O que está acontecendo?
Judá está a ponto de experimentar uma morte nacional. Os exércitos da Babilônia estão vindo, e Judá logo será exilada de sua terra. Estes são os últimos capítulos de Isaías que tratam da expectativa desse exílio que se aproxima, e os capítulos seguintes abordarão a esperança de retornar desse exílio. Assim, para encorajar seu povo à beira da morte nacional, Deus mostra que pode ressuscitá-los dos mortos e trazê-los de volta depois do exílio.
Como representante de seu povo, o rei Ezequias é levado às portas da morte por uma doença. Isaías advertiu que sua doença era fatal e que ele deveria se preparar para morrer (Isaías 38.1). A doença de Ezequias refletia a morte iminente de sua nação. Israel não se recuperaria, mas desceria à sepultura do exílio. Mas, em seu leito de enfermo, Ezequias ora e se lembra da fidelidade de Deus (Isaías 38.2-3). Sua oração diante da morte é uma lição para seu povo condenado ao exílio. Eles precisam se lembrar do Deus que é fiel ao seu povo. Deus responde à oração de Ezequias e lhe dá quinze anos a mais de vida. Além disso, promete livrar Jerusalém da ameaça presente dos exércitos da Assíria (Isaías 38.4-6).
Para provar que isso aconteceria, Deus dá a Ezequias um sinal. A luz da presença de Deus brilha do templo. Sua glória é tão brilhante que supera o sol e muda a direção das sombras naquele lugar. É importante notar que a sombra retrocede sobre um altar idólatra, às vezes chamado de escada, que havia sido erguido no templo de Deus por um rei ímpio anterior, chamado Acaz (2 Reis 16.11-16; Isaías 38.7-8,22). Nesse sinal, Deus mostra duas verdades contrastantes. Primeiro, Deus mostra que vê sua idolatria. Sua luz expõe esse altar pagão de uma nação estrangeira. É por isso que a morte do exílio está chegando. Mas, em segundo lugar, Deus mostra que dominará as nações estrangeiras que os levarão para o exílio. Assim como a sombra reverteu seu curso sobre o altar, Deus mostra que reverterá a morte certa do exílio quando se revelar em glória e trouxer sua nação de volta à vida. Uma vez curado, Ezequias vai ao templo e louva a Deus, que o levantou de seu leito de morte e que, por consequência, pode reverter a sombra da morte que dominará seu povo no exílio (Isaías 38.9-20).
A única esperança de Israel ao entrar no exílio é um Deus que podia ressuscitar um rei morto. Mas essa reversão só viria depois de uma morte nacional. As sombras dessa morte avançam sobre o palácio real quando Ezequias, recém-recuperado, recebe embaixadores da Babilônia. Ele mostra todos os seus tesouros àqueles que em breve serão os captores de Israel (Isaías 39.1-4). Quando eles partem, Isaías diz a Ezequias que tudo o que ele mostrou aos babilônios se tornará despojo deles (Isaías 39.5-6). Eles roubarão todos os tesouros que os antepassados do rei acumularam, e roubarão todos os descendentes que os filhos do rei venham a ter (Isaías 39.7). Toda a sua vida passada e futura será cortada. A única esperança de Ezequias e de seu povo é o Deus que pode trazer vida a partir de uma morte nacional, de uma herança roubada e de uma linhagem arruinada.
Onde está o Evangelho?
Exatamente como Isaías predisse, a sombra da Babilônia consumiu a nação de Ezequias. O povo foi exilado de sua terra, os tesouros do palácio foram saqueados, e a linhagem real de Ezequias caiu no esquecimento. Mas, ao longo dos anos, o Deus que ressuscita os mortos começou a reverter a sombra que engoliu seu povo. Ele levantou líderes que trouxeram seu povo de volta à sua terra e governantes que devolveram os tesouros que tinham sido saqueados (Esdras 2.1-2,68; 6.4-5). E, por fim, Deus levantou a linhagem arruinada de Ezequias quando enviou o maior tesouro de todos. O maior filho dos antepassados de Ezequias e de todos os seus descendentes nasceu na pessoa de Jesus. Jesus veio para ser o rei de seu povo, aquele que viveria a maior reversão de todas: ressuscitar da própria morte.
Durante toda a sua vida, Jesus viveu sob a sombra de seu próprio exílio iminente na morte. Ele disse aos seus discípulos que, como rei representando o povo de Deus, morreria e depois seria ressuscitado (Mateus 16.21). Mas Jesus não representava apenas Israel como filho do rei Ezequias; ele também era o Filho de Deus, representando todas as pessoas. Em Jesus, a glória de Deus se manifestou ao seu povo para expor sua idolatria, curar sua doença e salvá-lo do exílio. Mais brilhante que a luz que resplandeceu do templo nos dias de Ezequias, Jesus é a luz que veio realizar uma reversão maior. A morte e a ressurreição de Jesus começariam a fazer retroceder a sombra da morte que pesa sobre toda a humanidade.
Quando homens maus prenderam Jesus para matá-lo, saquearam um tesouro mais precioso do que qualquer coisa que a Babilônia poderia ter tirado do templo de Jerusalém. Eles encheram as mãos com a joia mais preciosa do céu, Jesus, o Filho de Deus. Cortaram a linhagem de Jesus na morte, garantindo que nenhum descendente jamais se levantasse. Mas a sepultura não poderia saquear o tesouro do céu para sempre. O Deus que reverte a morte fez a sombra sobre o túmulo de Jesus retroceder. Deus ressuscitou Jesus para viver para sempre (Atos 3.15; Romanos 6.9)! Na ressurreição de Jesus, Deus devolveu o tesouro do céu ao seu povo. Assim como os tesouros roubados do templo foram trazidos de volta depois do exílio, a vida roubada de Jesus é trazida de volta aos nossos corações em sua ressurreição. Jesus é o rei eterno que inaugurou um novo reino onde os descendentes vivem para sempre, para nunca mais serem cortados pela morte. E ainda hoje ele está conduzindo pessoas para fora do exílio da morte, para dentro de seu reino, onde nenhuma sombra jamais as ameaçará novamente.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que reverte o curso da morte. E que você veja Jesus como aquele que abriu os tesouros do céu para dar ao seu povo a vida da ressurreição.

