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Devocional

Juízes 6-8

O exército de Gideão

Em Juízes 6-8 vemos a covardia, o orgulho, a relutância e a violência de Gideão em comparação com o reinado corajoso, humilde e sacrificial de Jesus.

O que está acontecendo?

Deus envia o exército midianita contra Israel em resposta à sua maldade e desobediência (Juízes 6.1). Midiã é um opressor especialmente cruel (Juízes 6.2). Muitos israelitas acabam morando em cavernas, e é ali que Israel finalmente clama a Deus por misericórdia (Juízes 6.6).

Em resposta, Deus envia um profeta que repreende Israel por ter se esquecido de sua libertação do Egito (Juízes 6.9-10). Até Gideão, o novo juiz de Deus, é cínico e está convencido de que Deus os abandonou (Juízes 6.13). Quando um anjo lhe diz o contrário — e que ele foi designado como o novo libertador de Israel —, Gideão se mostra relutante e pede provas (Juízes 6.17). E quando Gideão finalmente aceita o chamado do anjo, ele fica com medo (Juízes 6.23). Quando lhe é pedido que derrube o altar que seu pai dedicara a Baal, mais uma vez o medo governa suas ações (Juízes 6.27).

Embora o Espírito do Senhor esteja com Gideão, ele exige sinais adicionais para confirmar que Deus está com ele (Juízes 6.34, 39). Depois de reduzir o exército de Gideão a 300 homens — e ainda assim atento ao medo de Gideão —, Deus lhe dá outro sinal na noite anterior a uma vitória milagrosa contra os midianitas (Juízes 7.10).

Mas, uma vez no poder, o medo de Gideão dá lugar à brutalidade. Dois reis midianitas escapam para fora das fronteiras de Canaã e ele os persegue (Juízes 8.10), ameaçando violentamente todos os que não lhe oferecem apoio (Juízes 8.7). Quando captura os reis, descobrimos que sua verdadeira motivação é a vingança. Esses homens haviam matado sua família (Juízes 8.19).

E, como sinais finais da crescente brutalidade de Gideão, ele pede que seu jovem filho massacre os reis inimigos diante dele (Juízes 8.20). Depois exige ouro como tributo de seus inimigos, funde-o em um ídolo e o adora durante seus 40 anos no poder (Juízes 8.27). Pouco depois da morte de Gideão, Israel institui oficialmente o culto a Baal como sua religião nacional (Juízes 8.33-34).

Onde está o Evangelho?

Quando pessoas medrosas ganham poder, fazem qualquer coisa para mantê-lo. E — o que é crucial nesta história — elas se esquecem de que o poder verdadeiro vem de Deus. No dia em que os 300 de Israel derrotaram os 135.000 de Midiã, Gideão instruiu suas tropas a gritar: “Pelo Senhor e por Gideão” (Juízes 7.18). A frase diz tudo. Israel recebeu um líder que simplesmente refletia o próprio medo, orgulho e esquecimento do povo.

E, ainda assim, Deus os resgatou. Deus até faz com que o medo e a violência de Gideão sirvam à libertação do povo — não para validar Gideão, mas para revelar a misericórdia de Deus para com um povo esquecidiço, medroso e ávido por poder. Deus poderia simplesmente deixar que o orgulho e a violência de uma nação desabassem sobre si mesmos. Em vez disso, ele repetidamente transforma a ruína deles em resgate.

Vemos isso com mais clareza em Jesus. Deus entregou Jesus ao medo, ao orgulho, à política e à violência de Israel e de Roma (Atos 2.23). Mas Jesus em nada se parece com Gideão. Ele não teve medo de seus inimigos. Não exigiu sinais — ele os deu (João 2.11). Não se esqueceu do poder de Deus — buscou-o constantemente em oração (Lucas 5.16).

E enquanto Gideão acusava Deus de tê-lo abandonado, Jesus entrou no lugar em que o ser humano é abandonado por Deus, para poder estar conosco mesmo em nosso vale mais escuro. Na cruz, Jesus assume o clamor de todo ser humano que sofre — mas não porque o Pai o tenha abandonado. Ele está conosco mesmo quando nos sentimos abandonados.

E enquanto a ascensão de Gideão converteu o medo em brutalidade, a ressurreição de Jesus transforma a brutalidade do mundo em sinal da vitória de Deus. Não precisamos de nenhum outro sinal, além da morte e ressurreição de Jesus, para saber que Deus está conosco. Todos os que se lembram dele, confiam nele e pertencem a ele não têm nada a temer.

Veja por si mesmo

Que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que é nosso único herói. E que você veja Jesus como sinal de vitória e poder para todos os que se lembram dele.

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