O que está acontecendo?
Os primeiros 60 anos da história de Israel exigiram 13 capítulos para serem explorados. Os 60 anos seguintes ocupam três. A narrativa se acelera à medida que a história de Israel se repete vez após vez. Um rei se levanta, governa, peca e morre. E de novo, e de novo, e de novo. Viver. Pecar. Morrer. Repetir.
O autor lista, de forma repetitiva e monótona, um rei após outro de nomes parecidos, envolvidos em guerras parecidas e recebendo juízos parecidos: “Ele fez o que o Senhor reprova, andando nos caminhos de seu pai” (1 Reis 15.26). Até os detalhes que nosso autor compartilha são extremamente limitados. As intrigas políticas dos dias de Salomão e as batalhas emocionantes do reinado de Davi desapareceram, substituídas por resumos curtos e pobres em detalhes, e por um lembrete de buscar mais informações nos livros históricos (1 Reis 15.23). O efeito é anestesiante. Se você já leu Reis antes, provavelmente se sentiu insensível a tudo isso. Mas não se sinta culpado por isso — é assim mesmo que você deveria se sentir. A idolatria e a desobediência de Israel são cada vez mais violentas, repetitivas e tão entediantes.
O único ponto positivo é o rei Asa, em Judá (1 Reis 15.11). Ele desfaz alguns dos pecados de seus pais, embora não consiga recuperar a glória ou a fidelidade que Israel tinha antes (1 Reis 15.12-13). Mas sua piedade é ofuscada por Onri e seu filho Acabe. Onri fez mais mal do que todos os reis antes dele (1 Reis 16.25), e Acabe fez até a maldade de seu pai parecer trivial (1 Reis 16.31a).
Acabe se casa com Jezabel, uma rainha estrangeira, e juntos instituem formalmente o culto a Baal na terra do Senhor (1 Reis 16.32-33). O culto a Baal frequentemente envolvia sacrifício humano, que Acabe permite livremente. Ele deixa que um subordinado sacrifique seus dois filhos para reconstruir Jericó, a cidade cananeia que Josué destruiu (1 Reis 16.34). Acabe desfaz a vida e a vitalidade que Deus trouxe por meio de Josué. Ele reconstrói a imoralidade que Israel já havia destruído, e condena Israel a mais do mesmo.
Onde está o Evangelho?
Não precisamos de três capítulos para explicar o que acontece ao longo do resto da história. Nós vivemos. Nós pecamos. Nós morremos. Novos deuses, novos nomes, novas culturas. Mas é sempre o mesmo padrão em repetição. Nós vivemos. Nós pecamos. Nós morremos.
O deus Baal (não menos que a nossa própria cultura) prometia que a experimentação sexual em seu templo significaria fertilidade, felicidade e prosperidade (1 Reis 15.12). E os seres humanos ainda não aprenderam que se curvar a Baal sempre conduz aos mesmos padrões repetidos de esterilidade, perda e miséria. Sexo sem alegria, casamentos sem amor e famílias desfeitas são repetições milenares da mesma idolatria entediante (Romanos 1.23).
A única maneira de se libertar da monotonia da nossa idolatria é adorar o Deus vivo (1 Tessalonicenses 1.9). Assim como Asa trouxe vida de volta a Israel, quando adoramos o Deus vivo revertemos a repetição da morte e da decadência, e abrimos espaço para criatividade, vida e vitalidade.
O nome desse Deus vivo é Jesus. No deserto, Satanás ofereceu a Jesus um reino de riqueza e poder se ele apenas se ajoelhasse (Mateus 4.8-9). Mas Jesus se recusou a se curvar às promessas do impotente Satanás e, em vez disso, seguiu somente o Deus da Vida (João 5.19). Assim como Asa se recusou a se curvar às promessas de um falso deus, Jesus põe fim à monotonia da morte e da idolatria. Ele inova, trazendo vida eterna para pessoas condenadas à morte. Ele transforma pecadores em novas criações (2 Coríntios 5.17). Como Josué, nos tornamos guerreiros da vida, vigorosos e cheios de vitalidade, em um mundo governado pela morte. Em Jesus, já não é viver, pecar, morrer, repetir. Agora é uma vida morta ao pecado, vitalidade eterna e uma exploração sem fim da criatividade, da vida e do vigor do Deus vivo.
Veja você mesmo
Que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver que Deus é melhor do que os ídolos. E que você veja Jesus como o Deus vivo que nos liberta da monotonia da morte e da decadência.

