O que está acontecendo?
Aqui temos dois dos mais longos cânticos do marido louvando a beleza de sua esposa. Os cânticos cercam um breve conflito entre o noivo e outros homens que desejam a sua noiva.
O marido elogia generosamente a beleza de sua esposa (Cântico dos Cânticos 6.4). Ele usa metáforas vívidas para falar dos cabelos soltos dela, de seu sorriso perfeito e de suas faces rosadas (Cântico dos Cânticos 6.7). Entre todas as outras mulheres do mundo, somente ela é perfeita para o seu marido (Cântico dos Cânticos 6.9).
Quando ouvimos a noiva pela última vez, ela estava sozinha, procurando o noivo que a esperava no jardim do amor deles (Cântico dos Cânticos 6.2). Agora, a noiva vai se encontrar com o seu marido no jardim deles (Cântico dos Cânticos 6.11).
Então, aparentemente do nada, ouvimos os chamados distantes de outros homens, implorando que ela deixe o jardim e volte para casa, para a sua vida passada. Os homens imploram que ela retorne a eles — e até que dance para eles (Cântico dos Cânticos 6.13a).
Mas o marido vem em sua defesa (Cântico dos Cânticos 6.13b). Ele traz a atenção dela de volta ao jardim deles por meio de outra série de louvores íntimos (Cântico dos Cânticos 7.1). Mas agora, ele não apenas elogia a beleza dela, mas explica o seu desejo por ela (Cântico dos Cânticos 7.8).
A noiva finalmente responde: “Eu pertenço ao meu amado, e o seu desejo é por mim” (Cântico dos Cânticos 7.10). Essas palavras são o inverso daquelas que Deus falou a Eva como maldição. Naquele jardim do Éden, Deus disse a Eva: “Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará” (Gênesis 3.16). Mas agora, o homem deseja a mulher, e eles são iguais (Cântico dos Cânticos 6.3).
Essa verdade é destacada quando a mulher é chamada de sulamita, uma versão feminina do nome Salomão. Ambos os nomes, Salomão e Sulam, vêm da palavra Shalom, que significa paz ou plenitude. Quando as duas partes se tornam um todo, o Shalom é encontrado.
Onde está o Evangelho?
Pode ser difícil ouvir Deus derramar elogios sobre nós e se regozijar por nós com cânticos quando há tantas outras vozes clamando por nossa atenção (Sofonias 3.17). Como a noiva, podemos ser arrancados fácil e abruptamente de momentos com Deus pelas vozes da cultura, do entretenimento ou de nossa vida passada.
Essas vozes nos dizem para deixar o jardim imaginário do amor de Deus e nos lançarmos de volta nas antigas formas pelas quais encontrávamos validação e amor. Quando Deus diz que somos belos, essas vozes o abafam com comparações. Quando Deus diz que nos deseja, essas vozes nos dizem que esse tipo de amor não existe.
Mas precisamos ouvir a voz mais verdadeira do nosso marido, Jesus. Assim como a mulher (Sulam) recebeu o nome de um rei (Salomão), nós recebemos um rei ainda maior — Jesus (Mateus 12.42).
Ele é o rei de toda a terra e, ainda assim, nos chama de sua noiva (Apocalipse 19.7). Quando ele nos chama de radiantes, santos, irrepreensíveis, sem mancha, ruga ou defeito, podemos saber que a voz dele é mais verdadeira (Efésios 5.27).
Jesus reverteu a maldição ao nos desejar (1 João 4.19). O desejo dele por nós é boa notícia quando nos sentimos indesejáveis e Deus parece distante. Mas Jesus mostra o seu grande amor morrendo por nós na cruz (Romanos 5.8). Podemos escapar das vozes do mundo e voltar ao jardim com Deus. Ali finalmente encontramos verdadeira paz e shalom, porque fomos feitos um com o nosso marido, Jesus (João 17.21).
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que deseja você. E que você veja Jesus como aquele cujo desejo amoroso o levou até a cruz.

