O que está acontecendo?
Deus acabou de resgatar seu povo da escravidão egípcia, e agora está conduzindo várias centenas de milhares de israelitas em direção à terra prometida aos seus antepassados (Êxodo 13.17-22). Mas Deus não está interessado apenas em libertar ou guiar seu povo; Deus quer glória. Ele quer que todo o Egito saiba que ele é mais poderoso que o Faraó e merece ser adorado. Por isso, Deus atrai o líder do Egito a atacar o seu povo enquanto este acampa à beira do mar Vermelho (Êxodo 14.1-9).
Quando Israel vê pela primeira vez o brilho dos carros de guerra ao longe, o povo fica aterrorizado e se pergunta se não teria sido melhor ser escravo no Egito do que morrer no deserto (Êxodo 14.10-12). Mas Moisés encoraja seu povo; Deus atraiu o Faraó para fora de sua capital a fim de obter glória sobre ele, destruindo-o. E Israel não terá de erguer uma única espada em sua defesa (Êxodo 14.13-14).
Esse momento foi prefigurado 80 anos antes, quando Moisés foi colocado num cesto no rio Nilo e retirado das águas por ninguém menos que a filha do Faraó (Êxodo 2.5). Então Deus envia uma nuvem para bloquear o exército egípcio e proteger seu povo da morte pelas lanças egípcias (Êxodo 14.15-20). Enquanto isso, o mar Vermelho se divide, deixando um caminho de terra seca pelo qual Israel começa a passar (Êxodo 14.21-22). Quando o Faraó percebe que o povo de Deus está escapando, seus carros de guerra contornam a nuvem, na esperança de matar os israelitas antes que eles atravessem. Mas Deus atola as rodas dos carros na lama. Os soldados endurecidos gritam que Deus os está atacando. Então, numa justiça poética pelo número incontável de filhos hebreus que o Faraó havia matado no Nilo, Deus faz as paredes de água desabarem sobre o Faraó e seu exército, e prova de modo culminante que é mais poderoso que o Faraó (Êxodo 14.23-28).
O povo de Deus está livre. Deus demonstrou sua glória. O Faraó foi destruído, e todos no Egito e em Israel sabem que Deus é muito mais poderoso que o Faraó e merece ser honrado, obedecido e adorado (Êxodo 14.29-31). Em resposta, Moisés escreve o que poderíamos chamar de hino nacional de Israel. O hino celebra como Deus os resgatou do exército do Faraó, fechando o mar Vermelho sobre os seus inimigos (Êxodo 15.1-10). Também expressa a esperança de que Deus continuará a lutar as suas batalhas, a lançar terror sobre seus inimigos e a levá-los em segurança à sua pátria (Êxodo 15.11-18). A irmã de Moisés então conduz as mulheres de Israel a recordarem como Deus provou que é o Deus mais glorioso de todo o mundo (Êxodo 15.20-21). O Deus deles venceu o Faraó, e ele nunca se levantará de seu túmulo de águas (Êxodo 15.19).
Onde está o Evangelho?
Durante 80 anos, Deus planejou salvar seu povo, triunfar sobre o Faraó e provar-se mais glorioso que qualquer governante do mundo antigo. E tudo o que Israel fez para experimentar o resgate pela mão de seu grande Deus foi ficar quieto, confiar e cantar (Êxodo 14.14, 31). O mais notável na história do Êxodo não é que Deus dividiu um mar. O mais digno de nota é que os israelitas nada fizeram para merecer seu lugar na vitória de Deus. Eles confiaram nele (Hebreus 11.29). É assim que Deus sempre age, em parte porque é assim que Deus recebe a maior glória. Quando Deus derrota todos os nossos inimigos por nós, e quando nunca levantamos um dedo em nossa defesa, fica provado que Deus é o maior Deus de todo o mundo.
Deus salvou Israel quando eles confiaram nele e caminharam com Moisés pelas águas do mar Vermelho. E agora Deus promete nos salvar de nossos inimigos quando confiamos e caminhamos com o líder final de seu povo, Jesus. Mais milagroso que dividir um mar, Jesus abriu um caminho através da própria morte. Jesus foi crucificado, morreu e foi sepultado. Mas Jesus rompeu a parede de seu túmulo, venceu seus inimigos e provou que é mais poderoso até do que a própria Morte (Colossenses 2.15). Jesus fez tudo isso sem a nossa ajuda. Jesus triunfou sobre a morte e provou sua glória sobre o sepulcro. Jesus provou que é o Deus mais poderoso e glorioso de todo o mundo (Efésios 2.8-10). E o modo pelo qual damos glória a esse Deus é confiando que ele nos salvará. Assim como Israel seguiu Moisés pelo mar, nós seguimos Jesus através de sua morte. Jesus nos chama a fazer isso por meio do rito do batismo. Debaixo da água, nos unimos a Jesus na morte, sabendo que, quando confiamos nossa vida a ele, nos uniremos a Jesus em sua gloriosa vitória sobre a morte para sempre (Romanos 6.3-11). E, como os israelitas na margem oposta do mar, podemos cantar a vitória de Deus sobre todos os nossos inimigos.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que é mais glorioso que os nossos inimigos. E que possamos ver Jesus como aquele que nos conduz pelas águas até a vida eterna.

