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Devocional

Ester 5-7

Reversões redentoras

Em Ester 5-7 vemos que Deus é um historiador irônico, e ele escreve a história de modo que o mal planejado sempre rima com o mal punido. Ironicamente, embora Deus possa não ser visto, nem ouvido, nem imaginado em Ester ou em nossa própria vida, isso não significa que Deus não esteja tramando ressurreição e vitória para aqueles que confiam nele.

O que está acontecendo?

Aproximar-se do rei sem ser convocada é uma sentença de morte, e a rainha Ester acaba de colocar sua vida nas mãos do rei (Ester 5.1). Tanto ela quanto o povo judaico serão massacrados, a menos que o rei mostre misericórdia e dê a Ester a chance de reverter o decreto genocida escrito por Hamã. Mas, ao contrário de seus temores, Ester não morre. Em vez disso, o rei oferece a Ester até a metade do seu reino (Ester 5.3). É a primeira de várias ironias — reversão após reversão do que se esperava.

A reversão seguinte é que Ester pede um banquete com o rei e Hamã, em vez de pedir pela vida do seu povo (Ester 5.4). Ester serve vinho ao seu rei e a Hamã e convida a dupla embriagada para jantar novamente no dia seguinte (Ester 5.8). Quando Hamã sai da festa, ele vê Mardoqueu, que continua se recusando a curvar-se diante de sua autoridade (Ester 5.9). Hamã contém sua ira momentaneamente e chega em casa. Ele se esquece de Mardoqueu enquanto se vangloria diante de seus amigos e familiares de sua boa sorte, de seu poder e de seus convites para o banquete da rainha (Ester 5.11). Mas sua ira transborda, e sua esposa sugere que Hamã execute Mardoqueu, empalando-o numa estaca de vinte e dois metros e meio de altura (Ester 5.14). É uma estaca enorme, à altura do ego inflado de Hamã, e naturalmente o plano lhe agrada. Mas mais uma reversão está se armando.

Xerxes não consegue dormir e pede que os registros reais lhe sejam lidos (Ester 6.1). Enquanto o rolo é lido, Xerxes percebe que Mardoqueu certa vez salvou sua vida e nunca foi devidamente celebrado (Ester 6.3). Hamã irrompe na sala, pronto para assassinar Mardoqueu, enquanto Xerxes está pronto para celebrá-lo. Xerxes pergunta a Hamã como deveria honrar um homem em quem o rei se deleita (Ester 6.6). Hamã, não conhecendo ninguém tão grande quanto ele mesmo, descreve com entusiasmo todas as honras e celebrações que poderia desejar (Ester 6.8,9). Encantado com os planos de Hamã, Xerxes lhe diz para realizar todos os seus sonhos mais loucos e celebrar Mardoqueu, o homem que ele planeja matar (Ester 6.10). Ironicamente, o nome de Hamã significa “o celebrado”. E nesse momento a celebridade Hamã é forçada a celebrar o único homem que se recusou a celebrá-lo. O nome de Hamã foi humilhado, e a esposa de Hamã entende isso como um prenúncio do que está por vir. A mulher que inspirou Hamã a matar Mardoqueu numa estaca agora prevê que Hamã será empalado em sua própria estaca (Ester 6.13).

Imediatamente, Hamã é chamado a outro banquete (Ester 6.14). Mas Ester revela, pela primeira vez, que é judia, o que significa que Hamã conspirou para matar a rainha de Xerxes (Ester 7.6). Hamã implora por sua vida, mas Xerxes interpreta erroneamente a súplica de Hamã como uma agressão. Ele exige a execução imediata de Hamã na estaca construída para Mardoqueu (Ester 7.7-10).

Onde está o Evangelho?

Deus nunca é mencionado no reino pagão de Xerxes. Em vez disso, recebemos uma justiça tão poética que seria irresponsável concluir que não houve um poeta divino. No momento em que “o celebrado” pensou que seria honrado, ele é forçado a celebrar seu inimigo; o banquete que Hamã pensou que comunicava seu status elevado foi sua ruína; o momento de sua súplica foi julgado como agressão, e a estaca que ele pensou que vindicaria sua honra ferida foi a humilhação pública do seu nome. Deus é um historiador irônico, e ele escreve a história de modo que o mal planejado sempre rima com o mal punido.

Mas a maior trama contra o povo de Deus não foi Hamã na Pérsia; foi Satanás contra Jesus. Como Hamã, Satanás acionou todas as alavancas do Império para massacrar seu inimigo (Mateus 27.1,2). E, como Hamã, ele ergue vigas de madeira para empalar Jesus. Mas, diferentemente do autor divino de Ester, que ironicamente desfaz o mal de Hamã antes que ele aconteça, Jesus morre (Mateus 27.50). Porém, assim como Ester tinha um segredo que desfez o plano de Hamã, havia também um segredo escondido na morte de Jesus (1 Coríntios 2.6,7). Se Satanás e seus governantes tivessem conhecido esse segredo, nunca teriam crucificado Jesus (1 Coríntios 2.8). E assim como Mardoqueu se elevou em poder sobre Hamã, Jesus se elevou em poder sobre a própria morte.

Não existe política tão ímpia nem sepultura tão escura que Deus não possa reverter em favor do seu povo. Ironicamente, embora Deus possa não ser visto, nem ouvido, nem imaginado em Ester ou em nossa própria vida, isso não significa que Deus não esteja tramando ressurreição e vitória para aqueles que confiam nele (1 Coríntios 2.9).

Veja por si mesmo

Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Autor oculto da história. E que você veja Jesus e sua cruz como a suprema vitória irônica sobre as tramas dos nossos inimigos.

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