O que está acontecendo?
Deus prometeu a Abrãao que, por meio de sua família, todas as nações seriam abençoadas e floresceriam (Gênesis 12.3). Mas, até aqui, essa promessa tem parecido frágil, na melhor das hipóteses. A família de Abrãao tem sido pequena, cheia de rivalidade e engano, e agora um dos filhos de Jacó — José — foi vendido como escravo por seus próprios irmãos. Lá em Canaã, a terra da promessa, a fome e a morte se espalham. Ainda assim, Deus mostra que, para onde vai seu filho escolhido, a bênção vai com ele.
Quando José é vendido para a casa de Potifar, tudo naquela casa floresce. O texto repete que “o Senhor estava com José” e, por causa dessa presença, a casa de Potifar prospera (Gênesis 39.2-5). José, a descendência escolhida de Deus, transforma uma casa que deveria estar cheia de opressão e morte em um lugar de abundância e vida.
Mesmo quando José é injustamente lançado na prisão, a mesma coisa acontece novamente. Deus está com ele, e a própria prisão começa a prosperar sob seus cuidados (Gênesis 39.20-23). Mas há mais. Na prisão, José recebe a capacidade de discernir entre vida e morte por meio da interpretação de sonhos. Assim como Deus separou a luz das trevas e a terra do mar na criação (Gênesis 1.3-10), José é capaz de separar o futuro de seus companheiros de cela — um viverá, o outro morrerá — porque Deus está com ele (Gênesis 40.12-19).
Essa capacidade chama a atenção do Faraó quando ele também tem sonhos perturbadores sobre o futuro de sua terra. José interpreta os sonhos do Faraó, advertindo sobre sete anos de abundância seguidos por sete anos de fome (Gênesis 41.25-32). O padrão de sete evoca a criação original de Deus — sete dias que trouxeram do caos uma ordem florescente. O sonho do Faraó mostra o mundo se desfazendo de volta ao caos, mas Deus levanta José para trazer novamente ordem, vida e provisão.
O Faraó eleva José, e José faz de novo o que Deus fez na criação — ele traz ordem do caos, florescimento da fome. Ele armazena alimento durante os anos de fartura, para que nos anos de fome o Egito não morra de fome. De fato, “gente de toda a terra vinha ao Egito comprar trigo de José” (Gênesis 41.57).
José, o filho escolhido de Deus, torna-se um canal de vida em um mundo que, de outro modo, estaria condenado à morte. O que parecia ser uma fome mundial, Deus transforma em florescimento mundial, porque José está com eles, e Deus está com José.
Onde está o Evangelho?
Esta história nos aponta diretamente para Jesus, o verdadeiro e maior Filho.
Como José, Jesus é o escolhido de Deus. Mas ele é mais do que alguém com quem Deus habita — ele é o próprio Deus habitando entre nós (João 1.14). Por onde Jesus vai, ele traz vida florescente a domínios de morte e caos. Ele cura os enfermos, restaura os oprimidos por demônios, alimenta os famintos e até ressuscita os mortos. Ele é a nova criação irrompendo na fome do mundo.
Como José, Jesus também desceu à prisão — mas sua prisão foi a própria sepultura. E porque Deus estava com ele, ele trouxe daquela prisão vida florescente e edênica. Por sua ressurreição, ele separa pessoas da morte para a vida, ordenando corretamente o universo como a nova criação.
Os sete anos de fartura e os sete anos de fome de José também nos apontam para Jesus. Assim como o governo sábio de José preservou a vida ao longo de ciclos de abundância e escassez, Jesus traz uma criação nova e duradoura que nenhuma fome ou morte pode desfazer. Ele é o eterno pão da vida que alimenta o mundo para sempre (João 6.35).
José alimentou as nações com pão durante uma fome, uma garantia inicial da promessa de Deus de abençoar o mundo por meio da família de Abrãao. Mas sua provisão era temporária e incompleta. Jesus multiplica para nós as suas bênçãos espirituais. Ele é o pão da vida que nos alimenta nos períodos mais severos das fomes da vida e nos livra da própria morte.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que traz florescimento para onde quer que vá seu filho escolhido. E que você veja Jesus como o verdadeiro Filho que entrou em nossa fome, tornou-se pão para o mundo e agora enche você com o seu Espírito, para que leve a vida e a bênção dele para onde for.

