O que está acontecendo?
Jesus é ungido em Betânia (Marcos 14.3). No Antigo Testamento, a unção era um sinal de consagração antes que um profeta, sacerdote ou rei começasse a servir (1 Samuel 16.12). Mas, pouco antes e pouco depois dessa história, Marcos nos conta que os fariseus conspiram para matar Jesus e que Judas concorda em traí-lo. Jesus não está a ponto de iniciar seu ministério — está a ponto de terminá-lo.
O drama se intensifica quando Jesus reúne seus discípulos para celebrar a Páscoa (Marcos 14.16-17). Essa refeição simbólica recordava como Deus salvou Israel do Egito e poupou suas famílias da morte pelo sangue de um cordeiro sacrificado. Por séculos, os judeus celebraram essa refeição e recordaram aquela primeira salvação. Mas Jesus toma o pão e o vinho e diz que a festa fala dele (Marcos 14.22).
Jesus sabe que está a ponto de morrer. Ele vai a um jardim com seus discípulos e ora, sentindo o peso esmagador do que está por vir (Marcos 14.34). Ele volta de suas orações e encontra os discípulos dormindo, e Judas chega com um bando de soldados. Nesse momento crucial, seus discípulos fogem. Até Pedro o segue de longe, mas depois nega três vezes que conhece Jesus. Jesus fica sozinho (Marcos 14.50).
Jesus é condenado como culpado e merecedor de morte, ainda que o tribunal judaico não consiga encontrar uma acusação justa contra ele. Finalmente, perguntam a ele diretamente se ele é o Cristo. Jesus responde dizendo “Eu sou” e chamando a si mesmo de “Filho do homem” (Marcos 14.62).
Em fúria cega, os líderes acusam Jesus de blasfêmia e dizem a Pilatos que o execute por afirmar ser o Rei dos judeus (Marcos 14.63). Pilatos deixa a decisão para a multidão, que começa a gritar: “Crucifica-o!” Jesus é entregue, vestido como um rei de mentira, espancado, cuspido e pendurado numa cruz.
Onde está o Evangelho?
Jesus foi ungido pouco antes da coroação de seu ministério — sua morte. Mas sua coroação foi uma farsa: sua coroa era feita de espinhos, seu manto era uma reverência zombeteira e seu trono era uma cruz. Ainda assim, Jesus era o Rei, o Filho do homem, o EU SOU e o cordeiro da Páscoa, cujo sangue nos livra da morte eterna e nos liberta do poder do pecado.
Antes de sua morte, Jesus é deixado sozinho e abandonado. E isso também é boa notícia. Jesus sabe o que é sentir-se isolado e traído. Quando Jesus vai à cruz, ele prova que nunca deixará nem abandonará aqueles que confiam nele (Hebreus 13.5).
E, quando Jesus disse: “Eu sou… o Filho do homem”, ele provou que tem autoridade e poder para nos salvar da morte e do pecado. O título “Filho do homem” vem de Daniel, onde um ser humano é morto apenas para se levantar e se sentar ao lado de Deus, a fim de governar e julgar (Daniel 7.13). Jesus é o Filho do homem de Daniel. E ele tem todo o poder e toda a autoridade para consolar os que sofrem e salvar pecadores da morte.
Veja você mesmo
Que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que nos liberta da nossa escravidão ao pecado. E que você veja Jesus como aquele que cobre nossa culpa com seu sangue e nos declara inocentes.

