O que está acontecendo?
Depois que Israel não consegue entrar na Terra prometida, e depois que Deus declara que a geração mais velha morrerá no deserto (Nm 14.22-23), Deus imediatamente se volta para a geração mais jovem, que um dia voltará. Ele lhes dá ordens sobre os sacrifícios para quando entrarem na terra (Nm 15.2-3). Essa é a garantia silenciosa de Deus de que a relação não terminou. O sistema de sacrifícios que faz expiação (Lv 1-7) ainda os acompanhará ao entrarem na terra. Israel continua sendo o reino de sacerdotes que Deus quis que fosse (Êx 19.6).
Por um momento, parece que as coisas podem estar realmente melhorando. O povo até obedece à ordem de Deus de executar um homem que violou o Sábado (Nm 15.32-36). Israel parece estar retornando à obediência, mas a paz não dura muito.
Três levitas — Corá, Datã e Abirão — se levantam com 250 líderes da comunidade para desafiar Moisés e Arão (Nm 16.1-3). A queixa deles soa espiritual: “Todos nós somos santos.” Mas Números deixa claro que a rebelião deles não é contra Moisés; é contra o próprio Deus (Nm 16.11). Esses homens esquecem que, embora todo o Israel seja um povo sacerdotal, Deus, ainda assim, escolheu a família de Arão para o sacerdócio (Nm 16.5-7; Êx 28.1).
O que acontece em seguida mostra o que acontece quando as pessoas tentam se apossar de um sacerdócio que Deus não lhes deu. Os rebeldes tomam incensários e tentam subir à presença de Deus segundo seus próprios termos (Nm 16.17-18). Mas quando fazem isso, o chão sob seus pés se abre e os engole vivos (Nm 16.31-33). Em vez de subir a um lugar espiritual mais elevado, eles descem ao Sheol — o reino dos mortos. Os 250 que os seguem são consumidos por fogo vindo do Senhor (Nm 16.35). A tentativa deles de tomar posse do sacerdócio de Deus resulta em que a morte tome posse deles.
Mas, enquanto o falso sacerdócio desmorona, o verdadeiro sacerdote é revelado. Enquanto uma praga se espalha pelo acampamento por causa da rebelião (Nm 16.46), Arão toma o seu incensário — o incensário que Deus lhe ordenou levar — e corre para o meio do povo. Ele fica “entre os vivos e os mortos”, e a praga cessa (Nm 16.47-48). A diferença é inconfundível. Os incensários dos rebeldes levaram ao Sheol. O incensário do sacerdote escolhido por Deus leva à vida. Deus confirma o sacerdócio de Arão não por meio de poder político ou autopromoção, mas dando vida por meio daquele que ele designou.
Israel é um reino de sacerdotes. Mas eles não se tornam sacerdotes tomando autoridade para si mesmos. Eles se tornam sacerdotes colocando-se sob o sacerdote que Deus escolheu. É assim que serão trazidos para perto. É assim que viverão.
Onde está o Evangelho?
Essa história prepara o cenário para Jesus. Como Arão, Jesus é o sacerdote que Deus designou para estar entre a vida e a morte (Hb 4.14). Ele é aquele que intercede, aquele cujo ministério Deus reconhece, e aquele por meio de quem Deus traz o seu povo à sua presença.
Mas Jesus faz o que Arão nunca pôde fazer. Enquanto os rebeldes foram engolidos pelo Sheol, Jesus entra no Sheol voluntariamente. Ele desce às profundezas da morte e então se levanta dela, trazendo consigo a vida da ressurreição (Rm 6.9-10). E enquanto Arão deteve uma praga por um momento, Jesus quebra o poder do pecado e da morte para sempre (Hb 2.14-15).
A rebelião de Israel foi uma recusa em aceitar o sacerdote escolhido por Deus. A humanidade fez o mesmo. Mas, em vez de a terra abrir a boca para nos engolir, Jesus se oferece como aquele que entra na morte em nosso favor e então sobe dela. Porque ele é o sacerdote que Deus escolheu, a sua intercessão que dá vida é eficaz. O seu sacerdócio é o meio pelo qual Deus nos traz para perto.
E o Evangelho vai ainda mais longe. O mesmo Jesus que está entre a vida e a morte também nos faz um reino de sacerdotes (Ap 1.5-6). Não nos apossamos do sacerdócio; nós o recebemos como um dom sob a autoridade dele. Participamos da sua vida. Participamos da sua proximidade com Deus. E participamos do seu ministério ao mundo.
Enquanto os rebeldes tentaram alcançar as alturas e foram arrastados para baixo, ao Sheol, Jesus desce para nos levantar. Ele nos levanta da morte e nos traz para o seu monte de vida (Ef 2.6). Nele, finalmente nos tornamos o povo sacerdotal que Deus prometeu que seríamos.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que designa o sacerdote de que realmente precisamos, e para que você veja Jesus como o verdadeiro sacerdote que está entre os vivos e os mortos, que desce ao Sheol e ressuscita, e que nos faz o seu reino de sacerdotes no monte da vida.

