O que está acontecendo?
Deus escolheu o reino de Israel para trazer florescimento ao mundo, na esperança de levar todos os povos a adorar a Deus (Gênesis 12.1-3). Mas Israel abandonou esse chamado em favor do derramamento de sangue e da idolatria. Deus diz a Ezequiel que atue como seu promotor de acusação e declare culpada a capital de Israel, Jerusalém, em um julgamento global (Ezequiel 22.1-5). As provas são as seguintes: os reis de Israel mataram para proteger seu poder. Imigrantes, órfãos e viúvas são sistemicamente oprimidos. Calúnia, incesto, adultério, suborno e extorsão são generalizados (Ezequiel 22.6-12). Por esses crimes, o promotor Ezequiel pede a sentença de morte. Israel deve ser exilado de sua terra natal e disperso em vergonha entre os povos que devia abençoar (Ezequiel 22.13-16).
Mas Deus ainda pretende que Israel traga florescimento ao mundo. Para ele, o exílio não é, em primeiro lugar, um castigo; é um refino na esperança de um futuro melhor. Como um ferreiro purifica a prata derretendo-a na forja, Deus transformará Jerusalém em seu crisol. Dentro dos muros da cidade, a violência e a idolatria do seu povo serão queimadas. O que restará será um povo puro, pronto e capaz de levar adiante a missão de Deus (Ezequiel 22.17-22). Por enquanto, todos em Israel são culpados e estão em perigo diante do seu fogo purificador (Ezequiel 22.30-31). Israel está cheio de reis conspiradores, líderes abusivos, autoridades opressoras, profetas mentirosos e súditos ladrões (Ezequiel 22.23-29). Mas Deus promete que, em breve, Israel recuperará sua vocação e sua missão no mundo. O exílio que se aproxima não deve ser evitado como castigo, mas abraçado como purificação. Deus é um mestre ferreiro, e ele fará do seu povo a prata mais pura possível.
Na esperança de chocar Israel com a gravidade de sua culpa e com a necessidade de abraçar o exílio, Ezequiel, em detalhes pornográficos, descreve o povo de Deus como duas irmãs prostitutas (Ezequiel 23.1-4). Você mesmo pode ler os detalhes, mas ambas as irmãs são descritas como mulheres que anseiam ser tocadas, amadas e possuídas por qualquer soldado que passe (Ezequiel 23.5-8, 11-21). Seus desejos lascivos representam os compromissos políticos, religiosos e morais que o povo de Deus fez ao rejeitar seu chamado de abençoar o mundo. O juízo de Deus é este: se Israel tanto deseja ser íntima de outras nações, ele lhe dará exatamente o que ela deseja. As mesmas nações a quem se entregaram entrarão em suas cidades, as despirão e exporão Israel como a prostituta que se tornou (Ezequiel 23.9-10, 22-45). Mais uma vez, Ezequiel declara Israel culpado e, mais uma vez, exige a sentença de morte (Ezequiel 23.46-47). Mas Ezequiel também sabe que essa sentença de morte não é final. A morte e o exílio de Israel servem a um propósito maior. O exílio purificará o povo de Deus e, em breve, Israel retomará sua vocação de trazer florescimento ao mundo (Ezequiel 23.48-49).
Onde está o Evangelho?
O mundo é um lugar quebrado, mau e cruel. Ele precisa desesperadamente da bênção e do florescimento que Israel foi escolhido para oferecer, mas não entregou. Mas Ezequiel profetizou que, depois do crisol do exílio e da morte nacional, o povo de Deus se levantaria novamente, retomaria sua vocação e finalmente traria florescimento ao mundo. No entanto, a forja da morte nacional e do exílio não foi suficiente para purificar e refinar plenamente o povo de Deus. Israel continuou cheio de maldade depois da invasão da Babilônia. Então Deus, o ferreiro divino, decidiu vir a Israel mais uma vez para finalmente purificar seu povo em Jesus.
Como Ezequiel, o promotor de acusação, Jesus se aproximou de Jerusalém e a julgou, junto com seus líderes, por sua injustiça, idolatria e maldade (Mateus 23.1-36; Marcos 11.15-18). Jesus profetizou que a única maneira de o povo de Deus ser purificado era o sistema religioso corrupto de Israel ser destruído e queimado (Marcos 13.1-37). Mas, mesmo enquanto proferia essas palavras de fogo, Jesus disse que os oprimidos pelos líderes de Israel — os imigrantes, os órfãos e as viúvas — seriam os primeiros cidadãos do reino purificado que ele estava preparando (Mateus 5.1-12). Durante o ministério de Jesus, prostitutas se tornaram filhas de Deus (Lucas 7.37). Os possuídos por demônios se tornaram missionários (Lucas 8.26-29). Tanto revolucionários violentos como Simão quanto israelitas traidores como Mateus se tornaram discípulos (Marcos 3.13-19). Jesus purificou e transformou seu povo exatamente como Ezequiel profetizou.
Ezequiel disse que Jerusalém seria purificada pela invasão da Babilônia. É por isso que Jesus permitiu que seu corpo morresse em uma cruz romana. Jesus morreu porque queria se tornar o crisol do seu povo. Na cruz, Jesus aceitou a impureza, a maldade e o pecado do seu povo (2 Coríntios 5.21). Ele foi despido e exposto por causa da maldade do seu povo. Seu corpo se tornou a forja na qual a impureza do seu povo seria queimada. Nele, como em Jerusalém, nossa maldade, idolatria e derramamento de sangue são purificados (Hebreus 9.14). Jesus se tornou a forja na qual nossa maldade foi refinada para que nos tornássemos como prata — preciosos, puros e prontos para nos unir ao seu reino de bênção e trazer florescimento ao mundo.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que julga seu povo por sua violência e idolatria. E que você veja Jesus como o crisol no qual podemos nos lançar.

