O que está acontecendo?
Os Salmos 146-150, às vezes chamados de hallel final (“louvor”), celebram aquilo que todo o Saltério vinha antecipando: a vinda do Rei de Israel, que governará o universo com verdadeira justiça. Cada salmo começa e termina com “aleluia” (“louvem a Yahweh”), unindo cinco cânticos em um desfile de louvor. Esse desfile é o grande final do Livro Cinco dos Salmos, que dá voz aos cânticos de Israel no exílio, hinos de um povo que deixa o cativeiro na Babilônia e marcha sob o estandarte do Rei prometido.
O hallel final antecipa e celebra a esperança real de Israel: um Rei cujo governo justo traz paz, justiça e livramento às nações. Ao longo desses cânticos, o alcance se amplia, expandindo-se da voz de um único cantor ao coro cósmico de toda a criação.
O Salmo 146 começa com um único adorador, que alerta contra confiar em reis terrenos (Salmo 146:3). Governantes humanos prometem vida, mas não conseguem manter o sopro em seus próprios pulmões (Salmo 146:4). Mas o Rei que está vindo é diferente. Seu decreto real, sua palavra, criou o céu e a terra (Salmo 146:5-6). Ele é o único Rei capaz de restaurar a vida ao mundo que fez. Portanto, seu reinado resgatará o oprimido, alimentará o faminto, libertará os prisioneiros, abrirá os olhos dos cegos, sustentará a justiça, protegerá o estrangeiro, cuidará dos órfãos e das viúvas e frustrará a maldade (Salmo 146:7-9). Diferente do sopro passageiro dos reis terrenos, seu reinado de paz durará para sempre (Salmo 146:10).
No Salmo 147, todo o coral de Jerusalém se une ao único adorador enquanto celebram o resgate do exílio. O Rei livrou o seu povo do cativeiro e o trouxe para o seu reino de paz (Salmo 147:2). Esse Rei tem poder para realizar a sua vontade em qualquer nação (Salmo 147:4-6). Ele governa sobre o mundo natural, comandando suas forças celestiais de granizo, vento e água para levar à ruína as nações opressoras (Salmo 147:13-18). Nenhuma outra nação tem as suas leis boas e justas, e por isso as demais nações lutam sob a maldade de governantes humanos (Salmo 147:19-20). Mas o Rei de Deus dará a palavra de Deus ao povo de Deus para trazer a paz de Deus à criação de Deus.
No Salmo 148, toda a criação responde em um coro cósmico. O domínio invisível dos seres espirituais nas alturas dos céus adora a Deus (Salmo 148:1-2). O sol, a lua e as estrelas se inclinam diante dele (Salmo 148:3). Na terra, as montanhas mais altas e as árvores mais elevadas se juntam ao cântico (Salmo 148:9-10). Toda pessoa, do governante mais poderoso à menor criança, é chamada a louvar (Salmo 148:11-12). Até os mares caóticos, símbolos do mal espiritual que jaz debaixo da terra, devem se submeter a esse Rei, porque o seu decreto real criou todas as coisas (Salmo 148:5-7). No entanto, esse Rei, o governante de toda a criação, faz a sua habitação entre o seu povo em Israel, que está perto do seu coração (Salmo 148:14).
No Salmo 149, o desfile sai para o mundo. O povo resgatado de Deus se junta à criação como os mensageiros do Rei, por meio dos quais ele anuncia o seu governo. Com o seu decreto real na boca, eles proclamam que o Criador do céu e da terra veio para reinar (Salmo 149:1-3). Como prometido, ele cuidará do oprimido e arruinará o opressor (Salmo 149:4). Israel levará às nações a notícia da vinda desse Rei, reivindicando o mundo inteiro como território que lhe pertence por direito. O louvor deles é retratado como uma espada — suas palavras serão o meio pelo qual Deus declara vitória total sobre todos os outros reis (Salmo 149:6). Por meio da proclamação real que eles fazem, o reino de justiça e paz de Deus se espalhará (Salmo 149:7-9).
O Salmo 150 é o grande final, no qual toda a terra recebe Deus como o verdadeiro Rei. Desde os céus mais altos até o seu templo na terra, toda a criação é convocada a louvá-lo com trombeta, harpa, tamborim e todo instrumento de procissão real (Salmo 150:3-5). Esses desfiles musicais, que normalmente anunciam a chegada de um rei terreno, se tornarão agora o cântico de todo o cosmos ao dar as boas-vindas ao seu Rei eterno, Deus, que governa cada aspecto da criação (Salmo 150:6).
Onde está o Evangelho?
O hallel final é uma proclamação real: Deus veio como Rei. No mundo romano da época de Jesus, tais proclamações eram chamadas de “evangelhos”, as boas novas de que um novo imperador havia assumido o poder ou de que o seu reinado havia se estendido a novas regiões. Quando Jesus chega dizendo: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mateus 4:17), ele está proclamando o seu Evangelho. Ele é o Messias de Israel — o Rei prometido e ungido — e o governante que cada salmo antecipa.
Jesus trouxe o governo justo de que Israel e o mundo tão desesperadamente precisavam (Lucas 4:18-19). Ele alimentou os famintos, libertou os cativos, abriu os olhos dos cegos, levantou os abatidos, acolheu os estrangeiros, sustentou as viúvas e os órfãos e derrubou a maldade. O Rei Jesus trouxe essa justiça aos doentes, aos marginalizados, aos endemoninhados e aos mortos (Mateus 8-9). Ele até trouxe o seu governo ao reino da sepultura, conquistando-o com a sua vida indestrutível e o seu decreto real (1 Pedro 3:18-20). Em sua ressurreição, Jesus derrotou o caos que jaz debaixo da terra. Depois, ascendeu para assentar-se à direita de Deus, acima de todo poder no céu, na terra e debaixo da terra (Efésios 1:19-23). Esta é a coroação que o hallel antecipa: um reinado que abrange o mundo inteiro e não pode ser revogado.
O Rei Jesus está reunindo pessoas em seu reino para que se tornem mensageiras do seu governo. Ele confiou ao seu povo a proclamação real da sua vinda (Atos 1:8). Os cidadãos do reino levam a notícia do Evangelho a todas as nações. Jesus colocou a espada de dois fios da sua palavra em nossa boca (Efésios 6:17; Hebreus 4:12). Nossa batalha não é contra carne e sangue com armas de guerra — em vez disso, com nossas palavras e nossa adoração, anunciamos o reino a um mundo quebrado (Efésios 6:11-13).
O Espírito Santo agora enche o povo do Rei Jesus para que tudo o que tem vida aprenda o aleluia. O cântico global da igreja carrega o hallel final, ecoando a toda a criação enquanto damos as boas-vindas ao Rei, até que todo o cosmos se junte ao desfile. Toda criatura no céu, na terra e debaixo da terra cantará a glória de Deus (Apocalipse 5:13). E porque o nosso Rei é também o nosso Criador, o seu reino não fracassará; a justiça e a paz sobreviverão a todo governante terreno. O aleluia final se elevará quando Jesus voltar e o mundo finalmente descansar em sua paz.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que governa a sua criação como Rei. E que você veja Jesus como o Rei que veio trazer justiça ao oprimido e paz a toda a criação.

