O que está acontecendo?
Deus está no controle. Deus é fiel. Essas duas verdades saltam da página nas três histórias que aparecem aqui.
Primeiro, Abrão e seu sobrinho Ló enfrentam um dilema. Seus rebanhos são grandes demais para que vivam na mesma terra (Gênesis 13.5,6). Abrão, em vez de reivindicar seus direitos, deixa que Ló escolha primeiro. Ló ergue os olhos e escolhe o vale fértil do Jordão, perto de Sodoma, cidade tristemente famosa por sua maldade (Gênesis 13.10-13). Abrão fica com o que parece ser a terra inferior. No entanto, essa era a terra que Deus lhe havia prometido, e Deus reafirma a sua aliança: “Erga os olhos… a você eu a darei” (Gênesis 13.14,15). Sem que Abrão sequer escolha, Deus garante para ele a terra da bênção.
Em segundo lugar, a terra de Ló é atacada por uma coalizão de reis rivais. Sua família e seus bens são levados (Gênesis 14.12). Mas Abrão, com apenas 318 homens, derrota esses reis e resgata Ló com todos os seus bens (Gênesis 14.15,16). Abrão vence não por força, mas porque Deus lhe deu a vitória.
Por fim, dois reis vêm ao encontro de Abrão. Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, abençoa Abrão (Gênesis 14.18-20). Em resposta, Abrão lhe dá o dízimo de tudo o que possui. Mas o rei de Sodoma tenta abençoar Abrão com os despojos da batalha (Gênesis 14.21). Abrão recusa, declarando que não quer que ninguém diga: “Eu enriqueci Abrão” (Gênesis 14.23). Ele receberá bênção somente de Deus.
Deus está no controle. Deus é fiel.
Onde está o Evangelho?
Essas histórias encontram seu cumprimento em Jesus, a descendência prometida da bênção.
Como Abrão, muitas vezes não vemos com clareza por que nossa vida se encontra onde está — por escolha ou por circunstância. Mas Deus dirige os nossos passos até o lugar onde a sua promessa se cumpre (Provérbios 16.9). O que parece ser a “porção inferior” muitas vezes é o lugar da bênção em Cristo.
Como o pequeno exército de Abrão, Jesus vence os maiores poderes — não pela força das armas, mas por aquilo que parecia fraqueza. Ao entregar a sua vida, ele derrota o poder bestial da morte e a descendência violenta da serpente, que domina a humanidade desde Caim (1 Coríntios 1.23,25).
Como Melquisedeque, Jesus é ao mesmo tempo Rei e Sacerdote eterno (Hebreus 7.17). O dízimo e a bênção de Abrão apontam para aquele que não tem fim, cujo sacerdócio garante para sempre o nosso acesso a Deus.
E, como Abrão, não precisamos dos tesouros de Sodoma. A herança que Jesus conquistou para nós por meio da sua ressurreição é uma riqueza maior do que qualquer coisa que este mundo possa oferecer (Romanos 8.17). A bênção do reino eterno de Deus é suficiente.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo lhe dê olhos para ver o Deus que é fiel em guiar e abençoar o seu povo. E que você veja Jesus como o Rei e Sacerdote que derrota os poderes da morte e garante uma herança eterna para todos os que lhe pertencem.

