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Devocional

Números: 28-30

Tempo santo

Em Números 28-30, vemos que o Evangelho de Jesus é o novo acontecimento catalisador em torno do qual todo o nosso espaço e tempo deve ser orientado.

O que está acontecendo?

A antiga geração se foi. A nova geração foi contada, e já se começou a falar sobre como dividir a Terra prometida. E, no meio de toda essa contagem de tribos e medição de territórios, Números de repente se volta para um longo discurso sobre quais sacrifícios oferecer em quais dias, em quais festas e em cada estação do ano. Por que aqui? Por que agora?

No início de Números — logo depois que a primeira geração foi contada — Deus organizou Israel ao seu redor espacialmente (Números 2.2). A tenda de Deus estava no centro, com os levitas e as tribos ao redor dele. Todo o acampamento deles estava ordenado em torno do espaço santo.

Mas, quando cada tribo receber sua própria terra em Canaã, a antiga ordenação espacial não será mais possível. Eles não morarão mais todos ao redor do tabernáculo. Então, como Israel continuará a se orientar em torno de Deus depois de se espalhar pela Terra prometida?

A resposta não é mais o espaço santo, mas o tempo santo.

Sacrifícios e festas diários, semanais, mensais e anuais agora moldarão a vida de Israel com Deus. Todo o calendário deles deve ser esculpido pela lembrança — dia após dia, estação após estação — para que o próprio tempo se torne um santuário. A esperança é que, ao se lembrarem continuamente da obra salvadora de Deus no passado, permaneçam fiéis no presente e não repitam a rebelião de seus pais.

Essa longa seção sobre o tempo santo termina com uma breve palavra sobre votos (Números 30.2). Assim como os sacrifícios, os votos marcam momentos no tempo como santos. E a ordem é simples: votos feitos a Deus são sagrados, e não devem ser quebrados.

Onde está o Evangelho?

Todas as festas, sacrifícios e votos de Israel eram a maneira de Deus ensinar seu povo a habitar o tempo santo. Os ritmos de seus dias e anos deviam girar em torno do que Deus havia feito por eles. Mas, como Paulo diz em Colossenses, todos esses tempos sagrados eram “sombra das coisas que haviam de vir, mas a realidade pertence a Cristo” (Colossenses 2.17). Dias santos são bons — mas não são o ponto. Eles apontam.

E quando Jesus veio, a realidade finalmente chegou. Sua vida, sua morte, sua ressurreição e sua ascensão se tornaram o novo centro do tempo sagrado. Jesus mesmo é agora o calendário em torno do qual o povo de Deus deve girar.

Toda prática cristã se torna uma porta de entrada para esse novo tempo santo. Quando vamos à Mesa do Senhor, entramos na noite em que ele se entregou por nós e antecipamos o banquete que ele oferecerá quando voltar. Quando nos reunimos semanalmente para o culto, reencenamos a ressurreição que aconteceu no primeiro dia da semana. Quando guardamos o sábado, vivemos dentro do descanso que ele já garantiu. Quando oramos, jejuamos ou seguimos as estações do ano da igreja — Advento, Quaresma, Tempo Pascal — imergimos nossos dias e estações na história de Jesus.

Israel outrora olhava para trás — para a Páscoa, o Sinai e o deserto — para lembrar quem eram. Mas nós olhamos para Jesus: o único acontecimento que cumpre toda sombra, completa toda festa e centraliza todo voto. Ele é o significado por trás de toda a nossa lembrança, a presença por trás de todas as nossas práticas e a realidade à qual voltamos dia após dia.

Em Jesus, o próprio tempo voltou a ser santo. Cada manhã se torna um convite para lembrar sua misericórdia. Cada semana se torna uma reencenação de sua vitória. Cada estação se torna uma oportunidade de ser moldado por sua história. Jesus é o nosso tempo santo — aquele em quem vivemos, nos movemos e existimos.

Veja você mesmo

Oro para que o Espírito Santo lhe dê olhos para ver o Deus que ordena nossas vidas não apenas no espaço, mas também no tempo. E oro para que você veja Jesus como a realidade por trás de cada ritmo sagrado — aquele cuja história remodela nossos dias, estações e anos em tempo santo com ele.

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