O que está acontecendo?
João vê uma visão de duas noivas que representam dois reinos — a falsa Jerusalém, que se rebelou contra Jesus, e a nova Jerusalém, que o segue até a morte. Uma é uma prostituta adúltera, a outra é uma esposa fiel e pura. Em toda a bíblia, unir-se a outras nações e poderes opostos a Deus é descrito como adultério e prostituição. Já permanecer fiel somente a Deus é visto como ser uma noiva irrepreensível.
João vê uma prostituta montada em uma besta, atraindo impérios e reis, representados como cabeças e chifres, a se unirem a ela na rebelião contra Deus. É um retrato de como a Jerusalém adúltera se aliou a Roma para perseguir os cristãos. Como fizeram os reis de Israel ao longo da história, ela se alia às riquezas de outros reis e se embriaga com a violência de outros impérios, em vez de ser fiel somente a Deus (Apocalipse 17.1-2). João vê que a prostituta está embriagada com o sangue dos fiéis que ela e seus amantes massacraram. Ela está vestida como uma sacerdotisa, montada nas costas de um monstro de sete cabeças e dez chifres (Apocalipse 17.3-6). Embora esteja usando as vestes sacerdotais do templo de Jerusalém, ela representa um reino oposto e seus governantes perversos (Apocalipse 11.7-9; 17.18; 18.24). Na tentativa de construir seu próprio reino global à parte de Deus, ela massacrará qualquer cidadão do reino de Jesus que se recuse a se unir a eles.
Mas um mensageiro do céu anuncia que a Jerusalém adúltera será destruída pelos reis que ela amou em vez de Deus. Como fizeram ao longo da história de Israel, os reis em quem ela confiou se voltaram contra ela e destruíram Jerusalém (Apocalipse 17.15-16a). Apropriadamente, ela recebe o castigo prescrito para quando a filha de um sacerdote se torna prostituta — queimar com a luxúria que teve por outros, morrendo pelo fogo (Apocalipse 17.16b; Levítico 21.9). Dessa forma, as palavras de Deus a respeito do destino da Jerusalém adúltera se cumprem (Apocalipse 17.17).
Então um anjo chama a Jerusalém prostituída de “Babilônia”. A Babilônia foi a parceira adúltera de Israel que levou ao seu primeiro exílio e à destruição de seu primeiro templo. O anjo anuncia que Jerusalém e seu templo atual cairão (Apocalipse 18.1). Como Jesus prometeu, o monte do templo seria lançado ao mar por não adorar fielmente somente a Deus (Apocalipse 18.21-24). A falsa Jerusalém, que se tornou uma esposa adúltera, passará. Imediatamente, outro anjo convoca todos os seguidores de Jesus a se afastarem da Jerusalém adúltera, para que não se tornem como ela e recebam a destruição que virá sobre ela (Apocalipse 18.4-8). Mas quando Jerusalém é traída pelos poderes em que confiou, eles não choram por seu pecado nem pela perda de seu templo. Em vez disso, choram pela perda da riqueza e do poder que os reis e os impérios lhes trouxeram (Apocalipse 18.9-20). Suas lágrimas não são lágrimas de uma esposa arrependida, mas as lágrimas de uma adúltera amargurada.
Em resposta às lágrimas e à destruição da esposa infiel, a esposa fiel se regozija na vitória. Uma grande multidão no céu irrompe em louvor, celebrando que Deus condenou a prostituta e vindicou sua noiva fiel (Apocalipse 19.1-5). Um novo cântico começa, anunciando que Jesus agora está pronto para se casar com sua noiva fiel, que perseverou em meio à perseguição da prostituta. Juntos, Jesus e sua esposa fiel se banquetearão em suas bodas. E um anjo diz a João que escreva a verdade de que os seguidores de Jesus não são simplesmente sobreviventes, mas uma esposa amada a quem Jesus pretende unir-se para sempre (Apocalipse 19.6-10). O cortejo nupcial então sai cavalgando com seu Marido e Rei, Jesus, à frente da procissão (Apocalipse 19.11-14). Unido à sua noiva fiel, o Rei dos reis passa a colocar o mundo inteiro em ordem com o poder de sua Palavra (Apocalipse 19.15-16).
Então toda a criação se une ao banquete de casamento, quando um anjo diz às aves que se preparem para se alimentar dos corpos de reis, comandantes e soldados dos exércitos malignos das bestas (Apocalipse 19.17-18). Essa é a mesma imagem que Deus deu a Ezequiel quando prometeu a derrota das nações perversas e a vinda de seu reino justo (Ezequiel 39.17-21). As nações perversas serão tão removidas do mundo que seus corpos não apenas serão espalhados pelo campo de batalha, mas levados pedaço por pedaço pelas aves do céu até os cantos mais remotos da criação. Nenhum vestígio do mal restará, enquanto Jesus e sua noiva fiel governam a criação juntos.
Onde está o Evangelho?
Em Apocalipse 19, uma encarnação da besta que vem da terra — a cidade prostituta de Jerusalém, culpada de matar tanto Jesus como seus primeiros seguidores — é destruída. A visão de João previu que a besta imperial se voltaria contra a prostituta e a queimaria até a morte. Historicamente, isso aconteceu quando Jerusalém foi destruída por Roma no ano 70 d.C. Mas as visões de João mostram a realidade por trás das nações perversas e da religião adúltera, que o povo de Deus pode esperar ver se cumprir repetidas vezes.
Em qualquer nação em que você viva, a falsa religião sempre encontrará um modo de se entrelaçar e seduzir o poder do Estado a confiar em suas riquezas, a se apoiar em seu poder e a expulsar o governo e o reinado de Jesus e de seus seguidores (João 15.20). Mas Apocalipse promete que a falsa religião, os reinos malignos e todos os poderes por trás deles um dia cairão para sempre.
A derrota da prostituta começou quando o marido fiel, Jesus, recusou todas as suas tentações. Quando foi tentado no deserto, Satanás lhe ofereceu as riquezas dos reis e o vinho do poder (Mateus 4.1-11). Mas Jesus foi fiel somente a Deus, para que pudesse apresentar a si mesmo uma noiva fiel somente a ele. Ao vencer as tentações da Babilônia, Jesus se tornou o único Rei do único reino que não sucumbiu às luxúrias destrutivas da prostituta. Portanto, ele é o único Rei do único reino dedicado a adorar somente a Deus. Assim, agora ele está chamando uma noiva fiel para fora dos reinos infiéis, para reinar com ele sobre as nações como sua esposa imaculada. Pois depois que a Babilônia cair para sempre, Jesus e sua noiva fiel celebrarão suas bodas, tornando-se o Rei e a Rainha fiéis definitivos, que governam o mundo para sempre e adoram somente a Deus.
João nos revela que a falsa religião sempre será destruída pelos poderes imperiais em que ela confia.
Foi exatamente isso que aconteceu na cruz. A instituição religiosa de Jerusalém se casou com o poder do império romano para matar Jesus, e dentro de uma geração Jerusalém foi destruída por Roma (Mateus 24.34). E embora Jesus tenha ressuscitado dos mortos, o falso sacerdócio e o templo de Jerusalém não ressuscitaram. Jesus está em seu trono acima dos poderes da falsa religião, do Estado e de Satanás (1 Pedro 3.22). A Babilônia já caiu antes, e cairá uma vez por todas pela mão do Rei que governa sobre todos eles. Jesus se uniu a uma noiva fiel que pode vencer as tentações da Babilônia até que ela caia para sempre debaixo de seus pés. Jesus virá para se banquetear conosco, sua noiva amada, em um mundo livre de todo mal.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que destrói a Babilônia. E que você veja Jesus como aquele que derrotou o poder da falsa religião para se casar com sua noiva.

