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Devocional

1 Coríntios 8-10

O amor limita a liberdade

Em 1 Coríntios 8-10, vemos que Jesus abriu mão de sua liberdade suprema para nos salvar e nos chama a comungar à sua mesa com o próprio Deus.

O que está acontecendo?

Corinto era uma cidade devotada aos seus deuses. Uma das formas pelas quais os coríntios comungavam com esses deuses era por meio de sacrifícios em banquetes nos templos. Essas refeições eram mais do que comida; eram adoração. Se você comia em um templo, não estava apenas jantando — estava partilhando a mesa com um deus. E agora, como seguidores de Jesus, os cristãos de Corinto vinham a uma nova mesa para comungar com ele. Mas havia desunião. Alguns se sentiam livres para continuar comendo nessas refeições pagãs. Outros se recusavam a comer a carne vendida nos mercados porque qualquer ligação com festivais pagãos os perturbava. Essas visões diferentes sobre a carne sacrificada aos ídolos estavam causando desunião na igreja e comprometendo a comunhão com Jesus. 

O apóstolo Paulo diz àqueles que se sentem livres para comer carne que limitem sua liberdade em favor dos outros. Alguns crentes se sentiam livres para comer alimentos sacrificados aos ídolos porque sabiam que, embora existam seres espirituais que receberam indevidamente adoração por meio da idolatria, há somente um Deus Criador supremo, revelado em Jesus, que criou todos eles (1 Coríntios 8.4-6). Portanto, uma vez que Deus fez todas as coisas, eles podem desfrutar de tudo o que ele fez, incluindo a carne sacrificada aos ídolos (1 Coríntios 10.26). Mas muitos na igreja de Corinto, que cresceram com esses ídolos, se perturbavam com qualquer associação com aquelas refeições (1 Coríntios 8.7). Se vissem irmãos cristãos comendo carne sacrificada aos ídolos, poderiam pensar que estão livres para comungar com deuses pagãos (1 Coríntios 8.8-12; 10.28). Por isso Paulo ordena aos coríntios que se sentem livres para comer que amem seus irmãos cristãos limitando-se, para não fazer os outros tropeçarem (1 Coríntios 8.13; 10.23-31). Isso porque o amor limita conscientemente sua liberdade para que outros sejam salvos.

Uma vez que Paulo pediu aos coríntios que têm esse conhecimento para limitarem a sua liberdade, ele mostra como limitou a sua própria. Como apóstolo e pregador, Paulo tinha a liberdade e o direito de ser sustentado pela igreja em seu trabalho (1 Coríntios 9.1-12). No entanto, ele não exerceu essa liberdade, mas escolheu se sustentar para poder pregar o evangelho gratuitamente (1 Coríntios 9.13-18). Já que Paulo não responde a ninguém além de Deus, ele é livre de todas as leis e costumes. Ainda assim, quando está entre judeus, limita sua liberdade e come conforme a lei judaica. Quando está entre pagãos, deixa de lado as leis alimentares judaicas para comer com eles (1 Coríntios 9.19-23). Em amor, ele limita sua liberdade para que outros sejam salvos. Como outro exemplo de liberdade limitada, Paulo menciona os atletas. Os atletas limitam conscientemente sua liberdade para condicionar o corpo e conquistar um prêmio. Para Paulo, o prêmio é salvar quantos puder, por isso ele de bom grado limita qualquer liberdade para ganhá-los (1 Coríntios 9.24-27). 

Paulo então dá um exemplo da história de Israel para mostrar que comungar com Deus e com ídolos é incompatível. Depois de ser libertado da escravidão e da idolatria no Egito, Israel comungou com Deus no deserto. Deus os alimentou com pão miraculoso do céu e fez água brotar de uma rocha (1 Coríntios 10.1-4). Era uma refeição espiritual com Deus. Ainda assim, logo depois, os israelitas construíram um ídolo e realizaram um festival pagão. Isso levou à sua destruição (1 Coríntios 10.5-7). Paulo relaciona isso aos coríntios. Eles participam de uma refeição espiritual real com Deus na Santa Ceia (1 Coríntios 10.16-17). Se depois forem comer com ídolos pagãos, cometem o mesmo erro de Israel e correm o risco da mesma destruição (1 Coríntios 10.12,21-22). Paulo usa esses exemplos tanto para advertir como para encorajar os crentes de Corinto. Eles não são os únicos a enfrentar essa luta. A história do povo de Deus está cheia de tentações como essas. E Deus provê uma saída da comunhão com ídolos ao prover comunhão verdadeira com ele (1 Coríntios 10.11-13). 

Onde está o Evangelho? 

Paulo diz aos coríntios que sigam o seu exemplo, assim como ele segue Cristo (1 Coríntios 11.1). E o exemplo de Cristo é este: o verdadeiro amor é abrir mão da sua liberdade em favor do outro.  

Ninguém é mais livre do que Jesus. Ele é o Deus eterno e infinito. E, no entanto, por nossa causa, ele abriu mão de sua liberdade e viveu em fraqueza, pobreza e fome humanas. O Governante supremo de todo o universo tornou-se servo, para que pudesse nos salvar (Filipenses 2.5-8). Jesus não apenas viveu como ser humano — ele também morreu como ser humano. Ele nos deu o seu corpo e o seu sangue para que, nele, pudéssemos verdadeiramente comungar com Deus (João 6.54-57). 

Jesus sempre se deu ao seu povo. Foi ele quem alimentou Israel no deserto. Ele foi a rocha que lhes deu água e o pão do céu que os alimentou (1 Coríntios 10.4; João 6.51). E agora, por meio da Santa Ceia, Jesus se oferece novamente a nós. Cada vez que tomamos o pão e o cálice, comungamos com Jesus (Mateus 26.26-28). Nessa refeição com Deus, somos um com ele e um uns com os outros (1 Coríntios 10.16-17).  

E é por isso que Paulo diz aos coríntios para não comprometerem essa união. Se você recebeu um lugar à mesa de Jesus, por que se sentaria a qualquer outra? Se ele chamou você à comunhão com o próprio Deus, por que buscaria comunhão com algo menor?  

Paulo os exorta — e nos exorta — a não usar nossa liberdade de forma egoísta, mas a abrir mão dela por amor uns aos outros (1 Coríntios 10.31-33). Você pode ter liberdade para desfrutar dos bons dons de Deus de uma maneira que é difícil para outras pessoas. Mas, em Cristo, você tem uma liberdade maior para abrir mão de qualquer coisa que se torne motivo de luta para outra pessoa. Portanto, deixemos de lado tudo o que comprometa nossa unidade com Jesus e uns com os outros (Colossenses 3.5-11). Como atletas, corramos a corrida com perseverança, pois sabemos que o prêmio que perseguimos é real e vale a pena. Deixamos de lado qualquer coisa para ganhar o prêmio: a comunhão com o próprio Jesus.  

Veja por si mesmo

Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que chama o seu povo a uma comunhão profunda com ele. E que você veja Jesus como aquele que abriu mão de tudo para que você participe da sua vida.

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