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Devocional

Apocalipse 2-3

Cartas às sete igrejas

Em Apocalipse 2-3, vemos que Jesus é o clímax da história do Antigo Testamento e a prova definitiva de que Deus concede vida eterna àqueles que permanecem fiéis em meio ao sofrimento.

O que está acontecendo?

Em uma visão, Jesus diz a João que escreva a sete igrejas diferentes que estão sofrendo perseguição e lutando para suportá-la com fidelidade. João encoraja cada igreja a perseverar em seus sofrimentos, porque, se permanecerem fiéis a Jesus, receberão a vida eterna. Para comprovar isso, João aplica histórias da bíblia hebraica a cada igreja, mostrando-lhes como Deus sempre dá vida aos que sofrem, aos que são atacados e aos que são tentados.

A igreja em Éfeso está resistindo a um grupo de falsos mestres, mas seu compromisso com a sã doutrina os deixou carentes de amor (Apocalipse 2.1-6). Jesus os elogia por sua perseverança, mas também os chama ao arrependimento. Se voltarem a amar a Deus e ao próximo, Jesus promete que comerão da mesma árvore da vida disponível a Adão e Eva no jardim, e viverão para sempre (Apocalipse 2.7).

Os cristãos de Esmirna também estão sob ataque, especificamente de seus irmãos judeus. Como José no livro de Gênesis, eles são ameaçados de prisão e morte (Apocalipse 2.8-9). Mas Jesus lhes diz que, mesmo que morram, receberão, como José, a coroa do vencedor e reinarão com Deus para sempre (Apocalipse 2.10-11). 

A igreja em Pérgamo está enfrentando uma intensa oposição espiritual, muito parecida com a que os israelitas enfrentaram no deserto quando foram tentados por Balaão. Para que não comprometam sua fidelidade a Jesus ao permitir a imoralidade sexual e a idolatria, Jesus lhes diz que se arrependam e tragam a ele os seus desejos (Apocalipse 2.12-15). Quando fizerem isso, Jesus os alimentará como alimentou Israel no deserto. O novo maná que Jesus provê saciará eternamente os seus desejos (Apocalipse 2.16-17).

Os cristãos de Tiatira, apesar de seu amor fiel e de sua perseverança, toleram a imoralidade sexual e a idolatria, assim como Israel fez sob a influência de Jezabel (Apocalipse 2.20-23). Esses pecados levaram Israel ao exílio pelas mãos dos babilônios. Por isso, Jesus diz a essa igreja que se comprometam somente com a influência dele, se quiserem governar as nações em vez de serem conquistados por elas (Apocalipse 2.26-27). 

A igreja em Sardes deveria ser um posto avançado do reino de Deus em sua cidade, mas suas ações revelam uma crescente morte e decadência espirituais. Eles são como o Israel infiel no exílio, permitindo que o pecado das nações sede lentamente sua fidelidade espiritual. Jesus diz que eles precisam despertar de seu sono espiritual — e Deus promete que sua cidadania no céu nunca será revogada (Apocalipse 3.1-5).

A igreja em Filadélfia é profundamente comprometida com o caminho de Jesus e está morrendo por causa disso (Apocalipse 3.7-9). Jesus diz que, mesmo que morram na perseguição, eles são vitoriosos como reis e rainhas. Assim como seus antepassados reconstruíram o seu templo depois do exílio, suas mortes não são sem sentido. Deus está usando suas vidas derramadas para estabelecer seu novo templo na terra, onde Deus estará sempre com eles (Apocalipse 3.10-13). 

Por fim, os cristãos de Laodiceia comprometeram sua fidelidade a Jesus com a sua cultura. Eles são como água morna, resultado de fontes misturadas que não deveriam ser combinadas e que não pode ser bebida (Apocalipse 3.14-18). Mas, se abandonarem esse meio-termo entre quente e frio, e abraçarem de todo o coração o caminho sacrificial de Jesus, eles também ressuscitarão como Jesus e governarão o mundo com ele (Apocalipse 3.19-21).

Onde está o evangelho?

Cada uma das cartas de João às sete igrejas faz referência a histórias que percorrem a narrativa da bíblia. Mas a única carta de João que não inclui uma referência a uma história do Antigo Testamento é a entregue à morna Laodiceia. Em vez disso, eles são lembrados diretamente das palavras de Jesus (Mateus 24.33; Lucas 12.35-36). Jesus é o clímax da história do Antigo Testamento e a prova definitiva de que Deus concede vida eterna àqueles que permanecem fiéis em meio ao sofrimento. 

Toda a história do povo de Deus na bíblia é uma história de perseverança diante da perseguição e da tentação. João está convidando seus leitores a se unirem à história de seus antepassados. Mas as ameaças mencionadas nesses capítulos não são exclusivas do público de João. Podemos reconhecer lutas semelhantes: paixões esfriadas, falsos mestres, a falha em amar a Deus e ao próximo, e a pressão para se conformar à cultura de nossos dias. Comprometer-se com o caminho de Jesus sempre provocou e sempre provocará sofrimento e morte (João 15.18-20). 

Mas a boa notícia é que, assim como Jesus foi fiel e ressuscitou dos mortos, quando somos fiéis a Jesus, ele também nos ressuscita. Quando resistimos sacrificialmente ao falso ensino, ele nos dá coroas reais. Quando nos comprometemos de todo o coração com a obediência, mesmo que isso leve à morte, ele abre espaço para nós em seu trono. No início de um longo livro que descreve a grande dor e o sofrimento que logo sobrevirão ao mundo, Jesus nos lembra que o pior que o mundo pode fazer é nos matar. E, como aconteceu com Jesus, nossa morte só leva à vitória.

Veja por si mesmo

Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que dá vida eterna aos que perseveram. E que você veja Jesus como aquele que nos ressuscita para estarmos com Deus, mesmo quando morremos.

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