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Devocional

Juízes 13-16

Sansão

Em Juízes 13-16 vemos que a morte sacrificial de Jesus trouxe uma vitória maior do que sua vida, porque por meio de sua morte todos os que creem nele são salvos dos leões à espreita do pecado e da morte.

O que está acontecendo

Sansão é o último juiz de Israel, o mais dramático e o mais violento. Um anjo chega a aparecer à mãe estéril de Sansão e anuncia que ela dará à luz um libertador que salvará Israel dos filisteus (Juízes 13.3). Sansão também é único entre os juízes por causa de seu voto de nazireu. Ele está sob juramento de não tocar em nada impuro ou morto, de não comer uvas nem beber vinho, e de nunca cortar o cabelo (Juízes 13.5,7).

Mas o nascimento promissor de Sansão só serve para destacar sua queda. Sansão vê uma mulher filisteia e quer se casar com ela, mesmo que isso viole as leis de Deus sobre o casamento (Juízes 14.7). O texto nos diz que a única justificativa de Sansão é que ela parece certa aos seus olhos (Juízes 14.3). Essa é a acusação que o autor faz contra todo o Israel daquela época (Juízes 21.25). Essa expressão também prenuncia como a história de Sansão terminará: seus olhos serão arrancados pelas mãos dos filisteus (Juízes 16.21).

Mas os olhos cobiçosos de Sansão são também o meio que Deus usará para resgatar seu povo (Juízes 14.4). Vemos isso se desenrolar em um breve episódio que funciona como metáfora tanto para o restante da narrativa de Sansão quanto para todo o Livro de Juízes. Enquanto Sansão atravessa uma vinha (uma escolha insensata, já que ele não pode comer uvas), um leão o ataca e ele o mata. Mas, ao fazer isso, quebra seu voto de nazireu de não tocar em animais mortos. Ele também come com cobiça o mel da carcaça do leão (Juízes 14.8-9). A cobiça de Sansão pelo mel é muito parecida com sua cobiça pelas mulheres filisteias.

Seu casamento insensato com a mulher filisteia e seus encontros amorosos com Dalila terminam todos da mesma forma: com homens filisteus se lançando sobre ele como um leão e Deus concedendo uma doce libertação sobrenatural dos inimigos de longa data de Israel (Juízes 15.14).

Numa estranha misericórdia, Deus usa a cobiça e a violência de Sansão para resgatar pessoas presas à sua própria cobiça e violência.

A cobiça de Sansão acaba deixando-o cego, fraco e escravizado pelos filisteus. Sansão usa seu último suspiro para orar por força para executar um último ato de vingança (Juízes 16.28). Como antes, Deus capacita Sansão a destruir mais filisteus por meio de sua morte do que por meio de sua vida (Juízes 16.30). Como mel tirado de um leão morto, Deus traz vitória por meio do pecado de Sansão.  

Onde está o Evangelho?

Sansão é o último juiz que Deus levanta. A história de Sansão é o clímax do livro de Juízes, mas também a personificação máxima da rebeldia de Israel. Ele é o último exemplo de Deus usando a pecaminosidade de Israel para cumprir seus propósitos (Juízes 14.4).  

Mas a história de Sansão também representa a esperança de Israel. Israel espera por um Rei cuja vinda é anunciada por anjos, e em quem o Espírito habita. Israel tem esperança de um líder que seja forte como Sansão, mas cujo sacrifício seja maior que sua força. Eles esperam que Deus traga doce paz, livrando-os de seus inimigos semelhantes a leões.

Na verdade, Sansão nos aponta para Jesus. O nascimento de Jesus foi anunciado por anjos (Lucas 1.30-31). E o Espírito Santo desceu sobre ele como uma pomba de paz (Lucas 3.22). Jesus foi forte, não para vingar rancores pessoais, mas para permanecer firme em seu propósito durante a perseguição e a crucificação. A morte sacrificial de Jesus trouxe uma vitória maior do que sua vida, porque por meio de sua morte todos os que creem nele são salvos dos leões à espreita do pecado e da morte (Romanos 10.9).

Jesus não tirou mel dos seus próprios pecados, mas dos nossos. A morte sacrificial de Jesus não foi para vingar, mas para expiar. Jesus morre como a personificação máxima da nossa rebeldia para que possamos nos tornar exemplos vivos de como Deus usa pessoas pecadoras para anunciar e realizar sua doce vitória em todo o mundo. Por causa de Jesus, provamos e vemos que o Senhor é bom (Salmo 34.8).

Veja por si mesmo

Que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que usa o nosso pecado para realizar a nossa salvação. E que você prove e veja que Jesus é mais doce que o mel.

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