O que está acontecendo?
Paulo está trabalhando para reparar uma profunda fratura relacional com a igreja em Corinto. Sua liderança está sendo questionada, seus motivos são mal compreendidos e seu amor pela igreja é posto em dúvida. É provável que falsos mestres, buscando assumir o controle da igreja que Paulo plantou, estivessem semeando desconfiança. Para minar Paulo, provavelmente apontaram para uma carta disciplinar que ele havia escrito aos coríntios. Em lágrimas, Paulo usou sua autoridade para denunciar o pecado que ameaçava a igreja, nomear as pessoas afetadas por ele e exortar ao arrependimento (2 Coríntios 7.8-9). A carta foi eficaz: entristeceu os coríntios, e eles obedeceram, mas se sentiram distantes de Paulo. Então os falsos mestres distorceram essa tristeza, transformando-a em prova de que Paulo estava irado e havia fechado seu coração para eles.
Paulo defende seu amor abrindo seu coração. Ele foi aberto a respeito do pecado deles porque queria ser aberto em seu amor por eles (2 Coríntios 6.11). Por sua vez, pede que os coríntios estejam abertos a ouvir as razões de seu amor firme (2 Coríntios 6.12-13).
A razão do amor firme de Paulo é seu desejo pela pureza dos coríntios. Paulo não quer que os coríntios compartilhem o mesmo jugo com descrentes (2 Coríntios 6.14). Ele faz referência ao Deuteronômio, na Bíblia Hebraica, que proíbe misturar sementes em um campo, tecidos em uma roupa e animais em um arado (Deuteronômio 22.9-10). Essas leis ensinavam o povo de Deus a não misturar as formas de culto pagão com o caminho de seguir a Deus. Ensinavam que Deus e demônios não se misturam, assim como luz e trevas não podem coexistir (2 Coríntios 6.15-16). Além disso, o jugo de um animal simbolizava alguém que se colocava sob a instrução de um mestre (Mateus 11.29). Paulo está ciente da ameaça dos falsos mestres à sua amada comunidade, e é por isso que adverte os coríntios a não abandonarem o jugo de sua liderança por outro. O outro jugo é conduzido por falsos mestres que os estão afastando não apenas de Paulo, mas de Jesus.
Recorrendo novamente à Bíblia Hebraica, Paulo lembra os coríntios de que foram chamados para fora das nações para ser um povo puro que pertence a Deus. Ele cita a promessa de Deus de habitar com seu povo à medida que este se purifica das práticas pagãs impuras ao seu redor (2 Coríntios 6.16-17; Levítico 26.12; Isaías 52.11). Os cristãos de Corinto foram chamados a ser puros. De fato, Paulo chama a comunidade deles de templo do Deus vivo (2 Coríntios 6.16). E, como o templo de Deus precisa ser uma habitação não profanada para ele, Paulo os chama a purificar o templo (2 Coríntios 7.1). Ou seja, a remover os falsos mestres e as influências da cultura pagã.
À luz de seu desejo pela pureza deles, Paulo apela novamente aos coríntios para que vejam seu amor por eles (2 Coríntios 7.2). Embora ele tenha escrito a carta em lágrimas, e os coríntios a tenham recebido com lágrimas, ela revelou o amor que tinham uns pelos outros. Paulo amou o suficiente para lhes dizer verdades difíceis, e eles respeitaram sua liderança o suficiente para obedecer e se arrepender, mesmo quando aquele jugo doía (2 Coríntios 7.10-12). Paulo menciona seu cooperador Tito, que, ao voltar de Corinto, contou a Paulo como ficou impressionado com a prontidão dos coríntios para fazer o que é certo, mesmo em lágrimas (2 Coríntios 7.13-15). Os corações de Paulo e dos coríntios podem ter sido partidos por causa da carta, mas o amor deles se mostrou ainda mais forte por isso (2 Coríntios 7.16).
Onde está o Evangelho?
Quando somos convencidos de nosso pecado, é fácil acreditar que a tristeza significa rejeição. Essa é a mentira em que o primeiro falso mestre, Satanás, quer que acreditemos. Mas o coração de Deus não está fechado para nós. A razão dessa tristeza não é distância, mas amor e santidade mais profundos (Tiago 4.4-10). Deus está comprometido em viver conosco e em nós, por isso nos dá mestres como Paulo, comprometidos em preservar a santidade de seu templo. Com zelo, eles nos chamam a uma lealdade sem misturas a Deus (Hebreus 13.17).
A correção pode doer, mas é feita em amor e por causa da pureza. Falsos mestres preferem manter sua posição a dizer verdades difíceis. Mas os verdadeiros mestres de Jesus carregam o jugo da responsabilidade de guiar as pessoas a Jesus e à sua pureza. Como Paulo, eles se arriscam a ter seus motivos mal compreendidos e sua liderança questionada, para que o templo de Deus não seja profanado por nenhum pecado. Isso é seguir a liderança de Jesus sobre sua igreja. Ele não derramou apenas lágrimas, mas palavras de purificação e seu próprio sangue, para tornar sua igreja limpa e sem mancha (Efésios 5.26-27; 1 João 1.7). E, depois de sua ascensão, enviou seu Espírito para viver em seu povo e fazer dele o seu templo santo. Continuamos a vê-lo abrir seu coração em amor por meio de cartas de mestres como Paulo. No livro de Apocalipse, o apóstolo João escreve a sete igrejas, compartilhando com elas o coração de Jesus. Jesus afirma amorosamente sua confiança nelas, mas também lhes diz a verdade difícil sobre pecados que toleram (Apocalipse 2.2-6, 19-25). Ele as exorta a não misturarem sua lealdade a ele com a cultura pagã ao seu redor, e amorosamente as chama a serem puras (Apocalipse 2.13-16). Tanto João como Paulo refletem o amor de Jesus e seu compromisso de coração aberto de tornar o povo de Deus puro do pecado.
Mesmo quando estamos entristecidos por nosso pecado, o coração de Jesus permanece totalmente aberto (Hebreus 10.22-23). Os mestres que o seguem só querem nos aproximar mais dele e aprofundar nosso amor por ele e uns pelos outros. Quanto mais nos arrependemos e abrimos nosso coração uns para os outros, mais participamos da pureza e do amor de Jesus.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que envia mestres comprometidos em tornar os crentes santos. E que você veja Jesus como aquele cujo coração está aberto para receber todos os que se arrependem.

