O que está acontecendo?
Depois da visão da escada em Betel, Jacó segue viagem até a terra natal de seu avô Abrãao para encontrar uma esposa e dar continuidade à linhagem familiar da promessa (Gênesis 28.12-15). Como seu pai Isaque antes dele, Jacó encontra sua noiva junto a um poço (Gênesis 29.9-12). O nome dela é Raquel, e Jacó concorda em trabalhar sete anos para Labão, o pai dela, em troca de sua mão em casamento (Gênesis 29.18).
Mas Jacó, o enganador, é ele mesmo enganado. Na noite de núpcias, Labão o engana e o faz se casar com Leia, a irmã mais velha de Raquel (Gênesis 29.23-25). Jacó precisa então trabalhar outros sete anos para se casar também com Raquel (Gênesis 29.27). A rivalidade entre Leia e Raquel logo se intensifica, enquanto elas competem pelo amor de Jacó gerando filhos — primeiro por si mesmas, depois por meio de suas servas (Gênesis 30.1-13). Dessa competição disfuncional, Deus traz os primórdios da grande nação de Israel: doze filhos, que se tornarão as doze tribos de Israel (Gênesis 29.31; Gênesis 30.22-24).
O engano continua nas negociações de Jacó com Labão a respeito do gado. Por meio de esquemas elaborados que envolvem varas listradas e cruzamento seletivo, Jacó acumula um grande e saudável rebanho (Gênesis 30.37-43). Mas Jacó admite mais tarde que não foi sua esperteza, e sim Deus, que proveu para ele (Gênesis 31.7-9; Gênesis 32.10). No fim, Jacó toma suas esposas, seus filhos e seus bens, e parte secretamente para a terra de Canaã, o lugar onde Deus primeiro se revelou a ele no sonho (Gênesis 31.17-18).
Então, o que devemos concluir de todo esse engano e rivalidade? Por que o fundamento de Israel — as doze tribos — viria por meios tão conturbados? Gênesis quer que vejamos que os propósitos de Deus não dependem da pureza, da bondade ou da esperteza humanas. Deus cumpre suas promessas. Ele transforma até as tramas humanas em instrumentos de seu plano de aliança (Gênesis 50.20).
Onde está o Evangelho?
O mesmo padrão alcança seu ponto culminante em Jesus. Nunca houve trama mais perversa do que a traição, a prisão, o falso julgamento e a execução do inocente Filho de Deus (Marcos 14.56). E, no entanto, por meio desses atos tenebrosos, Deus realizou a salvação que havia prometido desde Abrãao.
O que parece derrota é, na verdade, vitória. Paulo explica que os governantes desta era não entenderam o que estavam fazendo quando crucificaram Jesus, “porque, se a tivessem compreendido, não teriam crucificado o Senhor da glória” (1 Coríntios 2.8). Os poderes do mal acreditavam estar dando fim à missão de Jesus, mas, ao matá-lo, selaram a própria ruína. A cruz se tornou a grande reversão — o lugar onde Deus derrotou o pecado, a morte e o diabo ao ressuscitar Jesus do sepulcro (Colossenses 2.15).
A vida de Jacó nos mostra que Deus pode redimir o engano humano para o seu plano de aliança. Mas em Jesus vemos algo ainda maior: Deus toma o pior dos males — uma execução injusta — e o transforma no próprio meio de vida para o mundo.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que cumpre suas promessas mesmo por meio do fracasso humano. E que você veja Jesus como o verdadeiro Filho que transforma as tramas mais sombrias do mal na mais brilhante vitória de Deus, vencendo a própria morte por meio de sua ressurreição.

