O que está acontecendo?
Israel luta para confiar que Deus ainda a ama o suficiente para salvá-la. Afinal, foi ele quem a enviou ao exílio. Mas Deus lhes diz que olhem para a sua certidão de divórcio — a razão pela qual foram para o exílio (Isaías 50.1). Eles foram infiéis em sua aliança matrimonial com Deus, por isso foram entregues às nações que amaram mais. Mas, uma vez que Deus os enviou para longe, Deus pode trazê-los de volta para casa (Isaías 50.2). O sofrimento presente no exílio não significa que Deus os abandonou. Para provar isso, somos apresentados à voz do Servo de Deus (Isaías 50.4). Ele não pecou como Israel, e ainda assim sofreu grandemente (Isaías 50.5-6). Não obstante, ele continua confiando que o seu sofrimento presente não significa que Deus o abandonou. Israel vê o seu sofrimento como prova de que Deus a abandonou, mas o Servo sofre de maneira ainda mais injusta e se recusa a crer que Deus o deixou. A confiança dele no amor de Deus é a lição que Israel precisa aprender (Isaías 50.7-11).
Mas Israel se pergunta como tal resgate será possível (Isaías 51.1). Israel no exílio é como um casal estéril, infértil. Mas Isaías mostra que foi exatamente assim que a nação de Israel começou. Os antepassados de Israel, Abrãao e Sara, eram estéreis, e ainda assim Deus os multiplicou em uma grande nação (Isaías 51.2). Então eles clamam a Deus desde o exílio, pedindo que ele desperte do seu suposto sono e realize essa obra poderosa (Isaías 51.9). Mas Deus lhes diz que está imensamente disposto e mais que capaz de salvá-los (Isaías 51.11-16). Em vez disso, Deus diz a eles que despertem (Isaías 51.17). O desespero no exílio os deixou como bêbados sonolentos, sem perceber que Deus está de pé sobre eles, pronto para levá-los para casa (Isaías 51.18-20). Deus os fará ficar sóbrios, os vestirá com as melhores roupas e os levará como uma rainha de volta ao seu reino (Isaías 51.22; 52.1-2).
Isaías lembra a Israel que Deus pode salvá-los do exílio porque foi ele quem os enviou ao exílio. A Babilônia não os comprou como escravos. Os seus inimigos não são seus donos, nem mesmo como prisioneiros de guerra. Foram exilados por Deus, portanto podem ser trazidos de volta por Deus (Isaías 52.3-6). Deus não precisa pagar a ninguém, quitar dívidas nem encerrar contas para resgatar o seu povo. Ele pode resgatá-los simplesmente porque os ama, quer consolá-los e quer restaurar o seu propósito no mundo.
O resgate que Deus determina por si mesmo é a melhor notícia imaginável para quem está no exílio. É uma notícia tão boa que até os pés sujos daqueles que atravessaram quilômetros para proclamá-la seriam vistos como belos (Isaías 52.7). Apropriadamente, Isaías dá a esse povo no exílio um cântico para cantar na expectativa dessa notícia (Isaías 52.8-10). A adoração deles é amplificada pelo fato de que lhes é dito para não tocar em nada impuro na saída do exílio (Isaías 52.11). Isso porque o Deus puro que os resgata está preparando o seu povo para encontrá-lo (Isaías 52.12).
Onde está o Evangelho?
Como Israel no exílio, toda a humanidade adormeceu quanto a quem Deus é, por causa do vinho do juízo de Deus (Romanos 1.18-20). Esse estupor de embriaguez é chamado de estar em pecado. Somos incapazes de nos ajudar, de despertar do nosso vinho e de seguir Deus para fora da nossa escuridão. Mas foi escolha de Deus nos entregar ao pecado que escolhemos, por isso é somente pela escolha de Deus que podemos ser salvos dele. É por isso que Jesus podia se aproximar de pecadores desamparados e proclamar que estavam perdoados (Mateus 9.1-8). É por isso que Jesus pode tomar uma pessoa esfarrapada e quebrada e dizer que ela é uma noiva bela e sem mancha (Efésios 5.26). O amor de Jesus, determinado por ele mesmo, nos chama das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pedro 2.9).
Talvez você esteja se perguntando se Deus está disposto e é capaz de resgatar você ou este mundo quebrado de toda a dor indescritível e do sofrimento aparentemente inescapável que todos enfrentamos. Mas, em Jesus, Deus nos resgatou da esterilidade e da dor causadas pelo pecado. Ele provou isso quando Jesus nasceu de um ventre virgem, assim como Israel nasceu de um casal estéril (Mateus 1.23). Se a vida de Jesus pode vir de um ventre vazio, e depois de um sepulcro vazio em sua ressurreição, certamente ele também pode trazer vida do nosso vazio e da nossa morte (Romanos 8.11).
Muitas vezes vemos o nosso sofrimento e o nosso pecado como evidência de que Deus nos deixou. Mas Jesus, embora perfeito, sofreu e nunca duvidou do amor de Deus por ele. A confiança dele pode ser nossa.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que não pode ser impedido de salvar o seu povo. E que você veja Jesus como o servo de Deus que não se deteve diante de nada para nos trazer de volta a si mesmo.

