O que está acontecendo?
Amós lembra Israel de que Deus a resgatou da escravidão no Egito (Amós 3.1), e de que Deus escolheu Abrãao, antepassado de Israel, para ser o agente por meio de quem todos os povos da terra serão abençoados (Gênesis 12.2-3). Israel carrega um chamado único: adorar a Deus e amar o próximo — e, ao fazer isso, abençoar o mundo. Mas Amós declara que Israel falhou em seu chamado global, maldisse o mundo, e sofrerá as consequências por isso (Amós 3.2).
Em uma série de quatro discursos, Amós expõe a injustiça, a hipocrisia, a idolatria e o juízo que vem sobre Israel. A situação é tão grave que Amós manda Israel reunir as nações brutais que a cercam e convidá-las a julgar a violência e o crime de Israel (Amós 3.9-10). Amós prevê que, em vez de se solidarizarem com os métodos de Israel, essas nações perversas ficarão enojadas com o que veem e a apagarão do mapa (Amós 3.11; 6.14).
Amós diz que as mulheres de Israel são como vacas que se alimentam dos pobres e esmagam os necessitados sob seu peso (Amós 4.1). Os homens de Israel jazem embriagados em camas de marfim e se recusam a mostrar compaixão, mesmo com seus irmãos (Amós 6.4-6). Israel esqueceu seu chamado. Trocou a adoração a Deus e o amor ao próximo pelo amor a deuses estrangeiros e pela injustiça.
Na mesma medida em que Israel adora os deuses do sexo, do poder e da guerra das nações ao seu redor, ela praticará violência e oprimirá aqueles que deveria proteger. Adoração e justiça andam de mãos dadas. Por isso Amós implora a Israel que busque somente a Deus e que busque o bem em vez do mal (Amós 5.6,14). O fracasso dos israelitas em praticar a justiça é prova de que não há verdadeiro amor a Deus e de que sua religião é uma farsa (Amós 5.21).
Por isso Amós implora que Israel deixe a justiça correr como as águas, e a integridade como um ribeiro perene (Amós 5.24). Se o pecado cobriu a terra como um dilúvio, Israel precisa restaurar seu chamado de inundar a terra com a adoração a Deus e o amor uns pelos outros. Se Israel quer escapar do seu juízo e cumprir seu chamado de abençoar as nações, Deus precisa ser seu único Deus, e a justiça abundante e constante dele, seu único padrão.
Onde está o Evangelho?
Adoração e justiça andam de mãos dadas. Amós podia medir a idolatria de Israel medindo a desigualdade entre seus cidadãos. Por outro lado, cuidar dos pobres é sinal de fé sincera e verdadeira. Tiago, irmão de Jesus, disse algo semelhante. Ele disse que “a fé sem obras é inútil” e que até a fé de Abrãao foi comprovada por suas ações (Tiago 2.20,22).
Como cristãos, agora fazemos parte da família de Abrãao e do chamado único de Israel de abençoar o mundo (Gálatas 3.29). Como Israel, fomos salvos da escravidão e libertados (Romanos 6.7)! E, como Jesus disse, nossa missão se resume nos dois mandamentos de amar a Deus e amar uns aos outros (Mateus 22.37-39). Como novos membros dessa família antiga, herdamos um grande chamado: amar e proclamar as boas novas de Jesus, e praticar o amor e a justiça que Amós ansiava ver.
E, embora os pobres estejam sempre conosco (Mateus 26.11), e embora esperemos o dia em que Jesus, o maior filho de Abrãao, voltará e fará a justiça correr como as águas e inundará o mundo de integridade, resta-nos uma advertência. A adoração a Deus e a verdadeira justiça andam de mãos dadas. E, quando não andam, como Amós pregou, você pode ter certeza de que aquilo que está sendo amado não é Deus.
Mas, nessa advertência, há boas novas. Advertências são apenas isso, e implicam que a justiça pode governar e reinar na terra se nós ouvirmos. A injustiça é evitável, a adoração sincera a Deus é possível, e logo Jesus voltará para destruir toda injustiça. Ele inundará o mundo com sua bênção.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que odeia a injustiça. E que você veja Jesus como o filho de Abrãao que nos inclui em sua família para levar bênção ao mundo inteiro.

