O que está acontecendo?
Os israelitas foram escolhidos por Deus para serem, para o restante do mundo, um exemplo da bondade e da justiça de Deus. Mas Israel abandonou esse chamado e criou uma sociedade cheia de injustiça, maldade e derramamento de sangue. Em uma série de quatro profecias, Ezequiel demonstra que todos os níveis da sociedade israelita merecem ser exilados por sua rebelião contra Deus (Ezequiel 12.1-2).
Ezequiel começa pelo topo. Sua primeira profecia é para o rei de Israel. Por meio de uma série de sinais proféticos, Ezequiel diz que a Babilônia logo invadirá, empacotará os bens do rei, derrubará seus muros e o levará para a Babilônia, onde ele e os que o defendem morrerão (Ezequiel 12.3-16). Em outra profecia, Ezequiel faz uma refeição em uma praça pública enquanto treme violentamente (Ezequiel 12.17-18). É outro sinal. Quando o rei for levado, os sobreviventes farão todas as refeições em ansiedade e medo, enquanto a nação se desfaz ao seu redor (Ezequiel 12.17-20).
Descendo na escala social de Israel, a segunda profecia de Ezequiel se dirige aos líderes religiosos que negaram as advertências de Deus sobre o exílio. Por décadas, a elite religiosa judaica descartou qualquer profecia de desastre político (Ezequiel 13.21-22; 12.26-27). Ao mesmo tempo, mulheres influentes em Israel vendiam amuletos mágicos que prometiam afastar qualquer destruição vindoura (Ezequiel 13.17–20). Diferentemente de Ezequiel, os líderes religiosos e essas mulheres influentes profetizavam constantemente paz em Israel, apesar de sua crescente depravação e corrupção (Ezequiel 13.10, 22). Mas Deus diz que todas essas presunções rapidamente se mostrarão erradas (Ezequiel 12.13-15, 18). Os profetas de Israel são mentirosos (Ezequiel 13.1-7, 19, 23). As profecias de falsa paz que eles venderam não são melhores do que passar uma camada de cal sobre um muro apodrecido (Ezequiel 13.10). Deus diz que atravessará suas falsas narrativas proféticas com espadas babilônicas e pessoalmente garantirá que eles não sobrevivam ao exílio que está por vir (Ezequiel 13.8-16)
Mais perto da base da sociedade, a terceira profecia de Ezequiel se dirige aos líderes hipócritas dos clãs de Israel. Embora frequentemente façam questão de aparentar que pedem conselho a Deus, a maioria só pede a opinião de Deus depois de já ter consultado outros deuses. Ao fazerem isso, diz Ezequiel, eles “entregaram seus corações” a seres que não são o Deus que os escolheu (Ezequiel 14.1-3). Ezequiel denuncia essa espiritualidade misturada na esperança de reconquistar os corações de Israel para o Deus que os escolheu (Ezequiel 14.4-6). Se os líderes dos clãs de Israel se recusarem a abandonar sua hipocrisia, diz Ezequiel, Deus destruirá tanto a eles quanto aos profetas que fingem lhes dar respostas (Ezequiel 14.7-11).
Por fim, Ezequiel se dirige ao cidadão comum de Israel, que seguiu o exemplo perverso de seus líderes. Seus líderes envenenaram o povo de tal maneira que não resta ninguém capaz de conter a maré de destruição nacional e exílio (Ezequiel 14.12-20). Logo a Babilônia descerá e arrancará o mal de Israel. Embora haja alguns sobreviventes, Ezequiel diz que eles continuarão em sua obstinação perversa e provarão ao mundo que Israel merece o seu exílio (Ezequiel 14.21-23). De cima a baixo, Israel está corrompido, e Deus está certo em destruir esse reino perverso e enviá-lo ao exílio.
Onde está o Evangelho?
Não resta ninguém em Israel que possa impedir o exílio que está por vir. Todos estão corrompidos, do rei aos seus súditos. Mas o propósito das profecias de Ezequiel é levar ao arrependimento. Ezequiel está apenas profetizando o que acontecerá se Israel não mudar de rumo. Tragicamente, Israel não se arrependeu, e, exatamente como ele profetizou, a Babilônia o destruiu.
Com o tempo, Deus enviou outro profeta para demonstrar a corrupção da sociedade de Israel de cima a baixo: Jesus. Jesus afirmou ser rei de um reino superior ao de Roma (João 18.36-37). E Jesus disse aos líderes religiosos de sua época que Deus o havia enviado para julgá-los (João 9.39-41). Ao longo de seu ministério, Jesus repreendeu os líderes religiosos de Israel por sua hipocrisia, injustiça e corações obstinados. Como Ezequiel, ele os chama de sepulcros cobertos de cal, bonitos por fora, mas cheios dos ossos daqueles a quem vitimaram (Mateus 23.27-28). E ao cidadão comum de Israel, Jesus diz que não veio trazer uma narrativa falsa de paz, mas uma espada que separaria pais perversos de seus filhos fiéis e boas mães de suas filhas perversas (Mateus 10.34-36). Ezequiel profetizou que o mal de Israel levaria à destruição de sua nação, mas Jesus profetizou algo ainda mais terrível. Ele advertiu sobre um exílio de Deus e de sua terra que se estenderia para além da morte, para todo aquele que persistir em sua maldade (Lucas 16.23).
As profecias de Ezequiel e de Jesus demonstram que merecemos o exílio, mas elas não são desfechos inevitáveis. Quando ouvimos essas advertências severas de Jesus, elas são misericórdias destinadas a provocar o nosso arrependimento. Quando nos arrependemos e entregamos o nosso coração a Jesus, ele nos purifica do mal e destrói a nossa rebelião. Em sua graça, ele perdoará o nosso passado, e, em sua misericórdia, nos poupará do exílio, para que sejamos um povo que demonstra ao mundo a bondade e a justiça de Deus. Felizmente, a decisão de Deus de exilar aqueles que o rejeitam é sempre lenta. E Deus espera pacientemente, para que as pessoas rebeldes tenham tempo de ouvir a sua mensagem. Deus não quer que ninguém do seu povo seja separado dele. É por isso que ele adverte por meio de profetas como Ezequiel e Jesus (2 Pedro 3.9). Portanto, ouça a advertência de Jesus, arrependa-se, e você será salvo do exílio que está por vir.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que inevitavelmente destruirá a corrupção e o mal humanos, exilando-os de seu mundo. E que você veja Jesus como aquele que nos purifica do mal e nos faz o seu povo.

