O que está acontecendo?
A igreja plantada em Corinto pelo apóstolo Paulo está em dificuldades. Falsos mestres estão minando a credibilidade de Paulo como pregador confiável da verdade. Além disso, o fato de Paulo não ter visitado Corinto como havia planejado semeou mais dúvidas na confiança que os coríntios tinham nele. Eles pensavam que Paulo ou havia desistido deles ou ainda estava irado com eles, e os falsos mestres aumentavam o desânimo deles. Eles minavam o caráter de Paulo dizendo aos cristãos coríntios que ele os havia deixado na mão. Eles afirmam que seus muitos sofrimentos não apenas o tornam pouco impressionante, mas também lançam dúvida sobre se ele realmente fala em nome de Deus. Por isso Paulo escreve o que conhecemos como 2 Coríntios para mostrar à sua amada igreja que ele não desistiu dela, que seus sofrimentos validam seu apostolado e, de fato, são parte essencial da vida com Deus por meio de seu Filho sofredor, Jesus.
Paulo fundamenta seu sofrimento no sofrimento de Jesus. Em Jesus, Deus Filho se uniu em misericórdia às aflições de sua criação para unir seu povo ao consolo de sua presença e ressurreição (2 Coríntios 1.3-4). Quando os coríntios sofrem, não são abandonados, mas unidos a Jesus e ligados ao seu consolo (2 Coríntios 1.5). Paulo vê suas próprias provações pela mesma perspectiva. Assim como Jesus entrou na dor da humanidade, Paulo entrou na aflição dos coríntios (2 Coríntios 1.6). Sua perseguição, suas dificuldades e suas experiências de quase morte não servem como desqualificação para o ministério, mas como evidência de sua participação na vida e na morte de Jesus (2 Coríntios 1.8-10). Longe de enfraquecer sua ligação com os coríntios, seu sofrimento a aprofunda. Isso permite que Paulo se una aos coríntios na perseguição que eles enfrentam, e permite que os coríntios se unam a Paulo orando por ele em sua perseguição (2 Coríntios 1.11). Em Corinto, o sofrimento não mina a autoridade de Paulo; ele a estabelece.
Em seguida, Paulo explica que mudou sabiamente seus planos de viagem para o bem da igreja de Corinto (2 Coríntios 1.12-14). Ele não adiou sua visita por malícia ou engano, mas para poupar a igreja que ama de outra visita dolorosa (2 Coríntios 2.1). Paulo estava lhes dando tempo para se arrependerem dos caminhos destrutivos e dos falsos ensinos sobre os quais já havia escrito a eles (2 Coríntios 2.3). Afinal, a última carta que Paulo lhes escreveu foi desafiadora, escrita em meio a lágrimas e dor. Sua esperança era que, na próxima vez que visitasse os coríntios, o tempo juntos fosse cheio de alegria e amor em vez de aflição e angústia (2 Coríntios 2.4). Assim como o sofrimento leva ao consolo, as repreensões levam ao arrependimento.
Por fim, Paulo exorta os coríntios a agirem uns com os outros da mesma forma que ele agiu com eles. Alguns em Corinto se recusavam a receber aqueles a quem Paulo se dirigiu em sua última carta severa, mesmo depois de eles se arrependerem (2 Coríntios 2.6). Talvez estivessem esperando o retorno de Paulo para então perdoá-los e aceitá-los novamente. Mas Paulo não pretende manter os coríntios em repreensão constante, e sim ser restaurado a uma união amorosa com a igreja (2 Coríntios 2.7). Paulo diz à igreja que quem eles perdoarem, ele também perdoará (2 Coríntios 2.8-10).
Onde está o Evangelho?
O sofrimento leva ao maior consolo porque nos une a Jesus de uma forma que nada mais pode. As dificuldades nos desapegam da confiança em nós mesmos e exigem que coloquemos toda a nossa esperança em Deus. É exatamente por isso que Paulo disse que Deus o levou ao sofrimento (2 Coríntios 1.9). Jesus sofreu a morte e a sepultura, sabendo que Deus o livraria e o consolaria na ressurreição. Quando sofremos como Jesus e com Jesus, nós nos unimos a ele ao encontrar nosso único consolo no Deus que, em misericórdia, nos ressuscitará de nossa dor e morte. Quando nos unimos a Jesus no sofrimento de sua morte, também nos unimos a ele no consolo de sua ressurreição (Romanos 6.5,8). E podemos confiar que Deus fará isso acontecer.
A confiabilidade de Paulo é um retrato humano da confiabilidade incomparável de Deus (2 Coríntios 1.18). Sua ausência pessoal em Corinto era uma demonstração de seu amor, e não de inconstância, como se ele dissesse sim e não ao mesmo tempo (2 Coríntios 1.15-17). De modo semelhante, em Jesus, Deus mostrou que toda promessa que ele faz é garantida por seu amor (2 Coríntios 1.20). Pois Deus foi fiel na promessa mais inacreditável: ressuscitar Jesus dos mortos. Em Jesus, Deus cumprirá toda promessa que fez. Essa garantia é certa porque Deus nos deu o seu Espírito (2 Coríntios 1.22). Estamos tão unidos a Deus em Jesus que ele de fato habita em nós e, por meio de seu Espírito, somos marcados para a vida da ressurreição. Podemos nos consolar sabendo que, quando nos unimos a Jesus no sofrimento de sua morte, pelo poder de seu Espírito, nós também nos uniremos a ele na ressurreição.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que é digno de confiança em todo o nosso sofrimento e morte. E que você veja Jesus como aquele que se uniu a nós em nosso sofrimento para garantir que todas as promessas do consolo de Deus para nós serão sim e amém.

