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Devocional

1 Coríntios 11

Adoração que reflete a glória de Deus

Em 1 Coríntios 11, vemos que Jesus é a imagem e a glória de Deus, que nos alimenta à sua mesa e serve humildemente a todos aqueles que nele encontram sua fonte.

O que está acontecendo? 

A igreja em Corinto está cheia de cristãos vindos de contextos pagãos. Por isso, eles trazem suas antigas práticas pagãs para dentro da igreja. Duas dessas práticas — o costume de cobrir a cabeça e as refeições da Santa Ceia — levaram a relacionamentos rompidos entre homens e mulheres, entre seres humanos e seres espirituais, e entre ricos e pobres. Então Paulo lhes mostra como curar esses relacionamentos ao se parecerem menos com os pagãos e mais com Jesus. 

Paulo diz aos homens que não cubram a cabeça na igreja como os pagãos fazem em seus templos. Nos templos pagãos, os homens da elite cobriam a cabeça para mostrar que seus espíritos invisíveis eram superiores a seus corpos físicos. Mas Paulo os lembra de que os seres humanos, feitos à imagem de Deus, refletem a glória dele por meio do corpo (1 Coríntios 11.7). Ao cobrir a cabeça, os homens cristãos de Corinto reforçavam uma visão falsa e pagã da Criação de Deus e do relacionamento dele com eles (1 Coríntios 11.4). Assim, para se parecerem mais com Jesus, Paulo os exorta a descobrir a cabeça e a revelar humildemente a glória de Deus. 

Paulo também diz às mulheres como o uso que fazem da cobertura de cabeça as está fazendo parecer mais com os pagãos e menos com Jesus. O cabelo de uma mulher coríntia significava sua fertilidade e disponibilidade sexual. Em público, as mulheres casadas cobriam a cabeça para evitar atenção sexual. Nos templos pagãos, porém, as mulheres descobriam o cabelo para atrair homens que queriam adorar seus deuses por meio de encontros sexuais. Além disso, as mulheres escravizadas tinham a cabeça raspada para marcá-las publicamente como disponíveis para exploração sexual, sem a possibilidade de fertilidade. Por isso, Paulo diz às mulheres cristãs de Corinto que cubram a cabeça (1 Coríntios 11.5-6). Paulo instrui as mulheres cristãs de Corinto a cobrir a cabeça não para diminuí-las, mas para manter a adoração centrada na glória de Deus, e não na glória do homem. 

Paulo também adverte os coríntios de que suas reuniões não devem se parecer com os modos sexualmente imorais pelos quais os pagãos tinham comunhão com seres espirituais malignos. No que soa como uma ordem estranha, Paulo diz às mulheres coríntias que cubram a cabeça por causa dos anjos (1 Coríntios 11.10). Ele evoca Gênesis 6 e o auge do mal humano e espiritual, quando seres espirituais desejaram deitar-se com mulheres humanas (Gênesis 6.2-4). Mas a igreja reunida não tem comunhão com Jesus por meio de atos físicos de orgia, e sim por meio do ato físico de vir à mesa do Senhor. Dado o contexto pagão em que viviam, as mulheres cristãs de Corinto cobrem a cabeça para mostrar que não estão atraindo a atenção de seres espirituais. A igreja de Corinto se reunia unicamente para ter comunhão com Jesus.

Os cristãos de Corinto também estavam usando a refeição da Santa Ceia para se parecerem mais com os pagãos e menos com Jesus. Os pagãos de Corinto participavam de banquetes desregrados de orgia em honra de seus deuses. Nesses banquetes, os ricos comiam até vomitar e bebiam até a embriaguez. Alguns coríntios tratavam a Santa Ceia da mesma maneira. Os ricos se empanturravam e se embriagavam, deixando os pobres sem nada (1 Coríntios 11.17-21). Mas Paulo os lembra de que a Santa Ceia não se trata de excessos, mas de proclamar a morte sacrificial de Jesus. Jesus é o rico que deu sua carne e seu sangue para alimentar os pobres (1 Coríntios 11.23-26). Para os ricos, participar de modo egoísta é desprezar o sacrifício que Jesus fez por eles. Todos os cristãos, independentemente de sua posição social, devem estar unidos ao redor da mesa de Jesus (1 Coríntios 11.27-29). 

Onde está o Evangelho?

Os pagãos de Corinto buscavam comunhão divina por meio de relacionamentos rompidos entre homens e mulheres, entre seres humanos e seres espirituais, e entre ricos e pobres. Então Paulo explica como ter comunhão com Jesus cura seus relacionamentos e é a verdadeira comunhão com Deus. 

É por isso que Paulo fala sobre a condição de cabeça. Ser cabeça tem a ver com origem ou fonte, assim como a nascente de um rio é a fonte de um lago. Paulo diz que a fonte de todo homem é Cristo, a fonte de toda mulher é o homem, e a fonte de Cristo é Deus (1 Coríntios 11.3). Paulo está dizendo que homens, mulheres, ricos, pobres, os da elite e os escravizados, todos compartilham sua origem em Deus. Eles são um em Jesus, onde não há divisão. 

O que é incrível nisso é que homens e mulheres podem participar de um relacionamento que reflete o relacionamento entre Deus e Jesus. Deus é a cabeça de Jesus — o Filho vem do Pai, e ainda assim ambos compartilham uma só natureza divina (Hebreus 1.3). Da mesma forma, o homem é a cabeça da mulher — Eva foi tirada de Adão, e ainda assim ambos compartilham uma só natureza humana (Gênesis 1.27; 2.22). E todos encontram sua fonte em Deus por meio de Jesus. Embora estejamos em relacionamentos distintos e de dependência, somos um em Cristo.

Paulo instruiu os homens de Corinto a não cobrir a cabeça e velar a glória de Deus. Jesus é o homem por excelência, que nos desvelou a glória de Deus. O homem Jesus é a imagem de Deus e o próprio Deus (Colossenses 1.15). Aquilo que Jesus é, é exatamente aquilo que Deus é. Jesus revela que Deus usa sua condição de cabeça para servir humildemente a todos aqueles que nele encontram sua fonte. Jesus se submeteu à condição de cabeça de Deus quando morreu para salvar sua igreja, da qual ele é a cabeça (Colossenses 1.18).

É isso que celebramos na Santa Ceia. Na Santa Ceia, todos os cristãos vêm à mesma mesa e têm comunhão com o mesmo Deus (1 Coríntios 10.16-17). Seja você rico ou pobre, homem ou mulher, como cristãos, todos nós encontramos nossa fonte e nossa vida no corpo humilde de nossa cabeça, Jesus. 

Veja por si mesmo 

Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que é a fonte de toda a vida. E que você veja Jesus como a imagem e a glória de Deus, que morreu para nos alimentar e nos tornar semelhantes a ele. 

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