O que está acontecendo?
O apóstolo Paulo vem preparando os coríntios para sua próxima visita. Ele os lembra de uma promessa que fizeram de dar apoio financeiro a algumas igrejas perseguidas na Judeia, que se beneficiariam muito da generosidade dos ricos coríntios (2 Coríntios 8.10-11; 9.1-5). Esse apoio, porém, não foi dado. Em um esforço para reavivar o entusiasmo inicial dos coríntios em dar e para garantir que tenham uma oferta pronta quando ele chegar, Paulo não apenas os lembra de sua promessa, mas também explica como a generosidade, no fim, os beneficia.
Paulo começa destacando a generosidade das igrejas da Macedônia (2 Coríntios 8.1). Embora fossem pobres e severamente perseguidas, deram com alegria e abundância (2 Coríntios 8.2-3). Apesar de sua própria pobreza, esses mendigos imploraram pela oportunidade de contribuir com o fundo de auxílio (2 Coríntios 8.4). Paulo observa que eles primeiro se entregaram plenamente a Deus. Essa disposição transformou uma das comunidades mais pobres nos doadores mais generosos (2 Coríntios 8.5). Paulo chama os ricos coríntios a imitar os pobres macedônios, mostrando seu compromisso com Deus por meio de uma disposição semelhante de serem generosos (2 Coríntios 8.6-8). Mais importante ainda, devem imitar Jesus, que abandonou as riquezas do céu e se tornou pobre para se dar generosamente aos coríntios, tornando-os ricos (2 Coríntios 8.9). Como são os destinatários da generosidade de Deus, agora têm também a oportunidade de serem canais da generosidade dele.
Paulo continua explicando que o objetivo da generosidade é garantir que todos tenham o suficiente (2 Coríntios 8.13-14). Ele os alerta contra a cobiça, lembrando como Deus providenciou milagrosamente o maná para Israel no deserto (2 Coríntios 8.15). Algumas pessoas acumulavam maná com cobiça, enquanto outras não recolhiam o suficiente. Ainda assim, misteriosamente, Deus garantiu que todos tivessem a mesma quantidade (Êxodo 16.18). De modo semelhante, Deus pode usar a generosidade dos coríntios para recriar esse milagre, garantindo que todos tenham o suficiente.
Paulo então aplica certa pressão social. Ele lhes diz que Tito e outros líderes respeitados da igreja ouviram sobre o compromisso dos coríntios de dar, e virão em breve recolher a oferta (2 Coríntios 8.16-24; 9.3). Se os cristãos coríntios não cumprirem sua promessa quando Tito e os outros chegarem, passarão vergonha publicamente — especialmente depois de a Macedônia ter dado tão generosamente (2 Coríntios 9.1-2, 4-5).
Para encorajar ainda mais a generosidade, Paulo compara o ato de dar a um agricultor que planta sementes. Os agricultores esvaziam com entusiasmo os bolsos e espalham a semente pelo campo, sabendo que mais sementes “perdidas” significam mais colheita ganha (2 Coríntios 9.6). Seguindo esse padrão, os coríntios também devem dar generosamente do que têm, confiando que Deus lhes proverá o que precisam à medida que espalham suas ofertas aos outros (2 Coríntios 9.7-8). Paulo cita o Salmo 112 para lembrá-los de que Deus, em toda a sua riqueza, dá generosamente aos pobres do mundo. Aqueles que se juntam a Deus no cuidado dos necessitados participam de sua alegria de colher uma colheita de gratidão e louvor (2 Coríntios 9.9-10; Salmo 112.5-9). E assim como os agricultores “perdem” semente para ganhar pão, se os coríntios se unirem à obra de Deus, seu ato de dar não apenas encherá os estômagos de irmãos e irmãs famintos, mas também encherá suas bocas de gratidão a Deus e os céus de orações pelos coríntios (2 Coríntios 9.11-15). Assim como o agricultor não sofre perda alguma por ser generoso com as sementes, os coríntios têm tudo a ganhar ao participar do dom da generosidade de Deus.
Onde está o Evangelho?
Paulo quer que os coríntios vejam e sigam os exemplos de generosidade ao seu redor. Ele menciona a generosidade entusiasmada de seus irmãos e irmãs macedônios. Eles excederam todas as expectativas ao se entregarem plenamente a Deus e depois, abundantemente, às igrejas necessitadas (2 Coríntios 8.1-5). A razão pela qual puderam fazer isso é que haviam experimentado a generosidade sem limites de Deus em Jesus.
Jesus é o Deus rico e generoso que fez o universo. Cada joia em cada coroa, cada rua em cada cidade, cada homem, cada terra, cada litoral, catedral e galáxia foram feitos por ele e para ele (João 1.3; Colossenses 1.15-17). E ele não apenas criou todas as coisas, mas as sustenta amorosamente. Ele dá generosamente às suas criaturas o que elas precisam para viver, seja semente para os agricultores, seja maná no deserto para o seu povo. E mais misterioso que qualquer outro dom é o fato de que Jesus, o Deus rico do universo, dá a si mesmo a pessoas pobres.
Em generosidade sem limites, Jesus se tornou pobre para tornar muitos ricos nele. Nascido na pobreza, Jesus semeou generosamente nos pobres e necessitados. Deu comida aos famintos, amizade aos rejeitados, cura aos doentes, perdão ao pecador e até vida aos mortos. E, no maior ato de generosidade, Jesus deu a si mesmo. Semeou sua vida na terra, morrendo para se unir à humanidade na pobreza da sepultura. Mas, ao perder sua vida, Jesus ganhou uma colheita de ressurreição para todos. Agora, o Jesus ressurreto vem a mendigos pobres como nós para nos tornar coerdeiros com ele na vida eterna.
Essa é a generosidade que cativou os corações dos pobres macedônios de tal modo que eles dariam tudo para fazer parte dela. Paulo estende o convite aos coríntios e a nós — de nos unirmos à generosidade sem limites de Jesus. Podemos nos entregar plenamente a Jesus, sabendo que, tendo-o, ganhamos tudo. Jesus nos convida à mesma obra de semear generosamente nos pobres e necessitados ao nosso redor, para que possamos colher uma colheita de louvor e gratidão no céu. Podemos gastar com alegria a nós mesmos e os nossos bens, sabendo que estamos investindo para que cada vez mais pessoas experimentem a generosidade e a vida de Jesus.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que é generoso com sua riqueza. E que você veja Jesus como aquele que deu a própria vida por nós para que pudéssemos participar de suas riquezas.

