O que está acontecendo?
Nos primeiros onze capítulos de sua carta aos Romanos, Paulo explicou como todas as pessoas eram escravas de um ciclo de falsa adoração, depravação e maldade. Mas, pela misericórdia de Deus, ele resgatou o seu povo e o transformou em um novo povo e reino. Ao longo de sua carta, Paulo descreveu essas boas-novas de muitas maneiras diferentes. É a salvação recebida somente pela fé (Romanos 1.16). O povo de Deus recebeu boa posição diante de Deus e foi incluído na família escolhida de Abrãao por meio do sacrifício de Jesus (Romanos 3.24-25; Romanos 4.11-12). O povo de Deus foi tornado justo, foi salvo da morte e recebeu a vida eterna (Romanos 5.19-21). O povo de Deus morreu para o pecado e foi vivificado para Deus (Romanos 6.11). O povo de Deus foi libertado da lei do pecado e da morte (Romanos 8.2). O povo de Deus outrora era escravo, mas agora é filho de Deus (Romanos 8.16-17). Nestes últimos capítulos, Paulo insiste que essas boas-novas devem produzir uma mudança radical no comportamento cotidiano daqueles que seguem Jesus.
O sacrifício de Jesus na cruz deve se tornar o modelo pelo qual os seguidores de Jesus vivem toda a sua vida. Em vez de viver para a autogratificação, eles devem oferecer toda a sua vida como sacrifício a Deus (Romanos 12.1). Antes de Jesus, a nossa mente estava corrompida e não queria aprender nem obedecer a Deus, mas, por causa de Jesus, ela foi e está sendo transformada (Romanos 1.28). Em vez de aceitar os padrões de comportamento esperados pela cultura ao seu redor, os cristãos devem empregar a vida usando a sua imaginação redimida para aprender o que Deus deseja para eles e fazê-lo de boa vontade (Romanos 12.2).
Paulo diz que moldar a nossa vida conforme o modelo de Jesus começa com humildade (Romanos 12.3). Ninguém é suficiente por si mesmo para uma vida de seguir a Deus. Todos os crentes são membros interdependentes de um único corpo (Romanos 12.4-5). E Deus deu a cada membro da igreja em Roma dons singulares. Assim como cada parte do corpo beneficia o todo, a vontade de Deus é que os romanos usem humildemente os seus dons para encorajar uns aos outros e edificar a igreja (Romanos 12.6-8). Obedecer humildemente à vontade de Deus significa amar profundamente uns aos outros, mesmo quando isso custa caro (Romanos 12.9-11, 13, 15-16). Assim como Jesus suportou com paciência a perseguição e o mal, os seguidores de Jesus devem seguir o exemplo que ele deu na cruz. Assim como Jesus orou pelos seus inimigos enquanto eles o crucificavam, o povo de Deus deve orar por aqueles que lhe fazem mal e abençoá-los (Romanos 12.12, 14). No ponto culminante, a humildade se expressará quando os cristãos deixarem a justiça nas mãos de Deus, se recusarem a tomar a vingança nas próprias mãos e, em vez disso, fizerem o bem aos seus inimigos (Romanos 12.17-21). Embora pareça contraintuitivo, uma forma de deixar a justiça nas mãos de Deus é submeter-se ao governo falho de Roma. Deus colocou o imperador e os seus senadores sob a sua autoridade, e todos eles o servem. Por ora, ele os escolheu para punir o mal, recompensar o bem e vingar aqueles que sofreram injustiça (Romanos 13.1-4). Os seguidores de Jesus nunca devem tomar a justiça nas próprias mãos; devem, antes, confiar em Deus, confiando naqueles a quem Deus deu autoridade para executar a justiça (Romanos 13.5-7).
Onde está o Evangelho?
Paulo resume dizendo que a verdadeira humildade e a verdadeira obediência à vontade de Deus se cumprem quando os seguidores de Jesus se dedicam a amar os outros (Romanos 13.8-10). Essa não é apenas a resposta adequada ao que Jesus fez, mas também a resposta adequada à luz do que Jesus fará. Jesus morreu e ressuscitou, mas logo voltará à Terra novamente. A ressurreição de Jesus não foi o fim dos planos de Deus para o seu povo. A nossa experiência da salvação, da justiça e da vida eterna de Deus em sua família apenas começou. Paulo diz que vivemos como nas horas de penumbra que antecedem um amanhecer glorioso (Romanos 13.11-12). Já não estamos presos a ciclos de falsa adoração, depravação e maldade, mas fomos libertados para nos unir ao reino de Deus que está chegando. E, visto que algo novo e ainda mais glorioso está amanhecendo, devemos agir de acordo. Em vez de aceitar sonolentamente as obras que o nosso mundo pratica nas trevas, devemos agir como habitantes alertas da luz. Temos a responsabilidade ativa de nos separar das trevas da nossa era atual e alinhar a nossa vida com as expectativas, os mandamentos e a vontade do Deus que nos salvou em Jesus. Em vez de viver uma vida marcada pela autogratificação, os seguidores de Jesus devem viver uma vida de sacrifício a serviço do amor ao próximo (Romanos 13.13-14).
Ser um seguidor de Jesus sempre custa caro. Amar os outros dói. A humildade é difícil. Submeter-se ao nosso governo é assustador, especialmente quando ele é capaz de assassinar Jesus e aqueles que o seguem. Mas Jesus nos mostrou que, mesmo quando morremos seguindo-o, triunfamos sobre os nossos perseguidores. Os cristãos não precisam ter medo. Deus resgata, ressuscita e recompensa aqueles que seguem Jesus.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que nos salvou por sua misericórdia. E que você veja Jesus como aquele que nos capacitou a viver uma vida que tanto conhece a vontade de Deus como a obedece.

