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Devocional

Salmos 130-134

Das profundezas às alturas

Em Salmos 130-134, vemos que Jesus entrou em nosso exílio para nos fazer sacerdotes em seu monte para sempre.

O que está acontecendo

Os Salmos 120-134 formam um cancioneiro chamado “Cânticos de Peregrinação”. Jerusalém, que abrigava o templo de Deus, ficava sobre uma colina que os adoradores subiam para estar na presença de Deus. Depois que o povo de Deus foi exilado de Jerusalém para nações ímpias, começou a retornar em peregrinações a essa cidade no monte, onde estava a presença de Deus. Os Cânticos de Peregrinação eram cantados pelos viajantes que subiam a Jerusalém saindo do exílio e por aqueles que ansiavam por subir para fora das nações. Esses 15 salmos estão organizados em grupos de cinco. Os cinco últimos, Salmos 130-134, esperam a subida definitiva de Israel da sepultura de águas do exílio para o monte celestial de Deus. 

O Salmo 130 começa no lugar mais baixo possível: as profundezas do exílio, descritas como as profundezas aquosas do mar (Salmo 130.1). Os corações e os olhos orgulhosos de Israel o afastaram da confiança em Deus e o levaram ao domínio das nações ímpias, nas quais passou a confiar em lugar dele. Mas Deus não levará em conta o pecado de Israel para mantê-lo no exílio. Em vez disso, Deus perdoará e libertará seu povo em misericórdia (Salmo 130.3-4). O perdão radical de Deus leva seu povo a confiar, com temor reverente, no resgate que está por vir (Salmo 130.5). Assim, de trás dos muros do exílio, Israel aguarda o resgate de Deus com mais vigilância do que as sentinelas da cidade (Salmo 130.6). Israel espera por ele, sabendo que ele o livrará das profundezas do exílio (Salmo 130.8).

No Salmo 131, das profundezas aquosas, Israel se arrepende dos corações e olhos orgulhosos que o levaram ao exílio (Salmo 131.1). Em vez de confiar nas nações e em seus deuses para receber provisão, o povo coloca humildemente toda a sua confiança em Deus. A confiança de Israel em Deus é retratada como uma criança desmamada com sua mãe (Salmo 131.2). Como um recém-nascido faminto que clama desesperadamente por comida, Israel clamava aos deuses estrangeiros por provisão. Mas a criança desmamada conhece o cuidado fiel de sua mãe e pode descansar tranquila, confiando que ela vai suprir suas necessidades. É assim que Israel decide confiar em Deus e olhar para ele. Porque Deus é fiel, compassivo e perdoador, o povo sabe que ele não abandonará Israel no exílio. Por isso Israel encontra paz e esperança, pois sabe que Deus cuidará dele como uma mãe cuida de seu filho (Salmo 131.3). 

No Salmo 132, Israel inicia sua subida das profundezas aquosas das nações para o monte do reino de Deus. Essa subida segue o padrão das ações de seu maior rei, Davi. Davi trouxe de volta a Jerusalém o trono de Deus, a Arca da Aliança, depois de seu tempo de exílio entre as nações (1 Samuel 6.21-7.2; 2 Samuel 6.12). Ele fez isso vestido como sacerdote, reunindo novamente Deus e seu povo (2 Samuel 6.14, 18-19). O rei Davi também ansiava por unir Deus e seu povo sob um mesmo teto, numa casa, um templo (2 Samuel 7.2). Em vez disso, Deus prometeu unir-se a seu povo por meio da casa do rei Davi: um de seus descendentes governaria em seu trono para sempre, unindo todos os povos ao seu reino (2 Samuel 7.16). Essa promessa é a esperança de Israel enquanto sobe para fora do exílio. O povo anseia estar com Deus, que está entronizado em Jerusalém (Salmo 132.1-5). Portanto, assim como a arca do trono de Deus voltou a Jerusalém, também Deus fará seu povo voltar a ele (Salmo 132.6-8). E, visto que Deus prometeu assentar um filho de Davi naquele trono, certamente cumprirá sua promessa e restaurará o Israel exilado ao seu reino (Salmo 132.10-12). Fiel à esperança sacerdotal de Davi, Deus restabelecerá seus sacerdotes para reunir novamente Deus e seu povo (Salmo 132.9, 16). Então o Rei da linhagem de Davi reinará do trono de Israel, encherá o reino de cidadãos resgatados e restaurará o florescimento do povo de Deus (Salmo 132.13-15, 17-18). 

No Salmo 133, o florescimento sacerdotal trazido pelo rei de Deus transborda e cobre Israel e as nações. O povo de Deus, que habita no monte de Deus, é comparado ao óleo da unção que consagrou Arão, o primeiro sacerdote de Israel, para o serviço na presença de Deus (Salmo 133.1-2). O óleo derramado sobre a cabeça de Arão escorria por sua barba e chegava ao peitoral, que continha 12 pedras representando as 12 tribos de Israel (Êxodo 28.21, 29; 29.7, 21). Isso mostrava que todo o Israel havia sido separado como sacerdotes de Deus para abençoar o mundo (Êxodo 19.5-6). Seu relacionamento florescente com Deus descerá pelo monte como rios que correm para abençoar o mundo inteiro (Salmo 133.3). As profundezas aquosas da morte que cobriram Israel no exílio foram substituídas por rios de bênção que fluem de seu monte para as nações que o mantiveram cativo. 

No último Cântico de Peregrinação, os sacerdotes ungidos de Deus servem no templo durante a noite (Salmo 134.1-2). Esse serviço noturno no templo é um retrato de seu trabalho e de sua espera na escuridão do exílio. Os sacerdotes de Israel eram responsáveis por manter acesos o candelabro e o fogo do altar durante toda a noite (Êxodo 27.20-21; Levítico 6.8-13). Da mesma forma, a esperança de Israel em Deus era como uma lâmpada sacerdotal cuidadosamente guardada ao longo da longa noite do exílio. A história que começou nas profundezas termina agora nas alturas, com Deus abençoando o mundo desde seu templo. Por meio do reino sacerdotal que ele restaurou em seu monte, o Deus do céu abençoará toda a terra (Salmo 134.3). 

Onde está o Evangelho?

Os últimos Cânticos de Peregrinação traçam a esperança de Israel de subir das profundezas aquosas do exílio às alturas da presença de Deus, onde poderá levar florescimento ao mundo como seus sacerdotes. Deus de fato restabeleceu seu povo e seu sacerdócio em Jerusalém. Mas os sacerdotes muraram as bênçãos do templo, excluindo as nações e interrompendo o fluxo do rio que descia do monte para a terra (Mateus 21.13). Jesus, porém, veio como o sacerdote e rei definitivo de Israel para resgatar todas as nações do exílio e levar a bênção de seu reino a toda a terra. 

Jesus entrou nas profundezas do exílio conosco. Ele viveu sob os governantes orgulhosos das nações e sofreu as consequências dos corações e olhos orgulhosos. Deus veio ao seu povo, mas as sentinelas não confiaram nele (João 1.11). Em vez disso, foram atraídas para a maldade que exilou Jesus de Jerusalém e, por fim, o levou à morte por crucificação. Na cruz, ele afundou nas águas mais profundas da morte junto com seu povo (Mateus 27.50). Como Israel no exílio, Jesus confiou no resgate de Deus das profundezas (Lucas 9.22; 23.46). E, diferentemente dos deuses das nações, Deus trouxe perdão e resgate para um mundo em exílio quando levantou Jesus das águas dos mortos (Romanos 5.17). Mas a ressurreição de Jesus foi apenas o começo de sua subida. 

Mais alto do que qualquer trono na Jerusalém de Davi, Jesus subiu ao trono de Deus no céu, onde reina sobre toda a terra (Atos 2.29-36). Jesus é o prometido Filho de Davi, entronizado acima de todo trono para sempre. Cumprindo a esperança sacerdotal de Davi de unir Deus a seu povo, Jesus é nosso sacerdote definitivo, que nos traz de volta à comunhão com Deus junto ao seu trono (Hebreus 4.14-16). 

Desse trono, Jesus derrama o óleo do Espírito sobre seu povo, ungindo-nos como um reino de sacerdotes (Atos 2.32-33). O que antes era retratado no óleo que escorria da cabeça de Arão agora se cumpre em nós: pelo Espírito, somos consagrados para levar ao mundo o florescimento que vem de Deus. Pela unção do Espírito dada por Jesus, nós, que somos seu corpo sacerdotal, agora jorramos bênção para as nações (João 7.38-39). 

É verdade que muitas vezes pode parecer que ainda estamos no exílio, trabalhando no turno da noite no templo. Mas Jesus mantém aceso o fogo da presença de Deus em seu templo, a igreja (Hebreus 8.1-2; Apocalipse 1.12-13). Jesus, nosso sumo sacerdote, não nos abandonará à escuridão. Podemos confiar nele como uma criança desmamada confia em sua mãe. Um dia, a manhã raiará, e o exílio terminará. O Criador do céu e da terra abençoará toda a sua criação quando voltar para irrigar toda a terra com seu rio da vida (Apocalipse 22.1-2). 

Veja por si mesmo

Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que não leva em conta os nossos pecados contra nós, mas nos resgata de suas consequências. E que você veja Jesus como aquele que entrou em nosso exílio para nos fazer sacerdotes em seu monte para sempre. 

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