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Devocional

Esdras 4-6

Crenças misturadas

Em Esdras 4-6, vemos que a devoção pura do sacrifício de Jesus abre caminho para que aqueles com um passado de crenças misturadas se aproximem dele.

O que está acontecendo?

Zorobabel e alguns exilados que retornaram começaram a reconstruir o templo em Jerusalém. Mas eles não estão sozinhos. Embora tenham sido enviados com a permissão e a autoridade de Ciro, rei da Pérsia, os inimigos de Jerusalém em Samaria não estão dispostos a abrir mão da terra que tomaram durante a ausência de Israel (Esdras 4.1).

Os samaritanos são conhecidos na bíblia por misturar suas práticas religiosas pagãs com a adoração ao Deus de Israel (2 Reis 17.25). E então eles se oferecem para ajudar a construir o templo de Israel. Mas isso não é um ato de caridade (Esdras 4.2). É uma forma de garantir a preservação e o domínio de sua religião sincretista depois que Israel reconstruir seu lugar de culto. Mas os líderes de Israel recusam a ajuda deles e mantêm a pureza do templo de Deus (Esdras 4.3).

Em vez disso, os samaritanos tentam impedir a obra de construção por meio de uma série de subornos e acusações legais enviadas em várias cartas à Pérsia ao longo de vários anos (Esdras 4.5). Para comprovar a gravidade da ameaça, a narrativa salta adiante, para o reinado do rei persa Artaxerxes (Esdras 4.7). Sob o governo dele, as acusações dos samaritanos encontrarão terreno firme e acabarão interrompendo a construção do templo (Esdras 4.23). A ameaça samaritana será real e duradoura.

Mas então a narrativa volta no tempo, às primeiras tentativas dos samaritanos de minar o trabalho de Zorobabel. Por cerca de 16 anos, eles conseguem forçar os exilados a parar a construção e garantir a continuidade de sua falsa adoração. No entanto, sob a direção de dois profetas, Zorobabel retoma o esforço de construção (Esdras 5.2). Isso leva os samaritanos a escrever outra longa carta à Pérsia, agora governada pelo rei Dario (Esdras 5.6). Mas, quando Dario investiga a questão, ele redescobre o decreto de Ciro que dava a Zorobabel o direito de reconstruir (Esdras 6.1-2). Em honra a seu predecessor, Dario reforça ainda mais a proteção e o provimento a Israel (Esdras 6.8).

Com nova liberdade e novos recursos, o templo é concluído, e a falsa adoração dos samaritanos é derrubada pela obediência de Israel a Deus (Esdras 6.14). Israel celebra com uma festa e dedica o templo oferecendo mais de 700 sacrifícios (Esdras 6.16).

É significativo que os líderes de Israel ofereçam doze bodes como ofertas pelo pecado (Esdras 6.17). Eles são uma admissão simbólica da culpa nacional. As doze tribos de Israel, como os samaritanos ao seu redor, não tinham sido fiéis somente a Deus. Mas os sacrifícios também simbolizavam a disposição de Deus para perdoar e cumprir suas promessas a eles. Com a verdadeira adoração restaurada e o templo reconstruído, até os de fora podiam agora entrar na presença de Deus. Todo aquele que voluntariamente se separa de suas religiões falsas e se compromete somente com Deus pode participar da celebração (Esdras 6.21).

Onde está o Evangelho?

Jesus também teve um encontro com uma samaritana a respeito do templo (João 4.7). Como os samaritanos de Esdras, ela afirmava adorar a Deus enquanto praticava as crenças misturadas de seus antepassados (João 4.20). Jesus não fez concessões quanto à pureza do que significa a devoção somente a Deus (João 4.22). Ele disse que a devoção pura a Deus não se basearia em um lugar, como o templo de Israel (João 4.21). Em vez disso, a verdadeira adoração se basearia em uma pessoa: Jesus mesmo. Jesus é o lugar definitivo da presença de Deus, sem misturas e sem concessões.

Como as cartas dos samaritanos enviadas a vários reis para acabar com o templo de Israel, os inimigos de Jesus o levaram de governante a governante para conseguir uma sentença de morte contra ele (Lucas 23.7). Assim como os inimigos de Israel conseguiram interromper o projeto do templo, os inimigos de Jesus conseguiram destruir o corpo de Jesus, o templo supremo de Deus. Mas a morte de Jesus também foi nossa oferta definitiva pelo pecado — não apenas pelas doze tribos de Israel, mas por toda a humanidade. Em Jesus, nossa culpa é cancelada, e somos convidados a celebrar!

Como os samaritanos, misturamos nossas preferências religiosas e morais com a verdadeira adoração a Deus. Além de confiar em Jesus, acrescentamos nossas próprias ideias, comportamentos e adoração, revelando a impureza de nossa fé. Mas, por sua oferta na cruz, Jesus perdoa nosso coração dividido e promete reconstruir todo aquele que confia somente nele, transformando-o em um novo templo; um novo lugar onde Deus habita. Portanto, celebre! Em Jesus, pessoas divididas e misturadas como nós são perdoadas e purificadas.

Veja por si mesmo

Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que usa as tramas de seus inimigos para salvar até aqueles que se opõem a ele. E que você veja Jesus como a oferta definitiva pelo pecado do mundo.

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