O que está acontecendo?
Israel deveria ser uma videira frutífera que alimentaria o mundo, mas se tornou uma haste seca, enchendo o mundo de morte. Por isso, Ezequiel propõe um enigma ao povo de Israel para ajudá-los a ver que Deus os sepultou em sua morte, mas os levantará para que finalmente produzam o fruto da vida. Usando imagens antigas associadas à família real de Israel — o leão, a videira e o cetro —, Ezequiel critica a família real de Israel (Gênesis 49.9-11). Ele profetiza que um dia nascerá um filho real digno, que governará o seu povo com justiça.
No enigma de Ezequiel, uma leoa cria um filhote para ser um predador feroz. Mas logo caçadores egípcios conspiram para prender e matar o leão (Ezequiel 19.2-4). Sem se deixar abater pela morte do filho, porém, a leoa cria outro filhote, ainda mais violento e terrível. Mas esse novo predador tem o mesmo fim. Desta vez, caçadores babilônicos perseguem, capturam e matam a fera, e levam sua carcaça para uma terra distante (Ezequiel 19.5-9). A leoa é Israel. Os filhotes ferozes são dois dos últimos reis de Israel. O rei mau Jeoacaz foi capturado e levado ao Egito. Seu irmão perverso, Jeoaquim, então assumiu o trono, apenas para ser rapidamente deposto e exilado para a Babilônia (2 Crônicas 36.2-8). Como leões selvagens, os reis de Israel governaram por meio do terror e da violência. E assim como se abate um animal perigoso, Deus eliminou a família real de Israel.
Ezequiel então compara enigmaticamente o filho de Jeoaquim, Joaquim, a uma videira. Uma videira cheia e carregada de frutos é plantada junto a um riacho (Ezequiel 19.10). Ela se ergue acima mesmo das árvores mais altas, e seus ramos são fortes o bastante para serem colhidos como cetros reais (Ezequiel 19.11). Mas dessa grande altura, um poder não identificado despoja, poda, arranca e queima a videira. Esse poder então planta um único ramo seco no deserto (Ezequiel 19.12-14). A videira é a família real de Israel. O fato de estar frutificando representa como, no passado, Israel produziu grandes líderes que empunharam seus cetros com justiça. O poder não identificado é Deus sepultando Israel por sua corrupção. E o ramo seco plantado no deserto é o rei Joaquim. Ele é o último membro vivo da família real de Israel. Mas agora está sentado em uma prisão babilônica (2 Reis 24.8-17).
É interessante que os dois enigmas de Ezequiel seguem as regras poéticas normais que regem os lamentos fúnebres, cânticos reservados para funerais. Embora esses enigmas critiquem a família real de Israel, eles também são uma forma de processar o luto pela perda de seu rei e de seu reino. Deus prometeu ao rei Davi que sua linhagem e seu reino durariam para sempre (2 Samuel 7.11-16). Mas esse enigma lamenta que essa promessa pareça quase inteiramente perdida. A única esperança de Israel é o encarcerado Joaquim, a última haste seca da árvore genealógica de Davi. A única esperança de Israel é que a linhagem real não seja totalmente perdida e que um filho digno finalmente nasça.
Onde está o Evangelho?
O filho digno que finalmente nasceu da árvore genealógica seca de Davi é Jesus (Mateus 1.1; Isaías 11.1; Zacarias 3.8; Jeremias 23.5). Criado na cidadezinha quase deserta de Nazaré, ele era o descendente real e o filho digno que Israel havia esperado (Lucas 2.39-40). Quando Jesus ascendeu ao poder, não governou por meio do terror ou da violência, mas, com compaixão, curou e alimentou o seu povo (Mateus 9.35-36; João 6.11-14). Jesus se recusou a ser como os reis violentos que Israel tivera antes. Tanto que, quando o povo de Deus tentou torná-lo rei à força, ele recusou (João 6.15).
O reino de Jesus não era de selvageria animal, mas de autossacrifício. Sua coroa foi feita de ramos de videira torcidos; seu trono foi uma cruz feita de madeira retorcida e sem verniz. Seu primeiro ato como o tão esperado Filho de Davi foi morrer pelo seu povo. Em vez de devorar seus súditos, ele ofereceu o seu próprio corpo e sangue para sustentá-los (Lucas 22.19-20).
Mas o corpo de Jesus não foi apenas sepultado; foi plantado. Depois de três dias de germinação, Jesus ressuscitou dos mortos. Jesus é o filho digno finalmente nascido da haste seca da linhagem real de Joaquim. O livro de Apocalipse nos diz que Jesus é o verdadeiro Leão da linhagem real de Israel e a Videira de Davi, e que ele agora está assentado com Deus como o verdadeiro Rei sobre o seu povo para sempre (Apocalipse 5.5). O Rei e o reino de Deus não foram perdidos; foram elevados ao trono eterno prometido a Davi. Não precisamos mais cantar lamentos fúnebres, porque o nosso Rei deixou o sepulcro para trás e vive para sempre.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que nos deu um Rei. Que você veja Jesus como o Rei sábio, justo e bom que governa para sempre.

