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Devocional

Hebreus 8.3-9.28

Uma aliança melhor

Em Hebreus 8.3-9.28, vemos que o sacrifício de Jesus garantiu permanentemente o perdão de Deus e transformará o nosso coração, para que conheçamos a pureza que a sua morte trouxe.

O que está acontecendo?

O autor de Hebreus escreve a um público predominantemente judaico. Ele quer provar que a primeira aliança de Deus com Israel foi cumprida em uma nova aliança que Jesus fez com todas as pessoas. Uma aliança é um acordo entre duas partes. Na primeira aliança de Deus, ele se comprometeu a abençoar Israel estando com eles, e Israel se comprometeu a ser o seu povo sendo como Deus (Êxodo 6.7; 24.1-7). Essa aliança também incluía disposições para quando alguém contaminasse esse relacionamento agindo de forma contrária a quem Deus é. Quando esse relacionamento era contaminado, o sumo sacerdote podia purificá-lo oferecendo um sacrifício no templo de Israel. Mas, assim como a primeira aliança de Deus com Israel foi cumprida na nova aliança de Jesus, o primeiro sistema sacrificial de Deus foi cumprido no novo sacrifício de Jesus.  

O profeta judaico Jeremias diz a Israel que uma nova e melhor aliança está a caminho (Hebreus 8.1-7). Em uma aliança nova e permanente, Deus purificaria a contaminação de Israel de uma nova maneira. Deus tornaria o seu povo semelhante a ele até o mais profundo do coração. De tal modo que eles saberiam em sua consciência que o seu relacionamento com Deus é totalmente puro e que não resta nenhuma contaminação  (Hebreus 8.8-12). E, segundo o autor de Hebreus, essa aliança permanente e interiorizada é possibilitada por um novo sumo sacerdote, ou seja, Jesus. Isso significa que tudo o que foi prometido na primeira aliança para nos tornar puros e semelhantes a Deus foi realizado por Jesus em sua nova aliança (Hebreus 8.13). 

O público hebraico do autor deveria ter esperado isso. A primeira aliança e o primeiro templo sempre apontaram para a aliança e o templo eternos e celestiais. O próprio templo era apenas uma cópia feita por mãos humanas de um templo celestial que existe eternamente (Hebreus 8.5; 9.24). Nessa cópia, apenas um homem, uma vez por ano, podia garantir a purificação do povo de Deus (Hebreus 9.1-8). Essa pureza era garantida pelo sangue de animais, que não podia limpar plenamente a consciência humana no seu íntimo. O sangue animal só podia purificar as pessoas de forma cerimonial, simbólica e temporária (Hebreus 9.9-10). A purificação precisaria ser garantida novamente no ano seguinte, e depois no ano seguinte a esse, e outra vez (Hebreus 10.1-2). Tudo na primeira aliança antecipa o plano de Deus de transformar o seu povo de forma permanente e interior.

Onde está o Evangelho?

A nova e melhor aliança começou quando Jesus morreu em uma cruz. Jesus, por meio de um sangue muito mais valioso que o de um bode ou de um cordeiro, entrou não em uma cópia da casa de Deus, mas na própria presença de Deus (Hebreus 9.11-12). E, como Jesus ofereceu o seu próprio sangue, a purificação que ele garante limpará o seu povo até o mais profundo da consciência (Hebreus 9.13-15). Podemos saber que o nosso relacionamento com Deus é perfeito (Hebreus 9.9).

O autor reforça o seu argumento falando de alianças de outra maneira. Em uma aliança familiar, aquilo que chamaríamos de testamento, a herança só é entregue depois da morte (Hebreus 9.16-17). É por isso que a primeira aliança de Deus só entrou em vigor depois que animais foram sacrificados (Hebreus 9.19). A morte pôs a aliança em vigor. Da mesma forma, a herança da presença de Deus e da purificação também só veio depois do sacrifício animal (Hebreus 9.18-22). A morte pôs em vigor a promessa de purificação. No ponto culminante, quando Jesus morreu, todas as promessas da aliança que Deus fez ao seu povo nos foram dadas como herança. A morte de Jesus pôs em vigor todas as promessas de Deus.  

O que Deus fez por Israel na primeira aliança foi maravilhoso, mas era apenas uma sombra do que Deus fez por nós em Jesus. Nunca mais precisamos construir um templo. Nunca mais precisamos nomear um sacerdote. Nunca mais precisamos oferecer um sacrifício. O sacrifício de Jesus garantiu de modo permanente e para sempre a bênção do perdão de Deus. Não há razão para se sentir culpado ou se castigar pelo que você fez de errado, porque Deus morreu para purificá-lo de uma vez por todas. Você pode correr para os braços do seu sacerdote, Jesus, sabendo que ele já restaurou o relacionamento. O nosso sacerdote nos abraça com mãos marcadas por cravos.

Mas Deus não nos abençoou apenas com um perdão incondicional. Além do perdão, Jeremias profetizou que o coração e a consciência do seu povo seriam transformados (Jeremias 31.31-34). Jesus nos tornará semelhantes a ele mesmo. E ele curará a nossa consciência tão profundamente que sentiremos e conheceremos a pureza que a sua morte pôs em vigor. 

Veja por si mesmo

Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que nos deu uma nova aliança. E que você veja Jesus como aquele que nos abençoou com perdão incondicional e uma nova consciência. 

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