O que está acontecendo?
Assim como fez com o templo na abertura do Cântico, a noiva agora funde a presença de seu amado com a presença de Deus no Jardim do Éden (Gênesis 3.8).
A noiva e o noivo flertam sobre o encontro ao meio-dia que estão planejando na propriedade rural do noivo (Cântico dos Cânticos 1.7). Os enamorados trocam elogios cheios de linguagem sobre perfumes, vinhas, flores e árvores (Cântico dos Cânticos 1.14).
A noiva relata como seu noivo a levou à casa do vinho, onde as pessoas celebravam e bebiam, e proclamou seu amor por ela diante da multidão (Cântico dos Cânticos 2.4).
Ela deseja tão desesperadamente estar com seu amado que chega a doer (Cântico dos Cânticos 2.5). O noivo passa o braço por baixo da cabeça dela, a atrai para si, e então o cântico é interrompido (Cântico dos Cânticos 2.6). Tão logo ela se aproxima de seu amado, a intimidade deles é interrompida.
A noiva se volta para suas damas de honra e as adverte a não despertar o amor antes do tempo devido (Cântico dos Cânticos 2.7). Em meio à sua própria paixão ardente, a noiva as adverte a não se entregarem à intimidade sexual antes de estarem casadas. Como o sexo é um retrato físico da intimidade com Deus, esperar até o casamento é um retrato de esperar por Deus. O sexo fora do casamento é uma tentativa de fabricar intimidade sem esperar em Deus.
Aparentemente, o amado da noiva já não está por perto. Ele está longe, mas a chama (Cântico dos Cânticos 2.8). Ela o chama para que corra rapidamente até ela como uma gazela (Cântico dos Cânticos 2.9). Embora a espera da noiva por um marido tenha terminado, ela continua esperando.
Em resposta, o noivo volta e fala com ela (Cântico dos Cânticos 2.10). Sua linguagem está novamente cheia de menções a alimentos, animais, vinhas e flores (Cântico dos Cânticos 2.13). O jardim de amor pelo qual a noiva anseia está brotando por toda parte ao seu redor com a presença do noivo (Cântico dos Cânticos 2.12).
As palavras da noiva finalmente irrompem, depois de ela relatar as promessas de jardim de seu noivo: “O meu amado é meu, e eu sou dele” (Cântico dos Cânticos 2.16). Essa declaração de unidade e união é uma reflexão poética sobre as palavras de Deus a Adão e Eva em seu jardim: “eles se tornam uma só carne” (Gênesis 2.24).
Onde está o Evangelho?
Anseio e espera são maneiras comuns pelas quais a bíblia fala do nosso relacionamento com Deus (Salmo 130.5). Isso porque estamos separados de Deus desde o Jardim do Éden (Gênesis 3.23).
Todos nós fomos criados para a intimidade com Deus. Mas, desde que fomos separados dele no Éden, nossos desejos mais profundos de contentamento, satisfação e amor permanecem sempre insatisfeitos. Quer reconheçamos isso ou não, ansiamos dolorosamente pelo retorno de Deus. Ansiamos por intimidade com aquele para quem fomos feitos.
A boa notícia é que Jesus é o noivo que verdadeiramente traz um novo Jardim do Éden quando voltar (Apocalipse 21.1). A volta de Jesus também é descrita com imagens de jardim (Apocalipse 22.2). Quando Jesus vier, ouviremos palavras que ecoam as palavras da noiva sobre pertencer ao seu amado — estaremos com Deus, e Deus estará conosco (Apocalipse 21.3).
Mas ainda não é o tempo devido para que esse amor desperte (Mateus 24.36). Assim, como as Filhas, esperamos com anseio (Romanos 8.23). Ainda assim, podemos dizer com a noiva: “Vejam, lá vem ele” (Cântico dos Cânticos 2.8). E o nosso amado responderá: “Sim, venho em breve” (Apocalipse 22.20).
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus cuja presença é melhor que o paraíso de um jardim perfeito. E que você veja Jesus como o noivo que voltará em breve para nos levar a esse lugar.

