
Mas nem todos na comunidade de Gaio são tão humildes e hospitaleiros como ele. Diótrefes se recusa a ouvir os apelos de João e de outros apóstolos em favor da hospitalidade (3 João 9). Ele se ressente da autoridade deles, calunia seu caráter e se recusa a acolher seus missionários (3 João 10a). Pior ainda, Diótrefes tem algum nível de autoridade na igreja de Gaio. Ele tanto ameaça quanto excomunga aqueles que estão dispostos a apoiar os missionários de João (3 João 10b).
Sabendo que Gaio leria sua carta para todos em sua igreja, João diz a eles para imitarem o bem que veem em Gaio e rejeitarem o mal de Diótrefes e de homens como ele (3 João 11). João termina sua terceira carta da mesma forma que terminou a anterior: com a esperança de ver seus amigos face a face em breve (3 João 13-14).
Onde está o Evangelho?
João falou sobre amar uns aos outros em cada uma de suas cartas. Essa é a marca que define aqueles que conhecem Deus (1 João 4.7). E a falta de amor pelos seus irmãos e irmãs é a marca que define aqueles que não conhecem Deus (1 João 4.8). A hospitalidade para com os missionários é um teste decisivo de inclusão no reino de Deus.
Quando Jesus enviou seus discípulos pela primeira vez, a hospitalidade demonstrada por uma cidade em relação a eles determinava se sobre ela cairia a paz de Deus ou o juízo de Deus (Mateus 10.13,15). Perto do fim de sua vida, Jesus disse que o fato de mostrarmos ou não hospitalidade a “um destes mais pequeninos” sinaliza nosso destino eterno (Mateus 25.45-46). Isso porque a hospitalidade não é apenas servir aos outros — mas a Jesus mesmo (Mateus 25.40). Oferecer ou negar hospitalidade (especialmente àqueles que foram enviados para proclamar o caminho de Jesus) é aceitar ou negar que Jesus foi enviado por Deus.
De forma apropriada, Jesus se revelou por meio de sua própria hospitalidade. Ele deu vinho para um casamento (João 2.11). Ele foi anfitrião de banquetes no deserto (Lucas 9.16). Ele oferece seu corpo e seu sangue como refeição a ser comida (Mateus 26.26-28). E quando finalmente convenceu seus discípulos de que havia ressuscitado dos mortos, foi durante uma refeição compartilhada (Lucas 24.35). Jesus é generoso e hospitaleiro com o seu povo. E quando o seu povo é hospitaleiro da mesma forma, Deus se manifesta. Jesus se revela. E nos tornamos cooperadores e parceiros escolhidos por Deus na proclamação de Jesus e do seu Evangelho.
Não imite o mal de Diótrefes. Não atraia o juízo contra o qual Jesus adverte. Em vez disso, ame seus irmãos e seja hospitaleiro com suas irmãs, especialmente com aqueles que foram enviados, como Jesus, para proclamar boas novas.
Veja você mesmo
Que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que é generoso. E que você veja Jesus como o nosso anfitrião hospitaleiro, que nos convida a um banquete de sua generosidade e amor.


