O que está acontecendo?
Deus acabou de dar as plantas do edifício em que habitará. Agora, ele dá instruções detalhadas a respeito do sacerdócio de Israel. Os líderes de Deus deveriam ser portais entre o céu e a terra. E facilitar o relacionamento e a comunicação entre o mundo de Deus e o nosso. Os líderes atuarão como mediadores entre Deus e o seu povo. Por meio da mediação fiel do sacerdote, Deus habitará com o seu povo (Êxodo 29.44-46).
Deus dá instruções detalhadas sobre as vestes sagradas que os líderes devem usar quando estiverem na casa de Deus. De alguma maneira, cada peça identifica os líderes como representantes do povo de Deus. A primeira peça é um avental sacerdotal chamado “éfode”. É um avental belamente bordado, cravejado de pedras de ônix gravadas com os doze nomes das tribos de Israel (Êxodo 28.6-14). De modo semelhante, o peitoral é um quadrado bordado usado sobre o éfode. Nele estão engastadas doze pedras preciosas; cada uma também gravada com os nomes das tribos de Israel (Êxodo 28.15-28). Como representante das tribos, ele carrega fisicamente o povo de Deus para onde quer que vá. Por fim, o peitoral é chamado “peitoral para decisões”. Ele simboliza o sacerdote levando as preocupações, a culpa, os pecados e as perguntas do povo de Deus, e mediando de volta a eles as decisões de Deus (Êxodo 28.29-30).
Debaixo do peitoral para decisões está o manto de azul puro do sacerdote (Êxodo 28.31-35). O azul representa o céu, fazendo com que as pedras na frente pareçam estrelas. O manto também é debruado com romãs e ouro, lembrando quem o veste do Éden. Ele está vestido como se o céu e a terra se unissem e se encontrassem nele. Na cabeça do sacerdote há um turbante com uma placa de ouro centralizada sobre a testa do sacerdote. Gravadas no ouro estão as palavras “Santo para o Senhor”. Nesse contexto, “santo” significa escolhido ou separado para a mediação entre um Deus perfeito e o seu povo imperfeito (Êxodo 28.36-38). Por fim, são descritas as roupas de baixo do sacerdote. Elas são descritas de tal maneira que lembram o leitor atento das roupas que Deus deu aos seus primeiros representantes, Adão e Eva (Êxodo 28.42-43; Gênesis 3.21-22). Até as roupas íntimas dos líderes comunicam que eles são mediadores entre Deus e o seu povo.
Mas, antes que os líderes possam vestir qualquer uma dessas vestes sagradas e caminhar entre o domínio de Deus e o nosso, eles precisam ser cerimonialmente separados para o papel sagrado que estão prestes a desempenhar (Êxodo 29.1-9). Deus prescreve uma série de três sacrifícios. Um novilho é oferecido para a purificação ritual deles. Depois, dois carneiros são abatidos para ratificar e celebrar a posição dos líderes como mediadores de Deus. Um é totalmente queimado, como se Deus “consumisse” o carneiro no fogo, enquanto os líderes comem o outro carneiro em uma refeição cerimonialmente íntima com Deus (Êxodo 29.10-34). Em seguida, os líderes preparam imediatamente uma refeição semelhante para que Deus a compartilhe com todo o seu povo. Todos os dias, eles devem oferecer cordeiro, pão e vinho sobre o altar, como uma representação diária de que, por meio de sua liderança, Deus habita com o seu povo e até come com ele (Êxodo 29.35-46).
Onde está o Evangelho?
O sacerdote definitivo em quem tanto o domínio de Deus quanto o nosso se encontram é Jesus. Mais do que simplesmente se vestir como se fosse a união do céu e da terra, Jesus era Deus em forma humana (João 1.1-14). Assim como o sacerdote levava simbolicamente as preocupações e os pecados de Israel a Deus quando usava as pedras gravadas, Deus carrega toda a nossa fragilidade humana no corpo de Jesus (Hebreus 4.15-16). Jesus é o mediador definitivo entre Deus e o seu povo porque é ao mesmo tempo totalmente Deus e totalmente humano.
E, como os líderes de Israel, Jesus prepara uma refeição sacrificial para o povo de Deus. A refeição de Jesus não é um carneiro, mas o seu próprio corpo. E, quando “comemos” a sua carne e “bebemos” o seu sangue, Deus habita conosco e em nós. O sacrifício sacerdotal de Jesus é o portal entre o céu e a terra; ao comer a sua refeição, viveremos com Deus para sempre (João 6.53-58). Jesus é um mediador melhor do que os líderes de Israel porque é ao mesmo tempo homem e Deus. Por meio de sua mediação, Jesus sempre proporciona acesso a Deus sem intermediários.
Mais ainda que o acesso eterno a Deus, o sacrifício de Jesus é o meio pelo qual somos cerimonialmente separados para nos tornarmos nós mesmos líderes. Jesus morreu como o novilho, para nos purificar de nossos pecados e de nossa culpa. Mas ele também morreu para ser uma refeição de celebração que ratificou a nossa posição como mediadores de Deus no mundo. Por meio de Jesus, o povo de Deus se torna todo um reino de líderes (Êxodo 19.6; 1 Pedro 2.9). Agora somos portais entre o mundo de Deus e o mundo ao nosso redor. Podemos levar a Deus as preocupações, a culpa, os pecados e as perguntas do nosso próximo, na esperança de que Deus responda às nossas orações com a sua presença.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que quer habitar com o seu povo. E que você veja Jesus como aquele que morreu para que pudéssemos ser líderes de Deus.

