O que está acontecendo?
Jó está cansado de discutir com Elifaz. Ele crê que o seu sofrimento acabará por matá-lo (Jó 7.6). Por isso, fala diretamente a Deus (Jó 7.11). Mas a maneira como ele fala de Deus é preocupante. Jó acusa Deus de ser rigoroso e exigente em excesso (Jó 7.17-18). Da perspectiva de Jó, Deus o vigia e o castiga sem razões claras (Jó 7.20). Antes, no livro, Deus até reconhece que não há razões para o seu sofrimento (Jó 2.3).
Mas Bildade, amigo de Jó, não gosta do que Jó está dizendo. Deus é sempre justo e jamais permitiria que o inocente sofresse (Jó 8.3). E, uma vez que Jó está sofrendo, ele não pode ser tão inocente quanto afirma (Jó 8.6). Bildade insinua que Jó é culpado de rejeitar Deus, o que explica o seu sofrimento (Jó 8.13). Se Jó fosse verdadeiramente inocente, nada disso estaria acontecendo (Jó 8.20).
Mas Jó responde que é inútil um mortal tentar provar a sua inocência no tribunal de Deus (Jó 9.2). Deus é poderoso demais. Nenhum ser humano consegue resistir ao seu interrogatório (Jó 9.3-4). Se Deus comanda a terra e as estrelas contra os seus inimigos, que esperança tem Jó de sobreviver à acusação de Deus (Jó 9.6-7)? Jó chega a duvidar de que Deus ouvirá a sua causa (Jó 9.16). Mortais não convocam divindades. Se Deus quisesse, poderia superar Jó em argumentos e achar um modo de condená-lo, mesmo sendo ele inocente (Jó 9.28). A questão é que Jó é apenas um homem. Mortais não podem discutir com Deus e vencer (Jó 9.32).
Assim, Jó espera que um árbitro — um advogado — venha e permita que ele se aproxime de Deus em seu poder imortal e apresente a defesa de sua inocência (Jó 9.33).
Onde está o Evangelho?
Jó tem razão em temer levar a sua causa ao tribunal de Deus e ouvir os argumentos de Deus. Mesmo que Jó fosse o advogado mais brilhante, a acusação de Deus sempre será mais convincente. É por isso que Jó espera por um árbitro que apresente diante de Deus a causa do seu sofrimento inocente.
Esse árbitro é Jesus. Como Jó, ele sofre inocentemente. Como Jó, ele clama a Deus por uma explicação para o seu sofrimento (Mateus 27.46). Mas, diferentemente de Jó, ele não tem motivo para temer o tribunal de Deus nem os veredictos de Deus. Jesus não é apenas um homem mortal; ele é o próprio Deus. Jesus é o advogado que pode dar ao inocente Jó o seu dia no tribunal.
E o apóstolo João diz que Jesus não representa somente clientes inocentes, mas também os culpados. “Se alguém pecar, temos um advogado junto ao Pai — Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2.1). Jó temia entrar no tribunal, mas Jesus argumenta com ousadia que somos inocentes.
E, mais do que simplesmente argumentar a nossa inocência, Jesus apaga o nosso pecado por meio de sua morte (1 João 2.2). Por causa da defesa que Jesus faz de nós e de sua expiação, não precisamos ter medo de comparecer ao tribunal de Deus. Como Jesus, podemos nos achegar com ousadia ao trono de Deus e pedir não apenas inocência, mas tudo de que precisamos (Hebreus 4.16).
Veja por você mesmo
Que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver Deus como um Juiz imensamente poderoso. E que você veja Jesus como aquele que não apenas advoga pela nossa inocência, mas nos torna inocentes por sua cruz.

