O que está acontecendo?
Alguns cristãos coríntios duvidavam que fossem experimentar uma ressurreição futura. Essa dúvida era moldada pela cultura grega deles. Os gregos criam em Tânatos, o deus da Morte, que conduzia os espíritos das pessoas ao sombrio mundo inferior do Hades enquanto seus corpos apodreciam na terra. Para os gregos, a ideia de ressurreição levantava dois problemas. Primeiro, os poderes espirituais de Tânatos e do Hades precisariam ser derrotados para que os mortos voltassem à vida. Segundo, a ideia de retornar a um corpo em decomposição não era atraente para os gregos. Portanto, a ideia de que Jesus ressuscitaria corpos dentre os mortos não era apenas inacreditável — era indesejável. Além disso, a igreja enfrentava perseguição por crer em uma ideia tão pouco atraente.
Mas Paulo insiste que a ressurreição não é apenas possível, mas essencial. Os cristãos coríntios criam que Jesus ressuscitou dos mortos (1 Coríntios 15.1-2). Isso fazia parte da confissão original deles, e ainda assim eles não aplicavam a ressurreição de Jesus a si mesmos (1 Coríntios 15.3-8). Paulo destaca que, se não há ressurreição, então Jesus também não foi ressuscitado. E se Jesus não foi ressuscitado, então Paulo é mentiroso, a fé dos coríntios é inútil, a confiança deles é desperdiçada, e eles ainda estão sob os poderes do Hades e de Tânatos (1 Coríntios 15.12-19). Mas, uma vez que já sabem que Jesus ressuscitou, podem confiar que a própria ressurreição deles também virá.
Paulo mostra como a ressurreição de Jesus se conecta à ressurreição deles. No princípio, quando Adão se submeteu ao ser espiritual conhecido como a serpente, ele deixou a Morte entrar no mundo. Desde então, toda a humanidade sob Adão tem sido governada por Tânatos e aprisionada no Hades. Mas Paulo argumenta que, na ressurreição de Jesus, Tânatos e o Hades perdem seu domínio sobre a humanidade (1 Coríntios 15.24-25). Agora, ainda que toda a humanidade siga Adão até a Sepultura, toda a humanidade também seguirá Jesus para fora dela. Paulo compara essa verdade à agricultura. As primícias de uma plantação brotam antes que venha o restante da colheita. Da mesma forma, a ressurreição de Jesus rompeu o solo como as primícias da vida dentre os mortos, o que mostra que o restante da humanidade também será ressuscitado (1 Coríntios 15.20-23).
Paulo continua mostrando que a própria vida dos coríntios revela que eles já creem na ressurreição. A prática coríntia do batismo reencena a história de morte e ressurreição nas comunidades deles (1 Coríntios 15.29). Da mesma forma, a disposição de Paulo de sofrer a morte nesta vida prova que ele confia em uma vida de ressurreição que há de vir. Se não cressem na ressurreição, também não fariam tais sacrifícios (1 Coríntios 15.30-34). Mas as práticas deles e a perseguição revelam que de fato creem na vida dentre os mortos.
Paulo então responde às preocupações deles sobre que tipo de corpos terão na ressurreição. Eles imaginavam a ressurreição como uma reanimação dos mesmos corpos fracos que desceriam à terra. Mas Paulo extrai outra lição da agricultura para mostrar que a ressurreição transforma corpos fracos em novos corpos gloriosos (1 Coríntios 15.35-36). As sementes não se parecem com as plantas em que se tornam. Uma semente de melancia não se parece em nada com uma melancia. Da mesma forma, nossos corpos mortais e fracos serão semeados, mas ressuscitarão imortais e gloriosos. A diferença de glória entre os corpos terrenos que eles semearão e os corpos celestiais que se levantarão será tão dramática quanto a diferença entre um animal terreno e uma estrela celestial (1 Coríntios 15.37-41). Jesus provou que essa transformação é real. Jesus foi semeado na terra como Adão, mas ressuscitou em glória celestial. Esse é também o futuro dos coríntios. Eles não serão reanimados na forma do Adão que morre, mas transformados à semelhança de Jesus ressuscitado (1 Coríntios 15.42-48). Quando Jesus voltar, ele os transformará para serem como ele e viverem na imortalidade, onde a Morte e o Hades não existem mais (15.49-52).
Onde está o Evangelho?
Ainda que continuemos a morrer, a ressurreição de Jesus prova que nosso futuro não está na terra. O fim da história bíblica revela como será quando Jesus voltar para matar Tânatos e sepultar o Hades. O Jesus ressuscitado e glorificado virá ao nosso mundo de pó e morte. Quando ele vier, revestirá nosso mundo mortal de imortalidade (1 Coríntios 15.51-54; Apocalipse 21.4-5). Isso significa que todos os inimigos, incluindo Tânatos e o Hades, perecerão (Apocalipse 20.13-14).
É por isso que Paulo zomba da Morte com Oseias 13.14: “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” Originalmente, esse versículo convocava a Morte a executar o juízo de Deus, mas Paulo o transforma em um cântico de escárnio (1 Coríntios 15.54-57). Na ressurreição e na volta de Jesus, a vitória da Morte não se encontra em lugar algum. Seu poder foi tirado. Todo inimigo — incluindo o último, a Morte — será colocado debaixo dos pés de Jesus (1 Coríntios 15.25-28).
Paulo termina chamando os coríntios a permanecerem firmes na esperança deles na ressurreição (1 Coríntios 15.58). Eles podem perseverar em meio a qualquer dificuldade, porque a ressurreição significa que a esperança deles não é vã. O mesmo vale para nós. Se Jesus ressuscitou dos mortos, e se ressuscitaremos com ele, então nenhum sacrifício é desperdiçado. Nenhum sofrimento é sem sentido. Nenhum ato de lealdade a Jesus jamais será esquecido. A Morte não tem a palavra final — Jesus tem.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que reina sobre todo inimigo. E que você veja Jesus como aquele que esmagou a Morte, engoliu o Hades e chama você para a sua vida imortal.

