O que está acontecendo?
O livro de Apocalipse foi escrito para encorajar cristãos que sofriam, com visões que revelam Jesus entronizado, que reina sobre os seus perseguidores e sobre a própria morte. Quando o apóstolo João escreveu esta carta, ele estava exilado pelo Império Romano em Patmos, uma ilha reservada a criminosos e prisioneiros. De lá, João escreve aos seus irmãos cristãos que, como ele, sofriam por seguir Jesus (Apocalipse 1.1-2, 9). E João escreve a um grupo de sete igrejas que lutavam para enxergar alguma esperança além da perseguição que enfrentavam (Apocalipse 1.4). A saudação inicial de sua carta lembra os leitores de que Jesus sofreu e até morreu, como muitos deles. Mas, porque Jesus sofreu fielmente para salvar o seu povo, ele foi ressuscitado dos mortos e agora se assenta em um trono como Rei acima de todos os poderes que os perseguem (Apocalipse 1.4-5). João acrescenta que a vida e a morte de Jesus não são apenas acontecimentos do passado, mas um retrato do que logo acontecerá na vida deles. Se forem fiéis para sofrer como Jesus, também serão ressuscitados para reinar com Jesus (Apocalipse 1.6-8).
João continua dizendo que Jesus não é apenas um rei poderoso, mas um sacerdote gentil. Ele compartilha uma visão que Deus lhe deu (Apocalipse 1.9-11). Em sua visão, João vê sete gigantescos candelabros de ouro, como os usados no templo, espalhados pelo céu noturno. Jesus está de pé no meio deles, vestido como um sacerdote, com sete estrelas descansando em sua mão (Êxodo 25.31-40; Apocalipse 1.12-16). João explica que os candelabros representam as sete igrejas às quais ele escreve, e as estrelas representam os líderes dessas igrejas (Apocalipse 1.19-20). Embora não pareça assim em meio ao sofrimento delas, essas igrejas de fato reinam sobre os seus perseguidores como as estrelas reinam no céu noturno. E, assim como um sacerdote humano mantém acesa a luz da lâmpada no templo, Jesus está no céu cuidando com ternura de suas igrejas enquanto elas tremulam em seu sofrimento. Os líderes dessas igrejas não foram abandonados por Deus, mas descansam em sua mão (Apocalipse 1.17-18). Jesus é o Rei e Sacerdote cósmico deles, que está com eles em seu sofrimento. E ele usa todo o seu poder para levantá-los para reinar com ele, mesmo que morram.
Onde está o Evangelho?
João escreve a pessoas cuja visão foi obscurecida pelo sofrimento. Para elas, a vitória de seus perseguidores sobre suas vidas parecia inevitável. Mas a visão que João recebe de Jesus atravessa a névoa para revelar o que aconteceu com Jesus depois de sua morte. Ele foi ressuscitado à vida. Ele é agora o Rei e Sacerdote eterno do cosmos, que emprega todo o seu poder para levantar o seu povo a um trono ao lado do seu.
No Antigo Testamento, os líderes também lidavam com sacrifícios. Eles tomavam um animal morto e o levantavam sobre o altar de Deus. Enquanto queimava, a fumaça do sacrifício subia ao céu e entrava na sala do trono de Deus (Salmo 141.1-2). Nesta visão, Jesus faz o mesmo. Jesus garante que nenhum sofrimento ou sacrifício por causa dele seja desperdiçado ou esquecido. Como sacerdote, ele está pronto para preparar e levantar o seu povo à presença de Deus, para reinar ao lado dele.
De maneira decisiva, no início de uma carta escrita a cristãos que sofrem, João nos mostra que nosso sofrimento nunca significa que Deus perdeu o controle ou está sem poder para salvar. Nosso sofrimento nunca é ignorado ou esquecido, porque algo maior está acontecendo. Nossa vida, nossos sacrifícios e nosso sofrimento estão sendo cuidados por nosso Rei-Sacerdote Todo-poderoso, Jesus. Neste momento, ele segura nossa vida em suas mãos, como um cordeiro frágil ou uma chama tremulante. Jesus leva nosso sofrimento e nosso sacrifício a Deus, ora por nossa perseverança em meio ao sofrimento, e nos capacita a sofrer com ele, para que ressuscitemos dos mortos para reinar com ele (Romanos 8.34).
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que morreu e ressuscitou. E que você veja Jesus como nosso Rei Eterno e Sacerdote Gentil, que nos levanta, mesmo em nosso sofrimento.

