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Devocional

Jeremias 13

Roupa de baixo suja

Em Jeremias 13, vemos que a crucificação de Jesus é uma profecia visual ofensiva e chocante da depravação da nossa desobediência.

O que está acontecendo?

Judá devia confiar em Deus e viver fielmente dentro da aliança que ele fez com o povo, mas não o fez. Então Deus dá a Jeremias duas mensagens encenadas que expõem a corrupção da aliança de Judá e prenunciam o exílio que está por vir.

Na primeira mensagem, Deus diz a Jeremias para comprar um cinto de linho e usá-lo sem lavá-lo. Jeremias obedece (Jeremias 13.1-2). Deus então lhe diz para viajar bem longe e enterrar a peça não lavada no chão. Novamente, Jeremias obedece (Jeremias 13.3-4). Depois de algum tempo, Deus ordena que Jeremias vá buscar o cinto enterrado. Quando ele o faz, o cinto está completamente arruinado — apodrecido e inútil (Jeremias 13.5-7).

Deus explica o significado desse sinal profético. Assim como o cinto se deteriorou, Judá corrompeu a si mesma. Assim como Jeremias viajou longe de casa para enterrar a peça, Judá enterrou sua fidelidade à aliança ao importar ídolos e lealdades de terras distantes (Jeremias 13.8-10). E assim como um cinto de linho deve se apegar firmemente ao corpo, Judá devia se apegar ao seu Deus. Mas, em vez disso, ela se tornou inadequada para essa proximidade. Porque recusou a lealdade à aliança, ela será enviada embora — removida da terra e levada ao exílio (Jeremias 13.11-12).

Deus reforça essa mensagem com uma segunda imagem. Jeremias diz ao povo que toda jarra de vinho logo será enchida de vinho (Jeremias 13.12). O povo zomba — claro que as jarras existem para serem enchidas. Mas Deus explica que está falando de pessoas, não de vasilhas. As autoridades de Judá — reis, líderes, profetas e cidadãos — serão enchidas até transbordar de embriaguez. Em seu estupor alheio a tudo, deixarão de se arrepender e de voltar à aliança de Deus. E Deus não intervirá para deter o desfazimento que eles puseram em movimento (Jeremias 13.13-14).

Jeremias implora ao povo que ouça antes que as trevas os alcancem (Jeremias 13.15-17). Logo seu rei será humilhado, as cidades esvaziadas, e a nação levada ao exílio (Jeremias 13.18-19). As próprias potências em que Judá confiava como aliadas se voltarão contra ela (Jeremias 13.20-21). Isso não deveria surpreendê-los. Uma nação que traiu o seu Deus deve esperar traição em troca (Jeremias 13.22). Judá será exposta por aquilo que se tornou — publicamente envergonhada, despojada de suas ilusões e levada para longe da terra que profanou (Jeremias 13.23-27).

Onde está o Evangelho?

As imagens de Jeremias são intencionalmente incômodas. Elas retratam o povo de Deus como algo destinado à proximidade, mas arruinado pela infidelidade — vestes sujas, vasilhas quebradas, vergonha exposta. Essas imagens têm o propósito de despertar um povo que se tornara insensível à sua idolatria e injustiça. Judá havia perdido a capacidade de se ver com verdade, e esses sinais tinham o propósito de restaurar a visão.

A história de Jesus dá continuidade a essa mesma lógica profética.

Como Judá, a humanidade havia se afastado da lealdade à aliança. E, como os sinais de Jeremias, a vida e a morte de Jesus nos confrontam com o custo dessa infidelidade. Jesus não se manteve a distância das consequências da história de Israel. Em vez disso, no modo como seu povo o tratou, Jesus se tornou um retrato vivo de como Israel havia tratado Deus.

Jesus foi despojado de suas roupas, exposto e humilhado. Foi levado para fora dos portões da cidade e entregue à morte (Hebreus 13.12-14). Ele entrou no lugar de vergonha e abandono ao qual a infidelidade à aliança sempre conduz. Ao fazê-lo, ele levou a história de Israel — e a história da humanidade — através do seu capítulo mais escuro. A cruz nos mostra as profundezas e o horror da nossa infidelidade à aliança. Preferimos crucificar Deus a obedecer a ele. Preferimos sujar nossa aliança com ele a guardá-la. Preferimos estar embriagados de corações endurecidos a estar sóbrios em arrependimento.

No entanto, a vergonha da cruz não é o fim da história.

Onde a corrupção de Judá levou apenas à deterioração, a fidelidade de Jesus levou, através da morte, à ressurreição. Deus não o abandonou ao sepulcro. Em vez disso, Deus o vindicou, ressuscitando-o como o início da restauração. Em Jesus, as consequências da infidelidade à aliança são plenamente expostas, suportadas e transformadas. A vergonha não tem a palavra final. O exílio dá lugar ao retorno. A morte se abre para uma nova criação.

Por meio da ressurreição de Jesus, Deus começa a revestir novamente o seu povo — não com negação ou ilusão, mas com fidelidade renovada. Aqueles que confiam em Jesus são reunidos de volta à proximidade da aliança, não mais definidos pela sua ruína, mas pela obediência e pela vida dele. A embriaguez dos nossos corações endurecidos é levada à sobriedade no amor magnífico da cruz. O que estava corrompido é feito novo. O que foi exposto é coberto. O que foi lançado fora é restaurado.

Em Jesus, Deus mostra que nunca descartará o seu povo. Em vez disso, na sua ressurreição, ele o restaura.

Veja por você mesmo

Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que se recusa a abandonar os propósitos da sua aliança.
E que você veja Jesus como aquele que é fiel, que levou a nossa história através do exílio até a restauração, para que possamos, mais uma vez, nos apegar a Deus em vida renovada.

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